quarta-feira, 24 de março de 2021

O Arcanjo Rebelde e seus Mistérios

 


Dizia o Mestre Henrique José de Souza: “Devemos fazer luz sobre tudo aquilo que o povo desconhece”. Portanto, ao iniciarmos o nosso estudo, que diz respeito ao ARCANJO REBELDE, LÚCIFER, e seus mistérios, queiram os Deuses que possamos demonstrar que sobre o referido Arcanjo foram cometidas as maiores injustiças que a ignóbil maldade humana concebeu e praticou. Também pudera! Se crucificaram o próprio Filho de Deus, o que não fariam com o suposto inimigo do referido Deus? Mas, diz o ditado popular: “O Diabo não é tão feio como se pinta”. A este respeito é que vai corresponder o espírito deste nosso estudo, porque faremos uma síntese para todos aqueles cujos valores espirituais os trouxeram até aqui, para lerem a abordagem que faremos sobre um tema tão vital, tema que criou o germe de quantas filosofias já frutificaram no seio dos povos, e que sempre gerou a dúvida sofrida por todo o homem de pensamento, sob a influência de todos os climas, em todas as épocas e, por que não dizer, em cada problemática da sua peregrinação, ou seja, o Mistério do Bem e do Mal, ou o cruel dualismo que se manifesta na vida de cada ser humano.

No entanto, os próprios designativos que nas várias tradições e idiomas vieram a ser atribuídos a esse hipotético Ser, já permitem ao pesquisador isento induzir a sua verdadeira e transcendental natureza e função.


Veja-se, por exemplo, sob a análise etimológica, a expressão:


DIABO – formado pela contracção do termo (latino) DEO + o radical AB (sânscrito) = Primeiro, significando o termo literalmente: o Deus Primeiro ou Primordial.


SATANÁS (do sânscrito) = SAT = Aquele, Aquilo, etc. (como Causa Una manifestada) + UR = Fogo + ANÁS = Veste. Portanto, literalmente: Aquele que tem as Vestes Ígneas (aqui como alusão a “AGNI”, o Fogo Sagrado, e também ao Mental, que gera todas as coisas). Daí o designativo:


LÚCIFER = LUX (Luz) + FERO (Carregar), termos latinos. Ou seja: o Portador da Luz (aqui como Mental, Inteligência, etc.).


SATAN – SAT + OM, contracção da Palavra sagrada AUM, representativa dos 3 Mundos, etc., significando alegoricamente: Aquele (UNO) manifestado nos 3 Mundos, Tronos, etc.


Melhor do que possa conceber toda a riqueza da retórica humana, assim expressa um fragmento de antiquíssimo livro, o Sutra-Dharma, a grandiosidade desse eterno choque ou jogo entre as duas Forças Cósmicas, indispensáveis à própria Evolução Universal:

Os dois existem. Um como Espírito, outro como Matéria… nenhum dos dois se entendem, porque um anda em busca do outro. O que está em baixo, nunca sobe… O que está em cima, desce sempre para salvar a sua “Sombra”, sob a tutela do Divino.

A Um sobra esta parte, e a Outro, esta falta…

O verdadeiro sentido esotérico acerca de Satan e a opinião que sobre o assunto tinham as filosofias antigas, acham-se admiravelmente apresentados em um apêndice intitulado O Segredo de Satã, 2.ª edição, de Perfect Way, do Dr. A. Kinsford (página 214):

No Sétimo Dia (ou o da Criação) produziu-se da presença de Deus um Anjo poderoso, cheio de ardimento, e Deus lhe deu o domínio da Esfera extrema. A eternidade produziu o tempo; o ilimitado deu nascimento ao limitado; o SER desceu à geração. Entre os Deuses não há nenhum que se assemelhe àquele em cujas mãos estão depositados o Reino, o Poder e a Glória dos Mundos, pois, como diz Hermes, Satan é o Guardião da Porta do Templo do Rei, e no pórtico de Salomão estão guardadas as Chaves do Santuário, para que não penetre nele profano algum, mas tão-somente os Ungidos que possuem o Arcano de Hermes. Temei-o e não pequeis; pronunciai tremendo o seu nome, pois Satan é o magistrado da Justiça de Deus. Ele tem nas suas mãos a Balança e a Espada… Satan é, em suma, o Ministro de Deus, o Senhor das Sete Mansões do Hades e o Anjo dos Mundos manifestados.

Somente as religiões exotéricas é que ignoram que o LOGOS é o doador do Mental e da Sabedoria (Lúcifer ou Satan). “Satan é o deus do nosso planeta”, representa o Deus Único, e isto sem qualquer sombra de perversidade, pois é UNO com o LOGOS. Portanto, quando os religiosos maldizem a Satan, maldizem o reflexo cósmico de Deus na Terra.

Sabemos, por outro lado, que existe cosmicamente UM MOMENTO EM QUE SAINDO A CAUSA UNA (ou Unidade Primordial) DO SEU ESTADO DE DESCANSO (Pralaya) ou Imanifestação, ao iniciar-se uma nova Etapa ou grande Ciclo evolutivo entram esses dois Aspectos (Bem e Mal) em simultânea e necessária actividade.

Eis aí o instante em que um Luzeiro (Dhyan-Choan, Ishwara, Arcanjo, etc.) passa a actuar no Mundo manifestado, assumindo o papel e função de Opositor, necessário pólo de confronto ou contraste com o Princípio Criador, Positivo. Embora esse metabolismo possua particularidades próprias a cada um dos estágios evolutivos, essa condição representa aquilo que, genericamente, pode-se chamar de “Queda do Espírito na Matéria”, o que tanto vale por um Luzeiro, com toda a sua série tulkuística imediata (compondo a sua própria Jerarquia), desligando-se transitoriamente da sua Consciência Divina para passar a actuar “cegamente” nos Planos inferiores ou mais densos da Criação.

Com isso, veio a suceder um facto que as antigas tradições registam com o nome de “Queda dos Anjos”, a Taraka Raja Maya (a alegórica “Guerra nos Céus”) da tradição hindu, etc., ou mais precisamente a chamada “Queda dos Assuras”, embora que em verdade a referida “Queda” ou projecção nos Planos mais densos do Sistema fosse do Superior sideral imediato dos mesmos Assuras, ou seja, o QUINTO SENHOR ou Luzeiro.

No já referido livro Sutra-Dharma, relata-se que o SENHOR DOS ASSURAS (os Assuras são os Seres que inciaram a Evolução na 1.ª Cadeia Planetária), LUZBEL, tendo ideias próprias relativamente à orientação a ser dada aos seres da Terra, sonegou o seu trabalho ao Eterno, sendo consequentemente projectado (ou expulso), com as suas Hostes Divinas, do Mundo Superior para o novo Mundo que surgia das regiões mais densas do Sistema.

Embora perdendo temporariamente a sua Consciência Divina e as suas dignidades, Ele veio a adoptar no Mundo Humano o patronímico de LÚCIFER. Literalmente: Aquele que carrega a Luz, o Portador do Facho, mas na verdade a Luz da Inteligência, do MENTAL a ser desenvolvido pelos seres da Terra até ás fronteiras do seu último estágio, o Mental Superior, Abstracto, como pródromo da etapa seguinte, a Intuição ou Budhi, apanágio do 6.º Luzeiro.

Veja-se, por exemplo, como até o Apocalipse, livro canónico de grande credibilidade, não é bastante explícito, chegando mesmo às fronteiras da infantilidade, quando fala a respeito de Satan (Apoc. 12:7-9, que relata a “QUEDA”):

E houve batalha no céu, Miguel e os seus Anjos combateram com o Dragão, e o Dragão e os seus Anjos combateram, mas não conseguiram levar a melhor e daí por diante no céu não houve lugar para eles. E o grande Dragão, a antiga Serpente, o sedutor do mundo inteiro, foi precipitado sobre a Terra e com ele foram precipitados os seus Anjos. Em seguida, fala que o acusador dos nossos irmãos, que dia e noite os acusava perante Deus, foi precipitado.

De qualquer forma, embora exista sobre o facto uma Maya deliberada lançada pelos Grandes Iniciados de todas épocas, remanesce bessa instância a ideia de haver ocorrido uma sonegação ou rebeldia contra a determinação da Lei em completar-se a Evolução interrompida na Lua (Cadeia), por entender o 5.º Luzeiro que as formas ou seres da Terra eram por demais vis e grosseiras para receberem a infusão do princípio Mental.

Consequentemente, a Lei veio a realizar um verdadeiro “Saque contra o Futuro”, lançando mão do seu 6.º Raio (luzeiro) AKBEL, o qual passou a assumir na Terra a função de pólo positivo ou construtivo, além de arcar com a responsabilidade de reconduzir o seu Irmão (o QUINTO) ao Trono que lhe pertence, destarte passando este último a personificar o pólo opositor, com as consequências e implicações já vistas.

Toda essa problemática, relatando a fussão dos ASSURAS com as chamadas “filhas dos homens”, a Humanidade incipiente, e as causas verdadeiras da chamada “Queda dos Anjos”, estão registadas em várias tradições, folclores, mitologias e livros sagrados, dentre eles o famoso LIVRO DE ENOCH, em seu capítulo VI, texto esse que os judeus e a própria Igreja Católica esconderam tendo-o retirado do contexto dos seus respectivos livros sagrados.


LÚCIFER


Começamos por dizer que LÚCIFER significa o Portador da Luz, da Inteligência, da Sabedoria; é o Divino Rebelde, que através de idades sem conta gerou e manifestou o poder obstaculizante, a fim de gerar na alma humana a força propulsora do progresso e da evolução, força essa animou a todos os génios, guias e inspiradores da Humanidade. Lúcifer é o Arcanjo que tendo se sacrificado no Cáucaso da vida física ou nos Mundos mais concretos da Manifestação Universal, houve por bem brandir a Espada do Conhecimento Superior, a fim de libertar as humanas criaturas do abutre das paixões grosseiras, das negativas inércias, da ignorância e dos seus filhos morbosos: a superstição e o fanatismo.

De acordo com os ensinamentos da Sabedoria Iniciática das Idades ou Ciência Esotérica, Lúcifer não é o ANTI-CRISTO.


O ANTI-CRISTO


Este é o fruto, o resultado, a síntese das emoções e pensamentos maléficos de toda a Humanidade. Mas, para demonstrar o que acabamos de afirmar, teremos que nos reportar a esses mesmos ensinamentos, para dizer que o pensamento é força cósmica manipulada pelas Hierarquias Criadoras, responsáveis pela criação de tudo quanto existe nos Planos da Manifestação Universal. Portanto, tudo quanto existe foi precedido pelo pensamento.

Para melhor compreensão da actuação dessa força nos seres humanos, diremos o seguinte: assim como o gerador não é a energia, nem a música o instrumento musical, nem a lâmpada a luz, do mesmo modo o pensamento não é o cérebro, mas este o transmissor e receptor dessa força, que na etapa actual da Evolução se manifesta nos seres humanos como pensamento, gerador da inteligência em suas várias gradações. O cérebro humano é, portanto, uma antena que capta também pensamentos de seres encarnados e desencarnados que estejam vibrando na mesma faixa de interesses e propósitos. Se carregado de maus pensamentos, tornar-se-á instrumento de mortíferas energias condensadas na atmosfera, pela baixa condição espiritual dos seres humanos. Sabemos que o Espírito Humano está terminando a etapa evolutiva da Quinta Sub-Raça da Quinta Raça-Mãe Ariana, cujo estado de consciência da Humanidade inteira é o Psicomental, isto é, o mental Concreto intimamente ligado ao Corpo Emocional. Portanto, a Hierarquia Humana ainda é mais brutalizada do que propriamente humanizada, razão pela qual ainda existe a inveja, o orgulho, a vaidade, o egoísmo, o ciúme, a avareza, enfim, todas as imperfeições da alma humana que impedem a sua marcha ascensional para um futuro melhor.

Nestas condições, cada ser humano, pensando e sentindo a já referida ordem de pensamentos e sentimentos, percorrendo em ondas vibratórias o oceano infinito da Matéria Substancial que constitui os Planos Universais, eles adquirem vida e forma que lhes são dadas pelos Elementais – forças plasmadoras da Matéria – que passam a ser Elementares, por terem sido criados pelo pensamento humano (a continuidade das mesmas ordens de pensamentos e sentimentos), no caso, maléficos, que gerados pela Humanidade durante milhares e milhares de anos deram como resultado poderosíssimas Egrégoras (entidades psicomentais criadas pela colectividade), verdadeiras centrais de energia psicomental. A unificação de todas essas Egrégoras maléficas é que passou a constituir ou a formar o Buda Negro do Oriente e o Anti-Cristo do Ocidente. Este é, portanto, o fruto dos pensamentos e dos sentimentos maléficos, principalmente dos religiosos supersticiosos e fanáticos que o alimentam a todo o instante e a toda a hora, como ensinam os maus Pastores ou Pastores sombrios, Pastófaros ou Condutores do Gado Humano.

Se Lúcifer, como o Portador da Inteligência e Eterno Rebelde porque sempre se rebelou contra a estupidez e a ignorância humana, lançou mão dessas Egrégoras e lançou-as contra a Humanidade, manifestando-se como Justiça Universal, isto os religiosos não discutem.


O QUE NOS REVELAM ALGUMAS TRADIÇÕES


Somente as pecadoras religiões exotéricas é que ignoram – ou os seus falsos sacerdotes ávidos de dinheiro e de poder fingem ignorar – que o LOGOS é Sabedoria e também Lúcifer ou Satan. “Satan é o Deus do nosso planeta e o Deus único, e por isso sem sombra alguma, nem metáfora de perversidade, pois é uno com o LOGOS. Portanto, quando os religiosos maldizem a Satan, maldizem o reflexo cósmico de DEUS, anatematizam DEUS manifestado na Matéria ou no Objectivo; maldizem a Sabedoria para sempre incompreensível, revelada como LUZ e SOMBRA, BEM e MAL na Natureza, na única forma compreensível à limitada inteligência do Género Humano”. Todos os cabalistas e simbologistas demonstram suma repugnância a confessar a “Queda dos Anjos”, desde que os teólogos inventaram o Demónio colocando um véu teológico entre a Humanidade e Lúcifer, a DIVINA ESTRELA, ou seja, o FILHO DA MANHÃ, indo criar o mais gigantesco de todos os paradoxos: uma Luz Tenebrosa e Negra.

Todas as tradições religiosas, inclusive a Bíblia, desde o Génese ao Apocalipse, são unânimes em afirmar que a “Queda dos Anjos” deveu-se ao orgulho, ambição e vaidade do Arcanjo Rebelde. Assim sendo, lançando-se mãos dos ensinamentos da Ciência Esotérica, poderemos esclarecer que os citados sentimentos que fazem parte da imperfeita personalidade humana, não podem ser atribuídos a uma CONSCIÊNCIA CÓSMICA; que tal facto ocorreu e ocorre devido à incapacidade das humanas criaturas em compreenderem a Missão de que foi investido, pelo próprio LOGOS-DEUS, tão Excelso SER. Essa incapacidade a que nos referimos é a de perceber a diferença de naturezas: enquanto o ser humano evolui seguindo a linha da transitoriedade das formas, isto é, NASCE, CRESCE, MORRE, Lúcifer é eterno. No entanto, apesar de estar muito acima da linha traçada para a evolução da Hierarquia Humana, a responsabilidade da sua Missão junto à referida Hierarquia levou-o a influenciar de tal maneira o Espírito Humano que este viu-se arrastado para uma dualidade poderosa, que poderá receber o nome de Luta SIM e NÃO, BEM e MAL, pois que é CAINDO E LEVANTANDO QUE SE REALIZA A EVOLUÇÃO, libertando-se das trevas da ignorância para alcançar a Luz da Sabedoria.

A ignorância dos sacerdotes pecadores é que deu origem a todas as formas imensamente horrorosas que erroneamente se atribuem a LÚCIFER, enquanto outros mais evoluídos o consideram ALTIVO E BELO, de uma beleza supraterrena, de porte altivo e majestoso. Contudo, a bem da verdade, devemos esclarecer que, por diferença de natureza, olhar humano algum jamais o contemplou.

Quando Jeoshua, o Jesus bíblico, afirma: “Vi Satan cair do Céu como um Raio” (Lucas, 10:18), é uma simples declaração dos seus poderes clarividentes e uma referência à encarnação do Raio Divino.

O estudante da Sabedoria Iniciática das Idades compreende que as massas populares necessitam de um freio moral, porque o ser humano está sempre ansioso de um Céu, de um Paraíso, e não pode viver sem um ideal qualquer que lhe sirva de fanal e consolo. Mas neste difícil momento de transição de um Ciclo para outro e o início da Civilização Aquariana, quando começará o destronamento do “Deus de cada país e a proclamação da Única e Universal Divindade”, é justo dizer-se que se a religião em determinados períodos históricos serviu de armadura protectora para o ser humano em sua evolução, também é justo dizer-se que foi a pior capa, pois bitolou, dogmatizou a alma humana, impedindo o desenvolvimento mental da Humanidade. Contra essa capa de hipocrisia, tecida pela mão velhaca dos falsos sacerdotes, ávidos de domínio e poderio, muitos dos quais na época actual fizeram do sacerdócio um emprego, os grandes pensadores sempre lutaram, opondo-se aos supostos demónios.

Todas as religiões exotéricas deturparam a Verdade Primitiva que foi ensinada por todos os Avataras cíclicos que, diga-se de passagem, nenhum deles fundou religião alguma. “Todas elas foram fundadas pelo interesse mercantil dos seus falsos sacerdotes”. Queremos com isto dar uma conceituação exacta, correcta e nítida a respeito do Grande Espírito de Luz.

Mas o sistema cristão não é o único a ter degradado esses Deuses em Demónios (os Suras ou Deuses em Assuras ou não-Deuses). O Zoroastrismo e ainda o Brahmanismo aproveitaram-se disso para impor-se à mente do povo e escravizá-la. O que Jeoshua falava às mentes e aos corações dos convertidos à antiga Religião-Sabedoria – que outra não é senão a sempre eterna e renovadora Ciência Esotérica – apresentada com nova forma pelo respectivo Avatara, tais ensinamentos por ele transmitidos acabaram sendo desfigurados a ponto de hoje não serem reconhecíveis, do mesmo modo que a sua própria personalidade, estruturados para serem amoldados ao mais cruel e pernicioso dos dogmas teológicos. O próprio Apocalipse (12:7-9), no trecho que já descrito a respeito de Satan, não é explícito, e a simplicidade da narração não nos parece clara como deveria ser. Senão, vejamos:

a) Por que razão o Arcanjo Miguel ou Mikael, juntamente com os seus Anjos, usaram a força para derrotar o Diabo?

b) Será que Deus, que é Omnipresente, Omnisciente e Omnipotente, não poderia ter evitado a luta e com um só gesto da sua Vontade ter afastado o Rebelde?

c) Se Deus é Omnisciente, sabia que o epílogo da batalha lhe seria favorável; e se não sabia, o que teria ocorrido se as Milícias de Lúcifer vencessem as de Mikael?

d) A maioria das tradições afirma que Lúcifer foi precipitado no Abismo, nas Trevas, que posteriormente se denominou de Inferno. No entanto, o Apocalipse afirma o contrário, isto é, que o Diabo, o Dragão, juntamente com os seus seguidores, foi precipitado sobre a Terra. É justo relacionar a Terra, onde Satan é o príncipe, com o Inferno?

Essas perguntas poderão ser respondidas quando dissertarmos a respeito de


LÚCIFER À LUZ DA SABEDORIA INICIÁTICA DAS IDADES


Na sua maravilhosa obra A Doutrina Secreta, diz a Mestra Helena Petrovna Blavatsky: “Ou aceitamos a emanação do Bem e do Mal, como ramos do mesmo tronco da Árvore da Existência, ou teremos que nos resignar ao absurdo de CRER em dois ABSOLUTOS ETERNOS”. Para que possamos tentar interpretar tão sábios ensinamentos, teremos que lançar mãos de dois ramos da Ciência Esotérica, ou sejam, a COSMOGÉNESE – Origem dos Cosmos – e a ANTROPOGÉNESE – Origem do Homem – como ciências que, acreditamos, serão ensinadas nas universidades do Futuro, porque somente através delas, pelo menos de maneira geral, poderá saber quem foi, de onde veio e para onde vai.

Suponhamos que houvesse um desequilíbrio na correlação das forças cósmicas, um desequilíbrio na mecânica celeste, e que esse desequilíbrio provocasse uma catástrofe cósmica que fizesse desaparecer a Terra, a Lua, o Sol, as estrelas, os cometas, a poeira sideral, o som, a vibração, a luz, enfim, desaparecesse tudo, absolutamente tudo. Ficaria o quê? Nada ou a Não Existência. A esta Não Existência é que Moisés, usando o linguajar da época, chamou de “Águas do Abismo”, e actualmente a Sabedoria Iniciática das Idades denomina de Substância Primordial. Este Substância é alguma coisa, porém, na actual etapa evolutiva é incompreensível, mesmo para o ser humano considerado sábio. Todavia, a Ciência Esotérica ensina que inerentes a essa Não Existência ou Substância Primordial sub-existem três Leis fundamentais, ou sejam: LEI CÍCLICA, LEI DA POLARIDADE, LEI DA EVOLUÇÃO. Portanto, obedecendo à LEI CÍCLICA, a Não Existência passa a ser Existência, o não Ser passa a Ser. Usando a linguagem do Dr. A. Kinsford: “A Eternidade produziu o Tempo; o ILIMITADO deu nascimento ao LIMITADO”.

Neste ponto, todas as grandes religiões são unânimes ao afirmar que quando esse Algo surgiu, do ILIMITADO para o LIMITADO, fê-lo de forma Trina. É OSÍRIS, HÓRUS E ÍSIS para os egípcios; BRAHMA, VISHNU E SHIVA para os hindus; PAI, FILHO E ESPÍRITO SANTO para os cristãos; PACHACAMAC, VIRACOCHA E INTI para os incas; o SUPREMO ARQUITECTO para os maçons; o SAGRADO PELICANO para os rosacruzes; o LOGOS para os gregos, enfim, é DEUS no seu Aspecto Cósmico.

Diz a Tradição Oculta que do Uno-Trino surgiram os Sete Auto-Gerados, que são Sete Consciências Cósmicas que vão criar os Mundos, os seres, as coisas, as multidões. Cada uma dessas Consciências cria o seu próprio Mundo e nele se infunde; isto é, o DEUS MANIFESTADO na Natureza como VIDA-ENERGIA da respectiva CADEIA. Quando isso ocorre, quando o ARCANJO está manifestado, constituindo o próprio Corpo da Cadeia em evolução, é sempre orientado espiritualmente pelo ARCANJO que vem a seguir, na escala cronológica de Um a Sete, com excepção da primeira Cadeia que foi orientada pelo próprio SUPREMO ARQUITECTO. Daí a Tradição dizer que a primeira Cadeia é filha das Trevas ou das Noites de Brahma. Por exemplo, a primeira Cadeia foi orientada pelo Supremo Arquitecto norteando o 1.º Arcanjo; a segunda Cadeia foi orientada pelo 2.º Arcanjo norteado pelo 3.º Arcanjo; a terceira Cadeia foi dirigida pelo 3.º Arcanjo norteado pelo 4.º Arcanjo. A quarta Cadeia deveria ter o 4.º a ser dirigido pelo 5.º, o que não ocorreu (daí a origem de todos os mistérios relacionados com Lúcifer). A quinta Cadeia pelo 6.º, a sexta Cadeia pelo 7.º e a sétima Cadeia pelo Supremo Arquitecto, DEUS. É a Manifestação voltando à sua Origem, ou a serpente mordendo a própria cauda na simbologia tradicional.

Devido às grandes dificuldades encontradas pelo 4.º Arcanjo junto do Dirigente Espiritual da 3.ª Cadeia, a imediata Cadeia Terrestre iniciou a sua evolução precocemente com bastante deficiência evolucional, razão pela qual na presente 4.ª Ronda da referida Cadeia as duas primeiras Raças-Mães – POLAR e HIPERBÓREA – não tiveram desenvolvimento do estado de consciência, apenas se transformaram.

Como poderia, então, o Portador da Luz, o Senhor da Inteligência, do Mental, encarnar juntamente com os seus Anjos nessas formas primitivas, as quais não correspondiam ao seu estado de Consciência? Aí está a razão da revolta, da batalha travada nos céus e da posterior queda dos Anjos de que nos falam as tradições religiosas, as quais, diga-se de passagem, são muito mal interpretadas. Mas nos meados da terceira Raça-Mãe LEMURIANA, quando a Onda de Vida que alimenta a Cadeia Terrestre chegou ao máximo de densificação, houve necessidade que o pólo espiritual se manifestasse em toda a sua potência, o que ocorreu com a vinda para a Terra dos 6.º e 7.º Arcanjos, e que forçou a descida do 5.º, após a batalha travada com o ARCANJO MIKAEL, o que levou milhões de anos depois o Avatara de Piscis a dizer: “Vi Satan cair do Céu como um Raio”.

Com a vinda das já citadas Consciências Cósmicas para o Globo Terrestre, ocorreram grandes modificações que vieram a beneficiar a nascente Humanidade. A sua consciência, que estava focada no sistema neurovegetativo, passou a desenvolver-se juntamente com o cérebro-espinhal para o desenvolvimento do Mental, que é a tónica do Divino Rebelde. Sabemos que a polaridade existe em toda a Natureza, no entanto era necessário que essa polaridade se fizesse consciente no aspecto humano para o pleno desenvolvimento do Mental Concreto, porque só neste estado de consciência é que se concebe o que seja Bem e o que seja Mal. A polaridade foi firmada, ficando o pólo positivo da Evolução com o 6.º Arcanjo e o pólo negativo com o 5.º Arcanjo – Lúcifer – e que deveria durar até ao pleno desenvolvimento do Mental Concreto. Lúcifer e o seu Irmão, o 6.º Arcanjo, passaram a ser os dois pólos através dos quais girou toda a evolução da criatura humana. “Sem a actuação desses dois pólos o ser humano seria um simples autómato estático, mas não um realizador dinâmico do seu destino”. Enquanto o pólo positivo, através dos seus Avataras, lançava as directrizes evolucionais de acordo com as necessidades cíclicas, inspirando, orientando e amparando as humanas criaturas pela tortuosa vereda evolucional, o pólo negativo, Lúcifer, através da tentação e do poder obstaculizante, tentava o ser humano em evolução, a fim de despertar-lhe a força de vontade, a persistência, a atenção, para poder alcançar admiravelmente a evolução espiritual.

“A história da tentação no Paraíso contada pela Bíblia mostra o efeito da entrada do princípio Lúcifer, quando expõe simbolicamente como, por meio da tentação, foram postas à prova a força e a persistência do par humano. Os que não venceram tal princípio, o da tentação, e que ficaram à margem da Evolução, somente eles é que apresentam os efeitos do referido princípio com as características da vulgaridade e da infâmia, fazendo com que o Divino Rebelde veja nessas criaturas apenas seres que merecem exclusivamente a destruição, e não o amor e o cuidado”, teve ocasião de dizer um Membro da Fraternidade Branca, acrescentando: “Tenho horror a tudo que seja corriqueiro e vulgar”. O atrito entre esses dois pólos – positivo e negativo – actuando na alma humana, criando a harmonia dos opostos, e que veio a ser a causa do desenvolvimento Mental Concreto das criaturas humanas, foi sempre uma realização paradoxal, realizada pela luta evolucional travada entre Lúcifer e o seu Irmão, o 6.º Arcanjo, no campo de batalha da Humanidade.

Disse o Excelso Mestre Henrique José de Souza: “O Mal perseguindo o Bem, ambas caminham para a Neutralidade”. Portanto, a consciência do Bem e do Mal existentes na consciência humana, faz parte do plano evolucional, muito embora a prática do Bem proporcione felicidade, enquanto a prática do Mal proporcione infelicidade, mas servindo como experiência, embora dolorosa, para o Espírito Humano em evolução, porque é entre altos e baixos, entre luzes e trevas, que a Lei Evolucional se faz sentir.

Conforme dizem algumas tradições, o Divino Rebelde, Lúcifer, foi investido pelo próprio LOGOS-DEUS da dolorosa e incompreendida Missão de testar o ser humano, criar obstáculos evolucionais, a fim de que o mesmo ser humano pudesse distinguir o Bem do Mal, e com isso ganhar o desenvolvimento do estado de consciência Mental Concreto. Os meios usados pelo Divino Rebelde, para dar cumprimento à sua Missão, são assuntos que dizem respeito à Consciência Cósmica e jamais poderão ser entendidos por uma vulgar consciência humana. O desenvolvimento do Mental Concreto começou muito antes da catástrofe atlante, desenvolveu-se em todo o desenrolar da presente quinta Raça-Mãe ARIANA, onde teve papel preponderante a dinâmica do ARCANJO REBELDE, e está chegando ao seu final.

Desde o Julgamento Cíclico de 1956, a Humanidade absolvida no referido Julgamento, ainda que inconsciente, está ansiosa pela construção de um mundo melhor, mundo sem violência, sem crimes, sem miséria, sem desonestidade, sem corrupção, sem desamor. Com o advento da Civilização Aquariana e o desenvolvimento do MENTAL ABSTRACTO, o conceito de Bem e Mal, que até então serviu de mola propulsora para o desenvolvimento do Mental Concreto, deixará de existir e a polaridade cósmica no aspecto humano, que foi firmada pela influência dos 5.º e 6.º ARCANJOS, a qual formou a consciência humana, estará equilibrada e o ARCANJO REBELDE terá cumprido a sua Missão, quando, simbólica e realmente, os Dois Irmãos estarão bebendo na mesma Taça.


FINAL


Para finalizar, os Tempos esperados são chegados! Por isto, dizemos: dia virá em que a Humanidade inteira reconhecerá que se não houvesse o poder obstaculizante ela, Humanidade, jamais chegaria ao ponto em que chegou.

Pretendemos, com os esclarecimentos que foram oferecidos, termos feito um acto de suma justiça, libertando os seres humanos do DIABO, ao mesmo tempo que livramos LÚCIFER da ignorância humana.

Um estudo misterioso sobre Vayu

 


Vayu sustém os constituintes do corpo (sangue, músculos, gordura etc.) e corre através dele. É de forma quíntupla.

É a causa determinante dos movimentos de diferentes classes. Afasta a mente do não desejável e concentra-se sobre o desejável. Concorre para que os DEZ SENTIDOS de conhecimento e de acção cumpram as suas funções próprias. Leva à mente os objectos que entraram em contacto com os sentidos. Mantém unidos os elementos do corpo e é a força coesa das suas partículas. É a causa da VOZ. É a causa primária do TACTO e do SOM (audição) e a raiz do OLFACTO. É a origem da ALEGRIA ou contentamento. Excita o calor. Arrasta todos os humores e impurezas. Penetra através de todos os condutos do corpo, grossos e finos. Dá forma ao embrião na matriz. Dá evidência à existência da vida. O Vayu não excitado realiza todas essas funções. Quando excitado no corpo, aflige-o com diversas moléstias. Destrói a força, a complexão, a felicidade e os períodos da vida. Agita a mente. Destrói todos os sentidos.

Os humores do sistema (VAYU, BÍLIS e FLEUMA) têm três classes de coisas:

1.ª – podem ser atenuados, normais ou excitados;

2.ª – correr para cima, para baixo ou diagonalmente;

3.ª – viajar pelo estômago e condutos referentes, ou pelas partes vitais e articulações. Se se encontram normais, não existe enfermidade; porém, se anormais manifesta-se a enfermidade. Geralmente, é o ALIMENTO USADO EM EX-CESSO que gera a doença. “Quem muito come – diz o velho provérbio – pouco vive”.

A alimentação deve estar em harmonia com as diferentes estações e constituições, mentais e físicas. O alimento para uma época ou pessoa, não é para outra pessoa e tempo.

Um linfático necessita de carne, o mesmo não acontece com um sanguíneo. No Verão, abusar da carne é suicidar-se lentamente. No Inverno, ela aumenta as calorias. O regime frugal é o melhor, isto é, comer pouco mas coisa que de facto alimente o organismo.

Para crianças, logo acabado o período da amamentação, recomenda-se o regime frugívoro, que é o puramente humano. O próprio animal, que é a “degenerescência do Homem no final da 3.ª Raça-Mãe, o SÍMIO”, só se alimenta de frutas. O mesmo não pode mais fazer a criança que já passou dos 7 anos alimentando-se de carne, a menos que o faça vagarosamente, passando de um regime para outro paulatinamente. Um linfático, este não mais pode alimentar-se pelo regime vegetariano, quanto mais o frugívoro! O sanguíneo pode fazê-lo imediatamente, pois só terá a lucrar com isso, principalmente se for um hipertenso.

Quando o fleuma muda de condição normal, converte-se nas impurezas que se evacuam pelo sistema (feridas, etc.). Quando se altera a condição normal, converte-se em várias fontes de doenças. Todos os actos e funções são devidos a Vayu, que foi chamado à vida das criaturas. Através do mesmo, todas as enfermidades têm sua origem e as criaturas se destroem ou aniquilam.

A digestão produz-se pelo calor da bílis; quando esta se excita, produz toda classe de desordem.

Um organismo fraco ou anemiado começa desde logo a dar indícios pela frialdade dos pés e das mãos (as extremidades do corpo). O corpo é como uma caldeira. Sem calor não funciona. No entanto, pés quentes… cabeça fria… Daí a exigência: DORMIR COM A CABEÇA PARA O NORTE, que é a região fria ou polar. E os pés (já se vê) para o Sul, como região quente (embora fria por ser polar). O primeiro alimenta o segundo. Vayu corre no corpo para que este se mantenha vivo ou aquecido. É comum dizer-se: o Fogo está VIVO; brasas vivas ou acesas, etc.

Vemos, portanto, que dos três a causa primária é o humor chamado VAYU. Como tornar à normalidade o estado anormal desses três humores? Administrando alimentos e medicamentos de condições opostas à causa que produziu tais anormalidades, ou antes, anomalias! VAYU, que pode ser seco, frio, ligeiro, subtil, instável, claro e azedo, se normaliza por meio de coisas que possuam qualidades contrárias. A BÍLIS, que pode ser quente, fria, fina, ácida, líquida e AMARGA, normaliza-se por meio de coisas contrárias. Peso, frieza, ligeireza, aquosidade, estabilidade, debilidade e doçura, qualidades de FLEUMA, normalizam-se com substâncias contrárias. O doce, o acre e o salgado reprimem a VAYU. O adstringente, o doce e o amargo, à FLEUMA. Sendo as enfermidades geradas por esses três elementos, individualmente ou em combinação, prescrevem-se medicinas e dietas apropriadas para criar atributos contrários à anormalidade gerada.

Existe outro processo de cura. Cada enfermidade possui o seu DEVATA próprio… ou inteligência. Daí o que se tem como charlatanismo: rezar a erisipela, por exemplo; do mesmo modo, o cobreiro e assim por diante. Não é propriamente o valor da prece, mas o magnetismo do operador e a fé ou confiança do paciente (sugestão, diriam outros).

No Tibete e na Mongólia, tal tratamento é feito por meio de mantrans ou dharanis apropriados a cada moléstia, senão, de vibrações desarmónicas com tais devatas; por isso mesmo, obrigando-os a deixar o lugar e, muitas vezes, a irem morrer aos poucos por falta de “vitalidade”, tal como acontece nos sertões brasileiros, com a “reza das bicheiras do gado”, etc.

Segundo o Hinduísmo, não há vida sem forma, nem forma sem vida; não há espírito sem matéria, nem matéria sem espírito. Cada humor, portanto, tem o seu próprio devata, e para curá-lo, ou melhor, os seus desarranjos, basta que se cure por sistemas terapêuticos fundados sobre actos relativos às deidades e à razão. Esta era a Medicina do Grande PARACELSO!

Quando o elemento OJAS (FORÇA) atenua, o paciente apresenta febres inexplicáveis, debilidade, tendência a pensamentos de ansiedade e desânimo. Sente grande secura, e a languidez que experimenta é tal que o menor exercício lhe causa fadiga.

Reside no coração certa quantidade de sangue puro, ligeiramente amarelado. Tal sangue no corpo se chama OJAS. A sua atenuação ou perda pode chegar a produzir a morte.

O que se chama OJAS aparece a princípio nos corpos das crianças, dotado de cor de manteiga clarificada. O seu gosto é parecido ao mel. O seu cheiro ao de arroz fermentado. Assim como o mel é feito pelas abelhas, extraindo-o das diversas espécies de flores e frutos, assim o OJAS dos homens é reunido por VAYU, BÍLIS e FLEUMA dos vários elementos referidos.

Com o coração se relacionam dez grandes CONDUTOS, que produzem poderosos resultados. MAHAT e ARTHA dizem ser sinónimos de coração para o SÁBIO. O corpo, com os seus seis membros, a inteligência, sentidos, cinco objectos dos sentidos, a alma com os seus atributos, a mente e os pensamentos, tudo se acha estabelecido no coração. Sendo o coração o escrínio desses objectos aí existentes, logo é ele considerado pelas pessoas que especulam a respeito do sentido das coisas, como o ápice do organismo humano.

O coração é a sede do OJAS mais perfeito, como é a sede do Supremo Brahma. Por tais razões, o coração é chamado de MAHAT e ARTHA. Sendo o coração a raiz dos dez grandes condutos ou canais, estes são considerados como as DEZ GRANDES RAIZES. Elas tomam o OJAS e fazem-no correr por todo o corpo. Todas as pessoas vivificadas por OJAS são activas. Sem ele a vida se extingue.

Pelo que se vê, OJAS é um fluído tal como o sangue. A questão está em discernir se se trata de um fluído físico ou etérico. Eu me inclino pelo último – abusando do termo e da forma dual das coisas – como o espírito do sangue. Se se tratasse de sangue físico, haveria algo de semelhante na moderna fisiologia… e tal não acontece. Ele acha-se localizado no coração e é quem alimenta e destrói a vida: alimenta com a presença e destrói com a ausência. As lesões cardíacas de natureza simples produzem perda de consciência, e as graves a morte. OJAS joga um papel importante na constituição humana. Se uma pessoa quer preservá-lo, PRECISA LIBERTAR-SE DOS TORMENTOS MENTAIS que retêm OJAS no coração. Daí a necessidade de que todo o homem seja calmo!

Tal OJAS, que é a fonte de tudo quanto é facultado ao coração por VAYU, BÍLIS e FLEUMA através do sangue, passa do coração a todos os outros lugares pelos condutos (nadhis) de que o corpo se compõe, em todas as direcções e desempenhando diversos papéis. Tais condutos ou nadhis, são os que conduzem os ingredientes do corpo de um lado para outro durante o processo do seu desenvolvimento ou transformação.

A mente, os sentidos etc., localizam-se no coração. Como vem a ser tal coisa? Para compreendê-lo, temos que nos aprofundar na constituição do Homem. Sabemos que este possui três Corpos: grosseiro ou Físico, subtil ou Psíquico e causal ou Espiritual. Isto é, CAUSADO ou tecido pelo ESPÍRITO UNIVERSAL, o que implica em ser tal CORPO uma sombra espiritual da verdadeira LUZ ESPIRITUAL, uma Partícula (ou Mónada) do GRANDE TODO!

E é por isso que nos dois primeiros Corpos se acham os sentidos, e estes quando continuam sempre da mesma natureza o terceiro Corpo não se manifesta, isto é, o Homem não se apercebe dele, necessitando de várias encarnações até descobri-lo. É o facto do equilíbrio das TRÊS GUNAS: SATWA, RAJAS e TAMAS.

Como essas três qualidades de matéria estejam ligadas entre si, assim o estão os três Corpos no Homem! Pô-los em equilíbrio… é formar o Homem Perfeito. É por isso que o Corpo CAUSAL tem esse nome, por ser “a Causa dos outros Corpos… e em si mesmo… o reflexo da “CAUSA DAS CAUSAS”. É necessário que na “Causa se encontre o Efeito”, embora em forma latente.

As obras esotéricas assinalam o CORPO CAUSAL NA FORMA DE OVO ÁURICO. Nos livros hindus, diz-se que é ele um corpo de inconsciência que funciona no alto transe. O que até certo ponto é lógico, porque ele só pode ter consciência ligado aos dois outros que lhe ficam imediatamente abaixo. Isolado, impossível possuir consciência.

Nos Upanishads, encontramos o Corpo Causal localizado no coração com diferentes pórticos, que é o próprio Homem quem lh’os dá… e onde se acham colocados os elementos restantes dos corpos menos elevados…

Por conseguinte, no centro do coração é onde se concentram todas as energias do alto transe. É nele onde residem os “Oito Poderes do Yogui”, e quando o homem tem que despertar tal estado o OJAS do coração é obrigado a correr pelos diferentes condutos, para dar forças ao corpo subtil e depois ao físico. Facto esse ligado ao dos CHAKRAS, que recebem de cada Plano e até de cada corpo a vitalidade necessária, o que implica que a matéria mais subtil é quem vasa, ou antes, anima a matéria imediatamente menos subtil.

Tudo isso confirma esta nossa revelação dos ADORMECIDOS, principalmente quando se diz: “E quando o homem tem que despertar de tal estado o OJAS do coração é forçado a correr pelos diferentes condutos”. Tal estado de transe, ou o que adormece o homem, deixando-lhe apenas a vida no “coração”… assemelha-se com o que se passa do seio da Terra… onde é possível dormir-se o “SONO DAS SETE ETERNIDADES”. Porém, com muito mais propriedade, onde a morte é apenas aparente: igual à da construção cósmica, que desperta nos grandes movimentos sísmicos… porquanto dizer-se Ônfalo ou Umbigo da Terra também poderia ser o seu CORAÇÃO, pois é onde pulsa o de todo o Universo… o do “transe de Brahma” no seu 8.º Dia de Criação, afora o ÚLTIMO (o 9.º) que é o da Ressurreição. Os faquires indianos enterram-se em estado cataléptico, porém, não o fazem fora da terra. O mistério está no próprio calor do “Coração do Mundo”.

Contam-se vários casos dos que habitam nas entranhas da Terra, sob uma pressão calorífica impossível de ser suportada por outros seres. No Tibete o facto é mais do que clássico. No Norte brasileiro, há uma tribo misteriosa de índios que entram e saem de verdadeiras “crateras vulcânicas”…


Mavalankar nas escrituras Teosóficas

 


O nome ou sobrenome Mavalankar tem dado origem a discussões infrutíferas acerca da verdadeira identidade de Damodar Karhâda Mavalankar, confundido com Djwal Khul Mavalankar ou de Mavalankar, dito Mestre Tibetano. Será que um é o outro ou será que, por má interpretação das informações disponíveis, confundiu-se um com o outro? Ou será ainda que, atendendo ao constante nas Cartas dos Mahatmas endereçadas a Helena Petrovna Blavatsky e os seus pares da época (Henry Steel Olcott, Alfred Percy Sinnett, William Judge e uns poucos mais), é exactamente por esse pormenor que finalmente se pode provar a falsidade dessas cartas e que afinal os ditos Mahatmas ou são tão falíveis como qualquer mortal, ou simplesmente não passam de uma gigantesca invenção, monstruosa impostura da mesma Blavatsky? É nisto que crêem os cépticos da Teosofia de todos as crenças positivistas e religiosas, todos unidos como inimigos declarados da mesma Mestra, sempre à cata de pormenores somenos onde a possam flagrar em contradição e mentira.

Déjà vu… sim, porque algo semelhante encontrei na Sociedade Teosófica de Adyar em Portugal, quando cheguei a ela no início dos anos 80 do século findado, onde o colectivo do Ramo Alvorada andava acalorado de “candeias às avessas” sem se entender acerca da Lei do Karma, se este provoca ou não dor física e moral e se alguém pode ter uma vida inteiramente isenta de dor? Discussões inúteis, infrutíferas às quais fui respondendo conforme sabia: só um Budha está além da Dor, mas nem um Bodhisattva escapa a ela, desde que voluntariamente se sujeita à mesma, quanto mais o Jiva, simples “Vida-Energia” individualizada encadeada pela Lei de Causa-Efeito ao Ciclo ou Roda dos Renascimentos. Depois disso as controvérsias amainaram e, aos poucos, foi se regressando ao miolo, invés de catar as possíveis fissuras da casca. A ver com isso, também agora aqui entra o sobrenome Mavalankar, sobre o qual direi algumas palavras.

Primeiro que tudo: não discuto a Palavra dos Mestres de Sabedoria nem me atrevo a pô-la em causa, acredito neles como a principal razão da minha vida, provas pessoais não me faltam mas ficam só para mim que são minhas, e com isso sei que uma aparente incongruência ou um talvez equívoco da parte dos Mestres afinal seja o meu equívoco, a minha incongruência. O que parece pode não ser, e o que pode ser pode não parecer. Razão para Helena Petrovna Blavatsky afirmar aos do Círculo Interno da Sociedade Teosófica fundado por ela e Henry Olcott em moldes budistas (dogma) e maçónicos (ritual): “Por mais absurda que vos pareça uma ordem dos Mestres, não hesiteis em cumpri-la!” No mesmo sentido, isso reafir-mou o Professor Henrique José de Souza, sobretudo durante o período de 1924-1928, quando dirigiu Dhâranâ – Sociedade Mental-Espiritualista em Niterói, Brasil. Nunca o discípulo, ou tão-só o candi-dato a tal, de sentidos limitados, poderá perceber as intenções animando o pensamento superior de um Adepto Independente cujas alturíssimas mentais e tirocínio certeiro estão sempre muito além do imediatismo dos factos aparentes, indo prever os lances do futuro conformando a eles o presente.

Pois bem, Damodar Karhâda (Karada) Mavalankar nasceu em Setembro de 1857 em Ahmedabad, no Gujarat indiano, numa família rica de casta hindu superior, brahmane. Sobre a sua morte, a última notícia que se sabe dele é ter partido para os Himalaias em 1885 em busca dos Mestres de Sabedoria, desaparecendo para sempre nas entranhas do mistério. Em 1879 conheceu Helena Petrovna Blavatsky (Dnipro, Ucrânia, 12 de Agosto de 1831 – Londres, Inglaterra, 8 de Maio de 1891) e Henry Steel Olcott (Orange, New Jersey, E.U.A., 2 de Agosto de 1832 – Adyar, Madras, Índia, 17 de Fevereiro de 1907)  em Bombaim, e ficou de tal modo fascinado pelos ensinamentos teosóficos que se afiliou à Sociedade Teosófica, desistindo da sua casta em 1880, abraçando o Budismo quando estava no Sri Lanka junto com o casal fundador da S. T. Essas suas atitudes e cortes radicais com a ortodoxia hindu da família geraram conflito insanável com ela, sobretudo com o seu avô, o seu pai e o seu sogro, este que já adiantara uma renda de 50.000 rupias como dote de casamento (combinado entre os progenitores masculinos) dele com a sua filha ainda de tenra idade. Damodar desistiu da herança, da segurança familiar e acabou deserdado, indo viver e trabalhar definitivamente com os fundadores da S. T., até ao momento de partir para o Tibete onde desapareceu misteriosamente (in Henry S. Olcott, Folhas de um Velho Diário – História Autêntica da Sociedade Teosófica, vol. II, 1900).

O episódio da deserdação familiar aparece igualmente num outro personagem que alguns confundem com Damodar, ao ponto dos Adeptos também o apodarem, nas suas cartas escritas em inglês, The Disinherited, “O Deserdado”. Refiro-me a Djwal Khul, dito o Tibetano. O Mahatma Koot Hoomi Lal Sing, brahmane de Cachemira, escreveu na Carta nº VIII datada de cerca de 20 de Fevereiro de 1881, recebida por Madame Blavatsky mas endereçada a Douglas Hume, que viria a preterir a Teosofia pelo mediunismo espiritista: “E agora, passemos a assuntos mais importantes. O tempo é precioso e os materiais (de que me sirvo para escrever) ainda mais. Sendo agora a “precipitação” proibida no que lhe respeita, a falta de tinta e papel não tem mais hipóteses de ser superada por tamasha, e estando muito longe de minha residência, em lugar onde uma papelaria é menos necessária que o ar respirável, a nossa correspondência ameaça cessar bruscamente, a menos que utilize judiciosamente a reserva que disponho. Um amigo prometeu fornecer-me, em caso de grande necessidade, algumas folhas separadas, relíquias do testamento de seu avô, no qual este o deserdou, fazendo assim a sua “fortuna”. Mas como nunca escreveu uma linha, salvo uma vez, declarou ele, nestes últimos onze anos…” o que não confere com Damodar e sim com Djwal Khul, que nessa mesma carta escreve uma curta nota assinando o Deserdado. Por seu turno, Damodar mantinha uma relação epistolar intensa com William Q. Judge, de que transcrevo trecho da carta sua endereçada a este, com a data de 24 de Janeiro de 1880, descrevendo a sua apreciação de H. P. Blavatsky e a sua deslocação em corpo astral ao interior do Templo de seu Mestre:

“Sei que Madame Blavatsky, que eu venero como minha Guru, estimo como minha benfeitora e amo mais que uma mãe, e outros cuja simples recordação dá ao meu coração uma emoção que me faz tremer de veneração, faz-me favores de que não tenho o menor merecimento… Cerca de um mês depois de eu aderir à Sociedade, ouvi uma voz interior que me sussurrava que Madame Blavatsky não é o que descrevem ser… Eu penso que seja algum grande Adepto indiano que tomou essa forma ilusória.


Damodar Mavalankar e Helena Blavatsky

“O Irmão ∴ ordenou-me que o seguisse. Após uma curta distância de meia milha, nós entrámos por uma passagem subterrânea natural que fica sob o Himalaia. O caminho é muito perigoso. Há um caminho natural que discorre por baixo do Rio Indo com toda a sua fúria. Somente uma pessoa de cada vez pode passar por ele, e um passo em falso marca o destino do viajante. Acima do caminho há vários vales a serem cruzados. Depois de andar uma distância considerável por esta passagem subterrânea, surge uma planície aberta em L—K. Há aí uma grande construção maciça com milhares de anos. Em frente dela um enorme Tau egípcio. O edifício apoia-se em sete grandes pilares com forma de pirâmides. A porta de entrada tem um grande arco triangular. No interior há vários compartimentos. O edifício é tão grande que eu penso que possa conter 20.000 pessoas. Foram-me mostrados alguns dos compartimentos. Este é a principal localização central, onde todos os da nossa secção que foram preparados para a Iniciação nos Mistérios têm de ir para a cerimónia final, e ali permanecer durante o período requerido para isso. Eu entrei com o meu Guru no enorme salão. A grandiosidade e a serenidade do lugar é a bastante para impressionar alguém, impondo-lhe respeito. A beleza do Altar que está na parte central e no qual cada candidato toma os seus votos no momento da sua Iniciação, certamente deslumbra o mais brilhante dos olhares. O esplendor do Trono do Senhor é incomparável. Todas as coisas estão estabelecidas no princípio geométrico e apresentam-se vários símbolos, que são explicados somente aos Iniciados. Mas não posso falar mais, agora que eu fiquei com a obrigação de Segredo que ∴ me fez tomar.”

Damodar voltava frequentemente ao assunto dos Adeptos, “porque é o único assunto em que estou interessado”, discorrendo longamente sobre eles mas sem admitir entusiasmos que o colo-cassem fora da sua discrição e devoção natural. Ainda em carta a W. Judge, conta a visita que lhe fez o seu Mestre em Maio de 1880, quando estava no Ceilão em companhia de Blavatsky e Olcott, tendo se instalado numa pousada onde havia lugar apenas para duas pessoas, tendo ele ficado na poltrona da sala de jantar. Mal se acomodara, ouviu uma batida leve na porta:

“Eu abri-a, e que grande alegria senti quando vi ∴ novamente! Num sussurro muito baixo, ele ordenou-me que me vestisse e o seguisse. Defronte à porta dos fundos da pousada está o mar. Eu segui-o, como me ordenou. Ele levou-me pela porta dos fundos da residência e andámos cerca de três quartos de hora pela beira do mar. Então nos dirigimos em direcção ao mar.

“Tudo à volta era água, mas por onde caminhávamos estava bem seco. Ele caminhava na frente e eu seguia-o. Assim andámos cerca de sete minutos, quando chegámos a um local que parecia uma pequena ilha. (…) Lá, num pequeno jardim em frente, encontrámos um dos Irmãos sentado. Eu o havia visto antes na Sala do Conselho, e é a ele que esse lugar pertence. ∴ sentou-se próximo dele e eu fiquei em pé defronte deles. Estivemos lá cerca de meia hora. (…) O Mestre desse lugar, cujo nome não sei, colocou a sua abençoada mão sobre a minha cabeça, e ∴ e eu viemos embora. Regressámos até perto da pousada onde eu iria dormir, e de imediato ele desapareceu subitamente.”

Esse Mestre de Damodar era o próprio Koot Hoomi Lal Sing, o mesmo de Djwal Khul, como aparece descrito nas Cartas de H. P. Blavatsky a A. P. Sinnett e ainda no volume III das Folhas de um Velho Dário, de H. Olcott, que inclusive dá a descrição física de Djwal Khul acrescentando que não era tibetano e sim hindu (tibetano será mais por adopção do lugar onde viveu e não do país onde nasceu) como o seu Mestre:

“Depois de esperar um pouco, ouvimos e vimos um Hindu de estatura alta aproximando-se pelo lado da planície aberta. Chegou a uns quantos metros de nós e fez sinais a Damodar para ir até junto dele, o que ele fez. Disse-lhe que o Mestre se apresentaria dentro de poucos minutos e que tinha alguns assuntos a tratar com Damodar. Era um aluno do Mestre K. H. Finalmente vimos chegar o Mestre proveniente da mesma direcção, passando junto ao seu aluno que se havia retirado para pouca distância. (…) Mais tarde, antes de deitar-me, encontrava-me na minha tenda de campanha quando o aluno, antes mencionado, de K. H. levantando a cortina da porta fez-me sinais para que eu saísse da tenda, apontando com o dedo para o Mestre que encontrava do lado de fora, esperando por mim debaixo da luz das estrelas.”

Adiantando: “Já encontrei o artigo que a Sociedade Teosófica publicou na sua revista narrando esse encontro, e por duas vezes estipula que o discípulo que acompanhou o Mahatma Kuthumi era efectivamente Djwal Khul: “O Mestre estava sendo acompanhado em pessoa pelo Irmão Djwal Khul” (p. 22); “O mensageiro de que falam era Djwal Khul” (p. 30)”. – In revista The Theosophist, vol. V, n.º 351, 1883, artigo transcrito em The Blavatsky Collected Writings, vol. VI, p. 21, 1883-1885.

Tem-se, pois, Damodar Mavalankar e Djwal Khul como duas personalidades distintas discípulas de um mesmo Mestre. E duas personalidades distintas com dois factos iguais nas suas vidas, o de serem deserdados das respectivas famílias. Ambos da corte de Arhats do Budismo do Norte – Mahayana – que cerceou Upasika (H.P.B.), onde Djwal Khul apoiou o despertar na infância espiritual de Damodar Mavalankar, servindo-lhe assim como prolongamento do Mestre e como Mestre ou Tutor, no que se sabe que a vida do discípulo reproduz sempre, ao seu nível, os principais lances daquela corporal do Mestre. Esta poderá muito bem ser a explicação iniciática para o deserdo familiar sofrido por ambos. Sabe-se que o discípulo (chela) quando se idêntica ao Mestre (Guru) adopta tanto os seus hábitos como até os seus traços psicológicos e fisionómicos, sofrendo uma autêntica e radical transformação interior e exterior. É natural, pois, que ele venha a reproduzir nos lances de sua vida os principais daquela do Mestre.

Damodar esquissa os lances principais do verdadeiro Caminho da Iniciação onde é inevitável, em dado passo do mesmo, o discípulo encontrar o seu Mestre, numa carta de grande beleza e sabedoria endereçada a Josephine W. Cables com a data de 25 de Maio de 1884, que anos depois a publicaria na revista O Mundo Oculto (The Occult Word) da qual era editora:

“Querida Senhora e Irmã,

“Li cuidadosamente e com prazer a sua carta recebida faz dois dias. Deve-se compreender, desde o início, que os Mahatmas estão constante e incessantemente ocupados em ajudar no progresso evolutivo da Humanidade. Quanto mais alto se elevam, mais unidos estão ao que é mais permanente e mais omnipresente. Assim, num sentido, pode dizer-se que os verdadeiros Mahatmas estão em quase todas as partes, ainda que possam não estar conscientes de tudo. Porém, ao mesmo tempo, não podem evitar dirigir a sua atenção para onde a atracção magnética os leva; assim, ser notado por um Mahatma depende da própria pessoa. Devemos também lembrar que aquilo que somos é o resultado do que fomos, portanto, qualquer coisa que disfrutamos ou suframos é a retribuição justa que nos consignou a Lei do Karma, a qual nunca se engana. Para as nossas mentes ainda não desenvolvidas, os diversos sofrimentos poderão parecer actos injustos da Natureza, porém, não devemos esquecer que a Justiça é a Lei imutável e fundamental da Natureza, e qualquer resultado que possa parecer injusto será o resultado de alguma causa remota; ainda que a causa imediata e evidente pareça produzir um efeito injusto, ele está correcto na Natureza. Resta-nos produzir as causas das quais resultarão o nosso futuro melhor e assegurar o nosso futuro progresso, todavia não podemos alterar os efeitos de antigas causas. Claro que é possível que quando certas causas operam poderemos combinar com elas uma causa ou conjunto de causas para modificar o resultado, porém, não devemos esquecer ser impossível anular as causas já produzidas. Agora, se queremos nos elevar, devemos produzir as causas necessárias. Em primeiro lugar, sabermos que os estados superiores são cada vez mais omnipresentes. Portanto, o que devemos fazer primeiro é centrar o nosso Manas (o 5.º Princípio) naqueles elevados estados de Omnipresença, e isto só pode ser realizado desligando-nos dos desejos inferiores, etc., os quais nos encadeiam à nossa estreita personalidade, e transferir a nossa consciência ao Divino Atmã e seu veículo (6.º e 7.º Princípios) pelo incessante cultivo no nosso interior das mais altas aspirações.

“Claro que quanto mais êxito tivermos nessa empresa mais conhecimento obteremos, pois o sétimo Princípio é, em si mesmo, Conhecimento Absoluto, e vivendo nele, por assim dizer, vivemos no Conhecimento.

“Em segundo lugar, devemos saber que para propiciar a pureza de pensamento em nós mesmos devemos estar rodeados pelos pensamentos puros de outros. Portanto, quanto mais ajudemos a outros a ser puros por meio da educação, ensinando-lhes a Lei do Karma e da Evolução Cósmica, mais ajudaremos a nós mesmos, pois a pureza dos outros eleva a natureza objectiva que nos rodeia para um estado mais subjectivo, e essas correntes subjectivas reagem sobre nós mesmos ajudando-nos na nossa evolução superior. Por isto, é uma necessidade essencial o sentimento de inegoísta filantropia. Também a é o sentido de discernimento e um intelecto que possa entender correctamente o funcionamento da Lei do Karma ou de Causa e Efeito. Desta maneira, pode ver que não é necessária nenhuma interferência ou recomendação, e que o facto dos Mahatmas ajudarem a alguém é o resultado de uma atracção puramente psicológica – uma imutável Lei da Natureza que nada pode anular.

“Li com cuidado a nova revista que começou, e desejo-lhe êxito com a mesma. A Sociedade Teosófica proporciona a cada um os melhores meios para ajudar a Humanidade e assim ajudar-se a si mesmo, e qualquer que amplie inegoisticamente a sua esfera de utilidade não pode senão ser recompensado pelos Mahatmas e a Natureza.

“Saudações fraternais para todos os Irmãos e Irmãs.

“Sinceramente seu,

“Damodar K. Mavalankar”

Por fim, o sobrenome Mavalankar, tanto para Damodar que assina com o nome inteiro a Carta 142 b do Mestre K. H., que o incumbira de representá-lo, como para Djwal Khul, cujo nome aparece por inteiro na Carta n.º XXXVII, recebida em Allahabad em Janeiro de 1882, após assinar com o cognome “O Deserdado”: “Se deseja escrever-lhe, se bem que não possa escrever por si mesmo, o Mestre receberá com prazer as suas cartas (as de A. P. Sinnett). Pode fazê-lo por intermédio de D. K. Mavalankar”. Algumas outras cartas também são assim assinadas, como a Carta n.º CXXV, “Djwal Khul M. XXX”.




Além dos laços espirituais entre Damodar e Djwal, que poderá explicar a adopção do sobrenome familiar Mavalankar do primeiro pelo último, não fica nisso o significado mais importante do termo, e para entendê-lo no sentido iniciático devo recorrer aos comparativos filológicos sânscritos: tem-se Mava e Lankar presentes em Mavalankar, sendo que Mava deriva de Maula, provindo do radical Mûla, designativo de “Raça Pura”, Superior, Jina ou Jinashastra, moradora em Lankar ou Lanka, ilha do Ceilão que a Bhagavata Purana diz ser o primitivo cume do Monte Meru, a Montanha Primordial onde se formou a Raça dos Puros ou Bhante-Jauls, Irmãos de Pureza. Nisto, aparece Mauna, derivada de Muni, significando a “condição do Muni”, o Sábio, sendo que Mauna-Vrata é literalmente o “voto de silêncio do Muni”, enquanto Maunim é “o silencioso, o asceta ou retirado que pratica o silêncio”.

E retirado do palco do mundo profano foi Damodar Karhâda Mavalankar, místico abnegado da Causa dos Mestres de Sabedoria que desapareceu nas entranhas do Tibete, tal qual o explorador inglês Percy Fawcett desapareceu misteriosamente no sertão brasileiro em busca da Cidade dos Deuses, desaparecimentos que interrogam severos os conhecimentos humanos do Mundo que se crê de todo conhecido, e, mais que isso, garantindo que a Fraternidade dos Santos e Sábios existe, só faltando ao comum das gentes saber o caminho para ela, conquistando os méritos por seus próprios esforços a fim de alcançar diapasão igual ao do Eldorado, a Shangri-La dos mais doces e esperançosos sonhos da Humanidade.


sábado, 20 de março de 2021

Lúcifer Illuminatio

 


Em nome de Lúcifer, nós acendemos a Chama do altar na esperança de que nesta noite abençoada possamos receber a iluminação e a sabedoria provinda do Portador da Luz!

Laroyê Lúcifer! Lúcifer Illuminatio Mea!

Em nome de Vossa Santidade Maioral, pela glória dos Sete Reinos da Quimbanda, invoco a Luz de Nosso Todo Poderoso Senhor Lúcifer para fortalecer meu espírito e ampliar meus horizontes. Eu que sirvo à Quimbanda, clamo pela abertura dos Sete Portais Negros e que os mesmos me concedam as bênçãos necessárias para que eu possa avivar a fogueira adormecida nas profundezas da minha alma.

Sete Chaves Sagradas são invocadas para destrancarem minha mente e que os fluxos de Luz e Sabedoria possam percorrer e preencher meu ser imortal. Que todas as fraquezas sejam aniquiladas e todos os obstáculos que estorvam minha comunhão com Lúcifer sejam destruídos pelo Fogo Consumidor!

Senhor Lúcifer, conceda-nos Vossas bênçãos eternas!

Ó Orgulhoso Deus da Sabedoria Eterna, Vosso Trono e Vossos Mistérios são exaltados nesta hora! Volte vossos olhos de esmeralda para essa Alma sedenta e derrame o néctar que me iniciará nos mais profundos segredos sobre o conhecimento proibido! Clamo pelo Sagrado!

”Lúcifer, Ouyar, Chameron, Aliseon, Mandousin, Premy, Oriet, Naydru, Esmony, Eparinesont, Estiot, Dumosson, Danochar, Casmiel, Hayras, Fabelleronthu, Sodirno, Peatham!”

"Lúcifer Illuminatio Mea!"

Vos que elegeis os negros corações dignos e fortes para compor vossa armada, guia-me pelos sinuosos caminhos a fim de que meus trabalhos sejam exaltados ecoando e transcendendo todas as formas limitadoras. Que toda armada que se ajoelha em nome de Lúcifer fortaleça e proporcione forças para que eu possa edificar meus desejos, assim como Vós ensinastes!

Magnânimo e Belo Lúcifer, exalte Vossa essência e derrame Vossas bênçãos aos filhos da Quimbanda que creem que Vos seja a Verdadeira Luz de Maioral. Que meus Mestres Exu e Pombagira sejam portadores de Vossas fagulhas e sempre estejam fortalecidos para enfrentarem o embate e transmitirem a Sagrada Gnose.

Força, Glória, Verdade e Justiça de Lúcifer! Salve Lúcifer! Lúcifer Illuminatio Mea!

 “Laroyê Lúcifer! (7x)

A Corrente 49

Nesta página todas as pessoas, independente de credo, poderão encontrar textos, orações, evocações e invocações que foram construídas ao longo dos anos pela Corrente. Nosso intuito principal é mostrar que antes de montarmos as engrenagens do trabalho público (Quimbanda Brasileira) nos aprimoramos em variadas vertentes mágicas, construímos conexões capazes de nos ajudar compreender de forma mais aprimorada a ação dos espíritos, denominados como Poderosos Mortos, bem como da Fonte que os alimenta incessantemente - Maioral de Todos os Infernos.

Tudo que publicamos é fruto de nossa própria gnose. Obviamente que temos certas influências explicitas, mas isso não significa que as mesmas determinam como o trabalho é conduzido. Influencias são apenas caminhos traçados por outros grupos ou pessoas que nos servem como parâmetro. Atualmente a Corrente tem muitas influencias e os adeptos ativos buscam meios que os ajudem compreender determinadas ações, reflexos e consequências.

Quando usamos a palavra “Tradição” estamos mostrando que existem raízes mais profundas que deram início ao que somos hoje. Alguns de nós vivenciaram os Cultos Obscuros em fontes diversas e essas serviram como ‘marco inicial’ para a criação de uma nova egrégora. A Corrente L.T.J 49 nasceu como uma identidade espiritual de um grupo que amadurece continuadamente.

No começo de nosso trabalho enfrentamos barreiras, opositores, pessoas que nos julgaram por tentar mostrar que a Quimbanda poderia ser uma expressão religiosa evolutiva. Hoje, após anos de ‘batalhas’, conseguimos mostrar que o Culto de Exu é uma via ascensionista muito verdadeira e os opositores de outrora, de uma forma ou outra, acabaram sendo influenciados de alguma maneira. Sutilmente ou não, nossos discursos/imagens/meios de execução/pontos cantados estão inseridos muitos lugares. Para nós essa influência não gera orgulho ou satisfação, afinal, o trabalho que desenvolvemos é em honra aos espíritos formadores da Quimbanda Brasileira.

Para uma Corrente ser forte necessita de elos capacitados. Estar capacitado é ter condições, aptidões, conhecimento e reconhecimento espiritual para desenvolver rituais de maneira real e incisiva. Todo adepto 49 tem por obrigação buscar constantemente suas respostas. Um membro 49 não é obrigado a seguir tudo que a Corrente disponibiliza e pode sustentar seus pontos-de-vista livremente. O fundamental é a construção de um laço que envolva honra.

Como todo grupo espiritual passamos por diversas fases. Hoje, ao olharmos esses caminhos percebemos quão poderosa foi a influência de Exu e Pombagira para que enxergássemos os galhos que deveriam ser podados, bem como os frutos que já estavam aptos à colheita. Nem todos que participaram de uma dessas fases continuam conosco, mas se de alguma maneira os ajudamos caminhar pelas sendas espirituais, temos certeza que fizemos nosso trabalho corretamente.

A Corrente L.T.J 49 estimula seus adeptos completarem os ciclos de obrigações espirituais para continuar de alguma maneira expandindo-a. Não vemos a necessidade de termos grandes sedes, ao contrário, hoje concebemos que o trabalho interno (desenvolvimento e aprimoramento) deve ser realizado em locais mais intimistas. Isso estimula que os elos desenvolvam laços de irmandade, amizade e respeito. Já tivemos sedes grandes e não descartamos a ideia de em alguma data abrirmos esse trabalho, mas no atual momento, nossa meta é mostrar a todos que tudo que construímos foi fruto de dedicação, esforço, comprometimento e devoção. A  49 está aberta a todos os interessados e estamos provando isso através desse veículo. Aqui as pessoas poderão encontrar respostas ou meios de contestação que as ajudarão formar novas concepções acerca da importância da Quimbanda e das Magias Obscuras em suas jornadas espirituais. Procuramos postar textos com palavras mais simples justamente para que os interessados os usem como parâmetros em suas buscas pessoais.

Existem textos escritos desde 2009 até 2017. Não disponibilizamos todo material que temos, ao contrário, ao longo dos dias alimentaremos essa página com muito mais informação. Essa pequena parte mostra a todos que temos uma personalidade própria e que desejamos compartilhar isso.

Acreditamos que com essa introdução todos estarão cientes do que se trata essa página. A seguir mostraremos os conceitos da 49 e porque assim a denominamos.

Força, Honra e Luz Obscura a todos! Salve Maioral de Todos os Infernos!


O trabalho espiritual desenvolvido dentro do Templo de Quimbanda Maioral Beelzebuth e Exu Pantera Negra foi fundamental para a criação da Corrente 49. Entendemos que a palavra ‘corrente’ simboliza um fluxo, uma via, um elemento direcionador para as pessoas que vibram energia de forma similar. Corrente significa movimento, força, expansão e combate a inércia.

Uma Corrente está além de um Templo, pois é a força que o construiu e que o mantém. É a energia que age como uma Luz; um archote sagrado que direcionará os adeptos e atrairá as pessoas compatíveis com suas diretrizes e formas de ação. A energia estática será atacada agressivamente, pois a função de uma ‘Corrente’ é descampar a jornada de um adepto a fim de que as forças possam aflorar de seus abismos. Uma ‘Corrente’ emana e drena energia, como um vórtice contínuo, atrai espíritos e forças afins para dentro de seus campos magnéticos e proporciona a evolução individual amparada por uma egrégora coletiva física e astral. O adepto sempre pode recorrer à Corrente em busca da superação de seus limites.


A Verdadeira Função e Ação da Corrente L.T.J 49


A Corrente L.T.J 49 foi criada para ser uma arma contra o Sistema. Quando citamos ‘Sistema’ estamos nos referindo às religiões/tradições escravistas e estagnadas, conceitos morais e éticos condicionados, padrões de sociedade, Leis protecionistas, formas de governo, influencias familiares nocivas, alianças infrutíferas, ou seja, tudo que elimina referencias evolutivas aos sujeitos pensantes e desejantes.

O contato REAL com os espíritos da Quimbanda Brasileira atraídos pela nossa egrégora permitiu que compreendêssemos que os seres estagnados possuem uma forte tendência de preservar e proteger as ‘ilhas’ de conforto, sufocando os impulsos e transformando-se em seres petrificados. Essa estratégia, onde as coalizões tendem desmoronar com a influência do poder ilusório, conduz as ‘ovelhas’ ao erro interpretativo sobre seus próprios desejos e necessidades, assegurando a continuidade das formas de dominação. As religiões estagnadas e escravistas, sob nosso entendimento, são responsáveis por grande parte da continuidade energética que mantém o ‘rebanho’ sob total controle. A pluralidade dessas religiões nada mais é do que um complexo estratagema criado pelo multifacetado Falso-Deus e seus Agentes para gerar uma coerção coletiva.

Cada pessoa que age contra o Sistema simboliza um elo de enfraquecimento desse meio coercivo. A Corrente L.T.J 49 não deseja controlar seus adeptos e sim mostrar que Sistemas são meios de condicionamento e toda ação contraria (espiritual e física) concentrada e focada pode abalar e até destruir certas estruturas. Por isso, através das Forças e Gnoses recebidas, a Corrente age como incitadora de modificações dos padrões internos para que os adeptos possam exterioriza-los incisivamente. Os Exus e Pombagiras são Grandes Mestres cuja essência luciférica mostra-nos que existem formas e meios para que as pessoas se desprendam da ditadura religiosa que sufoca todos os sentidos e passem controlar o resultado de suas ações. As fobias podem ser vencidas e o adepto pode se enxergar no espelho reconhecendo-se. Nossos rituais visam despertar os impulsos adormecidos e permitir a ação dessas energias naqueles que se propõe realiza-los. Nossas mensagens são meios de atacar as ‘travas’ psíquicas e despertar impulsos ígneos de revolta e inconformismo.

Iniciaremos essa explanação explicando a escolha das três letras que criaram o nome da Corrente 49.

L.T.J são as letras iniciais de três palavras: “Love, Truth and Justice”. Em seguida mostraremos a importância do número 49 e as sete diretrizes básicas de ação da egrégora.


L.T.J – Três letras que formam um Caminho


Love/Amor: Amor é um sentimento que envolve ilusão. Desperta paixões, dúvidas e sofrimento. Age como uma máscara que quando se esfacela mostra a podridão oculta. Para sobreviver ao amor, necessitamos recriar as máscaras, nos doarmos e nos cegarmos continuadamente. Os homens/mulheres tem necessidade de amar, de serem amados, de se sentirem seguros e principalmente de não sofrerem desilusões. A “Corrente 49” entende que o amor é uma das principais formas de escravidão, principalmente porque desfoca a evolução espiritual. Como um impulso escravista, deve ser combatido arduamente por todos os adeptos. O verdadeiro e único amor deve ser direcionado a si próprio após a máscara externa ser cortada pelo punhal da Verdade. Quando o adepto deixa de se iludir esperando ver o reflexo de si em outras pessoas entende que amar significa guerrear contra a escravidão sentimental. Ninguém deve se perder tentando encontrar em outras pessoas as joias que carrega em sua coroa.

O amor maternal é diferente de instinto maternal. Assim como outros animais mamíferos, alguns estímulos estão inseridos nos sentidos. O amor é escravista e limitante enquanto os instintos de sobrevivência existem e são aguçados através dos cinco sentidos. Esse sentimento é tão forte que cria uma espécie de conexão celular. O amor maternal é regido pelo carinho e o afeto, entretanto, quando o filho deixa a desejar na correspondência energética, esse amor torna-se mais oneroso que qualquer outra forma de amar. 

O amor é conhecer a si mesmo, galgar crescimento, expandir as limitações mentais e dirigir os sentimentos de forma não escravista. Toda relação baseada nesse tipo de amor tende a ser frutífera. O amor é o instinto de sobrevivência, de vitória na guerra e aniquilação dos obstáculos internos e externos. Amor é a destruição do reflexo ilusionista. Assim como o ódio, o amor é uma ilusão.

Truth/Verdade: Verdade é a ausência da mentira. Verdade é a rigidez sem direito contestatório. A Corrente 49 entende que o plano material é condensado pelo tempo/espaço e isso cria uma ilusão de realidade. A Verdade é a leitura dessa realidade dentro do tempo/espaço material. Porém, quando a Verdade simboliza o que é possivelmente real dentro de um sistema de valores, torna-se completamente manipulável. A Corrente entende que a Verdade é a criação de uma visão própria após os olhos superficiais serem arrancados. Não existe verdade ou mentira quando acreditamos naquilo que estamos afirmando. Quanto mais um adepto mergulha na Gnose de Lúcifer e é devorado pelas Chamas Famintas de Satanás, suas verdades são devoradas abrindo espaço para que novas verdades sejam encontradas. A plenitude é formada de Verdade e Mentira. O que ocorre na mente do adepto pode ou não se tornar uma realidade de acordo com a força de sua Verdade.

Justice/Justiça: A definição de justiça é muito clara: É o princípio básico que mantém a ordem social através da preservação dos direitos em sua forma legal. A Corrente 49 discorda dessa virtuosa conduta subjetiva. Justiça é a exteriorização dos anseios da sociedade. Leis são flexíveis tábuas de conduta moral e ética que conduzem o homem como um cordeiro, favorecendo todos que podem corrompê-la. Não concebemos que todos os homens sejam iguais, pois se assim pensássemos, iríamos crer que nossas diferenças ocorrem apenas através do Ego, dessa forma, a igualdade (pilar central da Justiça) não se aplica ao que a Corrente professa.

Mesmo o homem que domina a si próprio está sob o julgo da Justiça e seguir a Lei para não ser vitimado pelas consequências é o mesmo que endeusar o Ego oprimido pelo Sistema. O adepto da Corrente aprenderá que os Mestres Espirituais são os maiores violadores das Leis e seu exemplo deverá ser seguido. Sem alarde, o guerreiro 49 deverá encontrar as fendas do Sistema e ataca-lo com fervor a fim do favorecimento individual ou coletivo (Templo ou Irmandades). Agindo sem deixar rastros, provas ou qualquer meio que possa comprometê-lo.

Para quebrar o cárcere da Justiça é necessário romper a estrutura moral e ética interior. Sem arrependimento ou medo, toda Lei pode ser corrompida nos planos material ou astral. No plano dos pensamentos e sensações, todas as Leis devem ser modeladas para favorecer os objetivos pessoais. Ao compreender essa estrutura, o adepto será uma arma contra a estagnação jurídica.

O ‘homem de barro’ crê que deve interferir em todos os casos de injustiça, o guerreiro 49 foca suas ações em atos que lhe favoreçam. A destruição da moral faz do homem dono de sua própria ação prol ‘justiça’ ou ‘injustiça’, afinal essa dicotomia não existe mais. O seguidor da Corrente 49 escolhe se deve ou não interagir passivamente com o coletivo. A Corrente não estimula ato algum contra quem pratica Justiça ou Injustiça, afinal, o que é justo para um grupo torna-se injusto para outro.

“Evidente que a compreensão do justo e do não justo por apresentar dimensões morais, éticas, sociais, religiosas, econômicas... se insere no contexto do ideológico, dos interesses dos indivíduos, grupos, Instituições, empresas, e das crenças, valores e tradições de um povo, sociedade e país.” Maria José Bezerra - Professora do Departamento de História da Ufac.

“Na espiritualidade “Luciferiana” procuramos estar além da relatividade do Bem e do Mal, além das limitações impostas por dogmatismos esdrúxulos de Branco e Preto. Nossas cabeças acima dos céus e nossos pés abaixo dos infernos! ” (Lúcifer Luciferax. Revista Eletrônica de produção Independente. 3ª Edição. Indaiatuba-SP, 2008.)


Sobre o número 49


O número 49 é uma fórmula oculta. Ao multiplicarmos o número 7 por si próprio resulta no “número mestre” 49. Se desmembrarmos o número e somarmos separadamente teremos 13.

7 x 7 = 49 / 4 + 9 = 13

“Segundo a numerologia, o “7” (sete) é a composição de dois números. Por não possuir uma unidade divisível em partes iguais, evita que as coisas venham em partes. O número “7” é a perfeita união entre o corpo denso e a alma (físico e o espiritual).

A influência e energia desse número proporcionam as “chaves” necessárias para que, enquanto preso no invólucro material, o ser humano possa elevar-se espiritualmente através de uma constante busca pela Luz e, no plano astral, possa dar continuidade na elevação espiritual. Toda construção cósmica no Micro e Macrocosmo foi feita sob esse número, portanto, mesmo em estado de embate, os Reinos da Quimbanda atingem a plenitude através desse número e de seus múltiplos.

A partir do Trono de V.S. Maioral foram gerados os Sete Primeiro Tronos. Como o Maioral possui as duas polaridades dentro de sua composição (dinâmica e receptiva), após um longo tempo de preparo, desdobrou-se (similar a um processo de meiose) formando os sete primeiros “Tronos” da Quimbanda. Os sete primeiros seres são chamados de “Grandes Reis”. Pela necessidade energética de expansão e criação opositora, os Reis separam-se por polaridade formando suas consortes; as sete “Grandes Rainhas”.

“Através dos incessantes impulsos construtivos e destrutivos provindos da consciência do Imperador Maioral, esses casais foram formando e modelando os Reinos e Sub-Reinos da Quimbanda. Estabeleceram novos ‘Tronos’ subalternos e iniciaram a busca pelos espíritos que iriam compor essa armada”. (COPPINI, Danilo. Quimbanda – O Culto da Chama Vermelha e Preta. Ed. Capelobo. São Paulo. 2013).

A multiplicação do número 7 por si mesmo é o crescente combate contra o Sistema. Demonstra a criação de sete pontos de infiltração no plano material externo e dentro da própria essência humana. O grau de conexão vibratória entre os adeptos e os Reinos é o que determina a presença e força de ação dos mesmos, ou seja, ao se captar a energia de um Exu, independente de qual “Povo” o mesmo pertencer, sua ação dependerá muito da descarga e reconstrução energética proporcionada pelo adepto iniciado. O “Símbolo 49” é uma poderosa via para essa comunhão.

O número 13 está conectado ao veneno, à necro-feitiçaria, à morte em diversos aspectos, aos sombrios espectros, ao décimo terceiro arcano, ao lançamento de maldições, à liberdade total provinda da quebra da rigidez do número 4 (soma de 1 + 3), à rebeldia, ao derramamento de sangue, independência, autonomia, fim do conservadorismo e da comodidade. O número é a antítese da Lei.

O número 49 é a expansão da força e energia da primeira Encruzilhada de Fogo através dos Poderosos Mortos. É a quebra de todas as concepções frágeis por meio do combate de forças antagônicas. Viver a “Essência 49” é ser parte dessa guerra e exteriorizar isso ao universo. O número 49 é o grande embrião dos Filhos da Promessa, a expansão das capacidades, a abertura dos olhos espirituais, a quebra da corrente do pecado e o assassinato do “Espírito Santo”.


As Sete Principais Diretrizes da Corrente 49


Não cito meus desafetos e jamais os citarei, pois de onde eu vim, da minha origem, se não pode arrancar sua cabeça não tem poder de te derrubar!

Palavras vindas de gente fraca são tão inúteis como suas existências! Os Guerreiros não podem se esquecer: “Na guerra os fracos só servem para abrir valas onde outros fracos serão enterrados”.

Nem todos que exaltam Satanás são dignos de suas bênçãos! Usam máscaras psíquicas para ocultar suas fraquezas e são apenas fantoches manipulados ora por um lado, ora por outro. O Verdadeiro Guerreiro jamais seguirá por um caminho onde o equilíbrio é alcançado através do culto das forças que ferem sua essência! Religiões duais são vias onde a escória se reúne.

Não respeite quem não te respeita! De todas as formas, agindo em conformidade com o instinto predador e não permitindo reflexos nocivos em seus atos, combata com todas as forças tudo que afronte sua crença. Não clame por respeito, não peça igualdade e principalmente – não se escore em Leis mundanas. Não espere que uma sociedade formada por cordeiros o receba com júbilo.

A infiltração é um trabalho lento, mas seus resultados são destruidores! Lembre-se disso quando iniciar seus projetos de contaminação.

O adepto luta pela obra e não pelo ego. Não espere aplausos vindos do Trono Negro! Ao invés de aplausos clame pela força e pela invulnerabilidade!

Maioral não se manifesta em lugares contaminados! Cordeiros que clamam pelas suas bênçãos são o rebanho que será servido em sua mesa!


Fonte:https://quimbandabrasileira.wixsite.com/ltj49

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