quinta-feira, 2 de junho de 2016

“O Tibete e a Teosofia”, testamento teosófico de Mário Roso de Luna


Dar testemunho da pessoa e obra de Mário Roso de Luna, pessoalmente considero subida honra a incumbência de tão grande tarefa para a qual esta pequena pena revela o que vai na mente do subscritor o qual, nos estreitos limites da condição humana mas sincero e dedicado à Causa que abraça, certamente dará o melhor de si em proveito de todos.

Primeiro que tudo e para situar quanto se seguirá, esboçarei em traços ligeiros um rápido esquisso biográfico do colosso humano pomo central destas linhas. Mário Raimundo António Roso de Luna nasceu em Logrosán, província de Cáceres, Espanha, em 15 de Março de 1872, filho de Don Roso y Bover (natural de Vinaroz, Castellon, nascido em 1839 e falecido em 1904) e de Dona Jacinta de Luna y de Arribas (nascida em 1831 e falecida em 1910). Casou com Trinidad de Luna (falecida em 7.1.1933) e tiveram dois filhos, Sara e Ismael. Mário Roso de Luna viria a falecer em Madrid em 8 de Novembro de 1931. A sua vida profícua de génio fez com que vivesse e fizesse o que muitos e comuns mortais talvez nem em dez vidas seguidas conseguissem.

Mário Roso de Luna foi advogado e astrónomo, paleontólogo, etnólogo, etc. Sabe-se que licenciou-se em Direito em 1890, doutorando-se em 1894; depois, em 1901, licenciou-se em Ciências Físico-Químicas; foi em Cavaleiro das Ordens de Isabel, a Católica, e Carlos II, e membro correspondente da Academia de História de Madrid e da Sociedade de Arqueologia da Bélgica.

Em 1893, a partir do seu observatório astronómico instalado em Logrosán, descobriu um cometa, que a Academia de Ciências de Paris inscreveu nos anais astronómicos com o nome de Cometa Roso. No ano seguinte publicou, grandemente aceite pela comunidade científica, a descrição de um dispositivo, prático e simples, com o nome de Kinetorizon automático, cuja aplicação facilita a qualquer pessoa, mesmo leiga no assunto, conhecer as constelações, ou melhor, o estado da esfera celeste em qualquer ocasião, o que lhe valeu ser premiado com medalha de ouro pela Academia Parisiense de Inventores.

Tornou-se notável no campo da Arqueologia, onde logo celebrizou-se pela sua descoberta da célebre estela gravada do início do primeiro milénio a. C., em Solana de Cabañas, Cáceres, oferecendo-a graciosamente ao Museu Arqueológico Nacional, descoberta que foi classificada por Emil Hübner como “um dos mais raros testemunhos hieroglíficos da pré-história céltica, análogo, por seu interesse e importância, aos da Argólida”. Do mesmo modo, descobriu em Solana, Santa Cruz e Logrosán antiquíssimas construções, que descreveu como citânias luso-ibéricas. Deu a conhecer ao mundo mais de cem lápides com inscrições romanas na província de Cáceres, e concorreu, com poderosos dados, para a ratificação do Itinerário Ravennate, como seja o das vias romanas ibéricas. Interpretou como inscrições pré-caldaicas várias pedras inscritas achadas em diversos lugares da Estremadura espanhola. Perante todas essas investigações e interpretações, a Sociedade de Arqueologia de Bruxelas nomeou-o membro correspondente.


Estela de Solana de Cabanas


Também por altura da sua estadia na capital francesa, em 1902, publicou o seu interessante ensaio pioneiro na Psicologia: Preparação ao Estudo da Fantasia Humana, sob o duplo aspecto da realidade e do sonho. Em Paris, desempenhou as funções de professor na cadeira de Língua e Literatura espanhola na Socièté pour la propagation des langues étrangères e outra cadeira na Mairie du Deuxiéme Arrondissement. Deu conferências na Sorbonne e em outros espaços académicos reputados, deixando sempre os auditórios enlevados e surpreendidos pela grandiosidade do seu talento.

Conhecido como o Mago Vermelho de Realização, Roso de Luna gostava de definir-se como “teósofo e ateneísta”. Foi, com efeito, membro importante do Ateneo Científico y Literario, instituição cultural privada fundada em 1835, radicada na Calle del Prado em Madrid, cujos antecedentes recuam aos liberais madrilenos do século XIX. Característica singular do Ateneu madrileno é nele terem singrado os maiores vultos da Maçonaria e da Teosofia dos finais do século XIX e da primeira metade do século XX, a ponto de ser considerado por muitos como “Ateneu Teosófico de Madrid”.

Foi aí que Mário Roso de Luna tomou contacto directo com a Maçonaria pela primeira vez, sendo iniciado em Sevilha em 8 de Janeiro de 1917 na Loja “Ísis e Osíris”, da qual era Venerável Mestre Diego Martínez Barrio, adoptando então o nome simbólico “Prisciliano”. Foi assim que se ligou ao Grande Oriente Espanhol, e no ano seguinte, 1918, sob a tutela da Grande Loja Simbólica Espanhola do Rito de Memphis e Misraim, o próprio Roso de Luna fundou em Miajadas, próxima de Logrosán, sua terra natal, uma Loja do Rito Simbólico. Ele alcançou ao Grau 33.º maçónico.

Nessa época, a maioria dos maçons madrilenos e estremenhos eram igualmente teosofistas, e à Sociedade Teosófica, fundada por Madame Helena Petrovna Blavatsky em 7 de Setembro de 1875 na cidade de Nova Iorque, E.U.A., Mário Roso de Luna estava filado através da Loja Teosófica de Londres, desde muito antes do seu ingresso na Maçonaria.

Polígrafo ímpar, viajante incansável, como teósofo Mário Roso de Luna realizou um infatigável trabalho de divulgação. Traduziu para o castelhano as obras de Helena Blavatsky, de quem se considerava discípulo fervoroso, e produziu uma longa série de livros próprios, agrupados na chamada Biblioteca de las Maravillas. Nos seus tomos, Roso de Luna aplicou a doutrina teosófica a múltiplos campos, como a musicologia (Beethoven, teósofo, Wagner, mitólogo e ocultista), a sexologia (Aberrações psíquicas do sexo), a mitologia árabe (As Mil e Uma Noites – O Véu de Ísis), os mitos pré-colombianos (A Ciência Hierática dos Mayas) e o folclore espanhol (O Livro que mata a Morte), e também sobre o totalitarismo (A Humanidade e os Césares), mostrando a sua anti militância no repugno de toda e qualquer forma de ditadura, fosse religiosa ou laica, demonstrando sempre a sua preocupação com as questões sociais, como ficou patente em 1905 quando fez o projecto de uma escola-modelo para a educação e ensino de crianças anormais.

A par disso, Mário Roso de Luna deixou um volumoso e profícuo trabalho publicado na imprensa da época, tanto como colaborador de jornais como editor próprio, onde além de divulgar as ancestrais ideias espirituais ao homem moderno, também expunha as recentes descobertas científicas e tecnológicas a favor da ideia de autorrealização individual e de progresso social.

Hoje, o seu nome e obra são homenageados e lembrados em várias partes de Espanha, seja no nome da Calle Mário Roso de Luna em Madrid, seja em Logrosán onde está instalado o Instituto de Estudos Mário Roso de Luna, estando o seu nome igualmente presente em uma calle de Cáceres, indo desde o Camino Llano até San Juan, e noutra em Mérida.

Seguindo as pisadas dos seus antepassados ilustres e afamados aventureiros que demandaram o Novo Mundo, a América, em busca de sucesso e fortuna, Roso de Luna iria igualmente singrar o caminho desse novo El Dorado, mas não em busca do ouro vulgar e sim como arauto ibérico da 7.ª sub-raça da actual 5.ª Raça-Mãe Ariana que, como Elo Dourado ou Raça Dourada (pela cor da pele bronzeada com laivos dourados no empalidecer do branco), terá a sua irrupção na América do Sul, propriamente no Brasil, em conformidade à marcha cíclica da civilização deslocando-se de Oriente para Ocidente no chamado Itinerário de Io ou da Mónada peregrina, como consta nos ensinamentos da Teosofia, a Sabedoria Divina ou a mesma Sabedoria Iniciática das Idades.

Assim, cumprindo o périplo de realização de conferências teosóficas na América do Sul em 1909, Mário Roso de Luna esteve na então capital do Brasil, Rio de Janeiro, de 7 a 13 de Março de 1910. A sua conferência realizou-se na Associação dos Empregados do Comércio e terá sido um êxito retumbante, como transpira da notícia publicada na Gazeta de Notícias de 9 desse mês: “A conferência do Dr. Mário Roso de Luna foi um sucesso. O auditório teve a deliciosa surpresa de ouvir um filósofo da mais vasta cultura, servida por um orador de rara eloquência e extrema simpatia”.

Entre os presentes contava-se um homem de sucessos espirituais, logo, iniciáticos, também ele famoso entre o público brasileiro, tendo servido esse evento como espécie de reencontro entre duas Grandes Almas cujos destinos ficariam doravante selados: Henrique José de Souza (1883-1963), baiano então residente no Rio, fundador da possivelmente primeira Loja Teosófica no Brasil.

Com efeito, o já então chamado Professor Henrique José de Souza teria fundado em 1905, logo após a transferência da sede-mãe da Sociedade Teosófica de Nova Iorque para Adyar, Estado de Madras, Índia, uma Loja Teosófica de nome Alcyone, na cidade de Salvador, capital do estado da Bahia, com dois companheiros, Teofredo Requião, quintanista de Medicina, e Marcolino Magalhães, empresário de comércio. Consta que a Loja foi devidamente legalizada tendo recebido a necessária Carta Constitutiva da Matriz da S.T., e que Henrique, então com 22 anos de idade, era o seu tesoureiro. Em 1907 afastou-se da Loja que ajudara a fundar, porém, sustentando a amizade com os ex-companheiros e sobretudo mantendo os estudos teosóficos.

Vem desses dias de 1910 a amizade estreita, quase ou mesmo familiar, entre Mário Roso de Luna e Henrique José de Souza, a qual solidificou-se ainda mais a partir de 1927 com o início da troca profícua de correspondência entre os dois, pois Roso de Luna procurava sempre manter o elo mental com o Professor Henrique através da escrita, relatando-lhe praticamente todas as suas passadas teosóficas. Quando escreveu pela primeira vez ao Professor, teve as seguintes palavras emocionadas:

“Jamais em minhas viagens de propaganda teosófica senti emoção mais profunda do que aquela convivida de 7 a 13 de Março no Rio de Janeiro! O tempo não apagou essa emoção! Se me for permitido, reencarnarei no Brasil – ao qual de coração pertenço! Com isso vos digo, pois me faltam palavras – daquelas com que se enganam os homens! Prefiro deixar à vossa esclarecida intuição!”

Isso em resposta à carta que lhe remeteu de Niterói, em 15 de Janeiro de 1927, o Professor Henrique José de Souza:

“Tenho a certeza absoluta que, na presente vida, o meu distinto Irmão jamais recebeu uma carta semelhante a esta. Porém, ILUMINADO como é, compreenderá melhor do que nenhum outro a grande razão de ser deste meu gesto, que exprime a obediência do discípulo à voz de seu MESTRE.

“Esse momento eu esperava há bastante tempo, a fim de entrar em contacto directo com um dos poucos “ÉDIPOS ou SIGFREDOS” saídos de uma certa Confraria Egípcia (como discípulos), vencedores, portanto, da “ESFINGE”.

“Talvez vos pareça ridícula a minha pretensão em querer afirmar que vos conheço mais do que pensais; e que, com amor e carinho fraternos, acompanho todos os vossos passos e gestos nesta vida, pois eles também representam os meus, como os de mais 3 outros abnegados companheiros.

“Actualmente, dirijo a Sociedade Dhâranâ nesta cidade, cujo nome sânscrito bem indica que somente um mercuriano poderia estar á sua frente (“a intensa e perfeita concentração em determinado objecto interno”, etc., como bem sabeis. Daí, só Mercúrio, a Inteligência, a Mente, etc., poder dirigir Dhâranâ).

“Como vós, sou um adepto fervoroso da grande Mestra H.P.B. e a prova disso está em que, nesta Sociedade, só são adoptados os seus ENSINAMENTOS (Doutrina secreta, Ísis sem Véu, etc., etc.) e os do seu único “interpretador” – Mário Roso de Luna.

“Completo 44 anos de idade em 15 de Setembro de 1927 (Mercúrio em Virgo) e… tenho a certeza que daí é que vai começar o meu verdadeiro papel na América do Sul (principalmente no Brasil) e – quem sabe? – com o concurso da LUA (Mário Roso de Luna).

“A nossa Sociedade já possuindo uma área de terreno para nela serem construídas a nossa sede, templo e demais dependências de educação física, mental e espiritual do nosso povo, é uma verdadeira PROMESSA ou ESPERANÇA FUTURA do compromisso tomado perante a nossa PÁTRIA verdadeira (o lugar onde residem os nossos MESTRES).

“Temos que demolir para reconstruir. Os desviados da Verdadeira Vereda apontada por H.P.B. representam o seu “verdadeiro papel” no fim da Idade Negra (Kali-Yuga), criando religiões novas quando o seu lema era: “Não há religião superior à VERDADE”.

“Uma nova Obra está sendo erguida no Mundo oculto, para que o grande Edifício de 50 anos não venha a ruir por terra.

“Vós sereis dos poucos que têm o papel importantíssimo de evitar a grande catástrofe.

“Consultai a vossa MENTE esclarecida e respondei-me, pois o grande momento já se aproxima a passos agigantados.

“Uma carta vossa será a mais bela das Esperanças, neste instante horrível para o Mundo.

“Empunhai a vossa lança, SIGFREDO, pois os tempos são chegados de nos unirmos, como 5 émulos fiéis do mesmo Senhor.

“Por hoje, basta. Aguardo a vossa resposta.”

Como se viu, Mário Roso de Luna respondeu. No ano seguinte, com a transferência do nome Dhâranâ – Sociedade Mental-Espiritualista (fundada em 1924) pelo Professor Henrique José de Souza para Sociedade Teosófica Brasileira (durando até 1969), seria conferido ao ilustre Adepto ibérico o Diploma da S.T.B. reconhecendo-o membro efectivo n.º 7 da mesma desde 21 de Outubro de 1928, conforme a litografia do documento abaixo cedido por Estevam Contijo, curador do acervo de Mário Roso de Luna.



Acerca do que fosse o papel oculto da missão de Mário Roso de Luna ante o quinto continente americano, sobretudo o Brasil, descreveu-o melhor do que ninguém o Professor Henrique José de Souza na mensagem que proferiu na Loja Morya da S.T.B., no Rio de Janeiro, em Novembro de 1931, prestando sentida homenagem póstuma ao seu grande Amigo e incomparável Teósofo ibérico:

“Nessa época (1909) – abandonando pátria e família, e sem medir sacrifícios outros – veio anunciar aos povos de origem ibero-americana, inclusive ao brasileiro, o papel que lhes competia de abrir uma nova página na História das Humanas Civilizações, por isso, os indissolúveis laços espirituais que os uniam entre si para a realização da mais sublime das profecias apregoadas desde tempos imemoriais, isto é, de “que seria nesta parte do Globo onde havia de surgir, em futuro não muito distante, um novo ciclo de Paz, Amor, Sabedoria e Justiça entre os homens!” E completou: “E para que o dealbar dessa aurora refulgente venha banhar a superfície da Terra, com os seus raios vivificantes e recompensadores das terríveis lutas e sofrimentos sustentados pelas gerações presentes e passadas, foi que se criou no Brasil a Sociedade Teosófica Brasileira – Eco ou repercussão do Verbo inspirado do Super-Homem que foi Mário Roso de Luna. E a prova disso está nestas suas palavras vindas em uma das constantes missivas com que nos honrava: “Agora, sim, já posso morrer tranquilo”…

“O sentido oculto da missão de Roso de Luna na Terra, é muito mais expressivo do que alguns pensam. Ele foi o que despertou a Consciência Ibero-Americana para “aquele amanhã resplandecente”, de que tanto falava nos seus escritos e conferências, isto é, o Advento da 7.ª Sub-Raça. Ou em outros termos: o arregimentador das Mónadas empenhadas em semelhante Trabalho, porém, esparsas ainda pelos países de origem ibero-afro-americana, por serem, de facto, a fusão, ou melhor, a primeira reacção racial por que as mesmas passaram, sem falar naquela do choque com os ramos autóctones dos países sul-americanos, ou as chamadas raças pré-colombianas. Daí, os seus consecutivos giros de conferências, até em possessões espanholas na África. Em resumo, como se disséssemos uma preparação de tais Mónadas a fim das mesmas poderem encarnar-se no lugar apropriado, onde se vai dar semelhante acontecimento no Mundo: o Sul-América!

“E para que outros não julguem ser essas nossas afirmativas oriundas de ficção, citaremos uma frase, entre muitas outras “expressivas” com que o polígrafo nos honrava em assídua correspondência: “Continuai sereno, porquanto a vitória está do nosso lado, que agimos com a Lei. Nada mais posso fazer senão o que já fiz em 1910, quando aí estive. Vós sabeis perfeitamente que o meu lugar é aqui, como o vosso é aí”.

“E logo em outra carta, referindo-se a uma entrevista com um dos próceres da Sociedade Teosófica de Adyar, quando foi procurado para lhe pedir que o apresentasse ao público do Ateneu, onde o mesmo senhor ia fazer uma série de conferências teosóficas: “Quando pensardes em Trabalho (referindo-se àquele em que estamos empenhados), lembrai-vos que há-de ser através das nossas organizações, porquanto de há muito que assumimos o pesado dever e altíssima honra de preparar a 7.ª Sub-Raça, enquanto eles outros com a 6.ª Não deve esquecer-se que, em todos os pontos, a Inglaterra tem muito a aprender connosco e não que nos ensinar, pois quando ela estava na barbárie no século IX nós já possuíamos a grande cultura hebraica e árabe.”

Se houve e há quem não entenda isso, tampouco aceite, certamente será por ser teosofista mas não teósofo, que é dizer, conhece e decora mas não sabe tampouco assimila, e mesmo isso quando acaso conhece… No que adianta o Professor Henrique José de Souza num seu texto lavrado em Maio de 1954: “Já o grande cientista e Teósofo espanhol, Dr. Mário Roso de Luna, teve ocasião de dizer: “O Teósofo não precisa dizer que é Ocultista, por já o ser de facto. Mas o Ocultista que não se disser Teósofo, não é nem uma coisa nem outra”. Por nosso lado, dizemos: teosofista é o estudante de Teosofia; Teósofo é aquele que conhece ou sabe Teosofia”.

A Teosofia vem assim reiterar que Mário Roso de Luna foi verdadeiro “Arauto da 7.ª Sub-Raça Ariana”, pelo que, em conformidade à Lei que a tudo e a todos rege, peregrinou para a “Nova Canaan” brasílica, situada em São Lourenço de Minas Gerais do Sul, carregando as falhas da Haste Lunar ou Oriental do Taurino Solar ou Mercuriano, como seja a Haste Ocidental do Y antropogónico onde o Ganges e o Nilo se encontram no Tejo e escoam Atlântico afora indo regar idealmente o Planalto Central do Brasil, onde hoje está a Brasília do sonho visionário de Dom Bosco; com tudo isso, Roso de Luna deu imediatamente ao Brasil o título de “Capital Espiritual da América do Sul”, e ao próprio Lugar Mercuriano ou Solar de São Lourenço de “Capital Espiritual do Mundo”. Isto mesmo é confirmado pelo Professor Henrique José de Souza na sua mensagem à Loja Morya em 1931: “Conhecedor de certo lugar no interior do Brasil, onde há dez anos teve início a Obra grandiosa em que estamos empenhados, Roso de Luna cognominou-o de “Capital Espiritual do Mundo”. Em sua última carta dizia: “Como me sentiria feliz se pudesse visitar a “Montanha Sagrada” (de São Lourenço), de que acaba de conviver com as suas potentíssimas vibrações… etc.”, vindo assim de encontro ao que afirmara ao público carioca em 1910:

“O País de Pinzón, Cabral, Lepe e Souza, por sua maior vizinhança com a Europa e África, por sua mescla de raças e por inúmeras outras razões, demonstra excepcionais características, dando-nos o direito de predizer que os seus destinos são semelhantes aos do Norte-América; que em cultura, no litoral, nada fica a dever à Europa; do mesmo modo que em belezas naturais, em espiritualidade, faz lembrar o berço do povo Ário, a Índia, como se no desenvolvimento dessa nobre raça – Ásia, Europa e desta à América – coubesse ao Brasil a glória de ser o remate e o epílogo daquele grande povo, com uma civilização fluvial e costeira igual à de todos os grandes rios chamados Ganges, Indo, Oxus, Iaxarte, Nilo, Tigre, Eufrates, Danúbio, Ródano, Reno, Mississipi, etc., cada um deles legando ao humano futuro um florão da sua coroa. Não resta a menor dúvida de que as bacias do Amazonas e do Prata, com o decorrer dos tempos, selarão nas suas ribeiras os destinos do Mundo.”

Posto tudo, restava a Mário Roso de Luna selar literariamente a transferência de valores espirituais e humanos do Oriente ao Ocidente, como seja o Ecce Occidens Lux em substituição do Ex Oriens Umbra. Assim o fez. Após ter escrito em trinta dias (verdadeiro milagre literário) as Aberraciones psíquicas del sexo (livro refutando o outro de Anatole France, prejudicial à saúde e evolução física e psicomental da Humanidade devido à má interpretação dada pelo escritor francês da célebre obra do conde de Gabalis), deu início ao seu último e valioso trabalho El Tibet y la Teosofia, parcialmente publicado na forma de artigos em sucessivos números da revista teosófica El Loto Blanco, de Barcelona, entre Junho de 1930 e Outubro de 1931. Foi o derradeiro testamento iniciático do colosso de Logrosán. A morte, respeitando a ideologia do jina ibérico sem par, permitiu-lhe levar até ao fim essa empresa, porquanto terminou-a alguns dias antes da sua partida deste mundo. Pressentindo-a, apressou-se a escrever ao Presidente da Sociedade Teosófica Brasileira anexando a preciosa dádiva desse seu último trabalho, na que seria a sua última missiva remetida de Madrid em 12 de Outubro de 1931 (Dia da Raça ou da Descoberta da América):

“Terminei, como lhe disse, os dez capítulos (sessenta ao todo) que me faltavam da obra El Tibet y la Teosofia e para que aprecie o que já foi publicado, envio-lhe todos os números do El Loto Blanco que figuram na minha colecção particular. Aqui, devido às actuais circunstâncias, ignoro quando ou como a mesma será publicada em livro. Porém, se lhe convier publicá-la, de qualquer maneira, na querida língua de Camões, pode agir com perfeita liberdade e sem condições.”



Ao que Henrique José de Souza apressou-se a responder em carta remetida de Niterói, em 29 de Outubro de 1931:

“Quanto à publicação de El Tibet y la Teosofia na “língua de Camões” seria verdadeiramente maravilhoso. Não sei como expressar a nossa gratidão por essa oferta tão generosa, principalmente quando diz: “obren com perfecta libertad y sin condiciones”. Essas poucas palavras definem o Homem elevado que você é! Beijo-lhe as mãos enternecidamente!… Não ouso propor-lhe a publicação do mesmo na nossa revista, pois é a única coisa que poderemos fazer neste momento, o que aliás só podia trazer vantagens para nós, isto é, “a nossa querida Raça”!… Como a revista é trimestral, faríamos tal publicação em um número maior de páginas, isto é, umas dez páginas, e desse modo, com uma paginação aparte da revista, ficariam isoladas de maneira que qualquer pessoa poderia retirá-las (as ditas páginas) e mandar encadernar a obra completa. Nesse caso, mandaríamos encadernar – por nossa vez – uns 50 exemplares e lhe enviaríamos ou venderíamos aqui por sua conta. Use da maior franqueza connosco! Somos escravos dos mesmos Ideais e sentimentos!”

Mário Roso de Luna já não pôde responder, partira deste mundo. Mas ficou O Tibete e a Teosofia, finalmente traduzido na “querida língua de Camões” pelo próprio Henrique José de Souza que enriqueceu-o com anotações pessoais, publicado em capítulos nos vários números da revista Dhâranâ, órgão oficial da S.T.B., ainda em 1931 e nos anos seguintes.

Por uma parte, a obra manifesta o desagrado de Roso de Luna por a Sociedade Teosófica de Adyar, durante a presidência da senhora Annie Besant ao lado do seu conselheiro inseparável, o senhor Charles Webster Leadbeater, ter se afastado dos ideais superiores da fundadora original Helena P. Blavatsky, ao querer pretender impor ao livre-pensamento que caracteriza todo o teósofo um teosofismo beato com a invenção do novo “messias” Jiddu Krishnamurti, desferindo machada quase mortal à S. T. que levou a sérias dissidências na mesma. Mário Roso de Luna era inteiramente fiel ao pensamento da Mestra H.P.B., não aceitava nem tolerava a ingerência de tão grande cegueira pietista absolutamente estranha à Sociedade. Desde 1920 que vinha protestando com a maior veemência junto dos órgãos dirigentes da S. T., sempre resultando debalde. Ainda assim tentou unir o Oriente ao Ocidente, em 1921, quando com uma dezena de teósofos madrilenos fundou o Ramo Teosófico Hespérida, destinado a estreitar e solidificar os vínculos de fraternidade e da originalidade do ensinamento teosófico com a Sociedade-Mãe em Adyar, e igualmente com o grupo teosófico dissidente dessa em Point Loma na Califórnia, dirigido pela entusiasta Katherine Tingley, sucessora de William Quan Judge, discípulo em vida de Helena Blavatsky e um dos fundadores originais da Sociedade Teosófica.

Parece que o Ramo Hespérida não conseguiu realizar os seus intentos, com isso marcando um maior afastamento de Roso de Luna da S. T. de Adyar. O facto é que em 1928 o grupo de teósofos em desacordo com as directrizes dessa, que costumava reunir-se no Café Gijón, em Madrid, acabou aliando-se a Mário Roso de Luna e a Eduardo Alfonso indo fundar uma organização filosófica-iniciática de cariz teosófico: a Schola Philosophicae Initiationis, em resposta aos desvios doutrinais da Sociedade Teosófica, especialmente no referente à proclamação de Jiddu Krishnamurti com o “Instrutor do Mundo”, facto de todo impossível por essa função ser exclusivamente a do Cristo Universal ao qual os mongóis, hindus e tibetanos chamam respectivamente de Chenrazi, Kalki-Avatara e Maitreya.

A nova Escola comprou um terreno em Manzanares el Real (província de Madrid) para construir um centro de estudos teosóficos avançados, batizado de A Casa do Filósofo. Também se constituíram três graus de conhecimento, “como corresponde a toda a Sociedade Iniciática e consequentemente aos três objectivos da Sociedade Teosófica, que no fundo não são mais do que os três graus iniciáticos de todas as Instituições análogas, que por não terem sido compreendidos e respeitados levaram a S. T. à desunião e à anarquia mental”, segundo Eduardo Alfonso. Portanto, a S.P.I. organizava-se da mesma maneira que fora organizada a S.T. em 1875: estrutura orgânica como na Maçonaria, e ensinamento orgânico como no Budismo (Esotérico, o da Maha-Yana ou “Grande Barca” que abrigou e norteou as mentes superiores do Norte da Índia e Oeste do Tibete). Era assim que os discípulos da S.P.I. seguiam um programa de estudos gradual e metódico compreendendo três graus ou etapas: a primeira, a dos estudos de Higiene e Moral; a segunda, a de Ciências e Naturalogia; a terceira, de Psicologia e Filosofia.


Inauguração da “Casa do Filósofo”, aparecendo em primeiro plano Mário Roso de Luna e Eduardo Alfonso

Por outra parte, O Tibete e a Teosofia demonstra o profundo conhecimento que Mário Roso de Luna possuía do Budismo Esotérico e do Exotérico (ou Hina-Yana, “Pequena Barca”, que é o confessional dominante sobretudo no Sul da Índia), ao par das tradições etnológicas e etnográficas, dos domínios filológicos comparativos, dos saberes iniciáticos do Oriente comparados aos do Ocidente, etc. É obra de Mestre, e Mestre dos Maiores ibéricos da chamada Linha Morya, é obra em cujo capítulo I o próprio Professor Henrique José de Souza deixa o seu comentário publicado na revista Dhâranâ (n.º 70 de Outubro a Dezembro de 1931):

“O território conhecido com o nome de Tibete (Thibet) possui um outro oculto, ou seja, o de País de Bod-Yul (daí a frase “língua de Bod”, para aquela que se fala em tal país). O verdadeiro significado de Tibete é “Telhado do Mundo”. Da palavra Bod-Yul provém Bhante-Yaul, ou o nome que se dá à famosa Fraternidade dos Irmãos da Grande Loja Branca do Himalaia. Por isso mesmo é que se conhece qualquer dos seus preclaros Membros como um Bhante-Yaul.

“O Planalto do Pamir – centro orográfico de toda a Ásia, donde partem as principais montanhas como Tian-Chan, Kuen-Lung, Karakorum, Himalaias, etc. – é o berço da Raça Ária – segundo Roso de Luna e outros sábios ocidentais. O célebre viajante chinês Hien-Sang denomina-o de Pamito, e os indígenas de Bami-duniah, que significa “Tecto ou Telhado do Mundo”. Não só é o mais elevado planalto do Mundo – onde floresceu há milénios a mais brilhante civilização de que nos falam as velhas tradições orientais – como também é o ponto misterioso escolhido pelos Adeptos para os seus “Retiros Privados”.

“Querendo dar uma prova mais cabal do verdadeiro significado da palavra Tibete, vamos buscá-la na misteriosa língua hebraica cuja Cabala fornece, aos que a sabem interpretar, um mundo de revelações em todas as questões da vida. Senão, vejamos: a palavra Tibete, se quiséssemos escrevê-la em hebreu, seria com as três seguintes letras: Thet, Iod (ou Jod, que é o mesmo) e Beth.

“Ora, Thet é a 9.ª letra e lâmina do Tarot, O Ermitão, O Adepto, etc., etc., cujas ideias a Cabala interpreta como: Sabedoria, Protecção, Circunspecção, etc. Hieroglificamente, é representada pelo Tecto ou Telhado. Quanto a Iod, é a 10.ª letra e lâmina do Tarot (A Roda da Fortuna), cujo hieróglifo antigo representava-a por um Índex (ideia de governo ou comando). 10 é ainda a 10.ª Sephiroth – Malkuth ou o “Reino”, etc. O Beth é a 2.ª letra e lâmina do Tarot (A Papisa). Hieroglificamente, é representada pela boca humana, como órgão da palavra. Do mesmo modo, significa: Casa, Santuário e toda a concavidade (gruta, garganta, furna, etc., etc.). Possuímos, portanto, material bastante para fazermos – em ligeira síntese – uma interpretação cabalística da palavra Tibete, como seja: Telhado do Mundo, Santuário do Mundo, Tecto ou Telhado protector do Mundo (tecto, em si, já possui a ideia de protecção, abrigo, etc., contra as chuvas e outras tormentas que possam afligir o Homem).

“Estendendo mais a nossa interpretação, encontramos: o Tibete é o Santuário do Mundo, onde se acham os Adeptos ou Super-Homens – Senhores da Palavra Sagrada (a Sabedoria dos Deuses, Teosofia, etc.) como Protectores, Defensores ou Guias da Humanidade. Mais ainda: o Tibete é o lugar sacrossanto onde se acha o “Governo Oculto do Mundo” (lembre-se o Iod, hieroglificamente representado por um Índex que dá a ideia de comando ou governo). Nem podia deixar de ser essa a interpretação – pouco importa que outros não a tivessem feito anteriormente – porquanto o Tibete é, de facto, “o berço das humanas civilizações”.

“E com isso se pode fazer uma pálida ideia do que possa ser o conteúdo da última obra do imortal Mário Roso de Luna, a qual chamamos – por nossa vez – de “telhado ou cumeeira do colossal edifício literário do grande génio do nosso século”.”

Indelevelmente, para sempre, O Tibete e a Teosofia finca a união do Oriente ao Ocidente com isso marcando o dealbar de um Novo Ciclo de Humanidade mais esclarecida mental e moralmente como certamente seria o ensejo derradeiro de Mário Roso de Luna, se não sempre presente ao longo das páginas da sua vida profícua de Arauto da Nova Aurora do Mundo, no crepúsculo dos Deuses a Oriente pelo amanhecer dos mesmos hoje mesmo, a Ocidente.

O Tibete e a Teosofia requer leitura demorada, pede reflexão, inquire o leitor sobre quem foi, seja e será impelindo-o a lembrar-se de que um dia também foi deus, em seu desterro na Terra disso se esqueceu mas, no alvor da consciência sublimada, novamente lembrará que é seu destino último ser humanamente divino e divinamente humano, na mais sublime das metástases avatáricas onde Deus se faz mais Deus e o Homem mais Homem.

Fonte:https://comunidadeteurgicaportuguesa.wordpress.com/2016/05/27/o-tibete-e-a-teosofia-testamento-teosofico-de-mario-roso-de-luna-por-vitor-manuel-adriao/

Biografia Edward Bulwer-Lytton



Edward George Bulwer-Lytton (Londres, 25 de maio de 1803 — Torquay, 18 de janeiro de 1873) foi um escritor e político inglês. Também foi rosa-cruz. Ele está enterrado na Abadia de Westminster.

Zanoni é o título do mais famoso romance ocultista do escritor inglês Edward Bulwer-Lytton (1803-1873).

A narrativa se passa em Nápoles e tem por protagonistas o Conde Zanoni, a cantora de ópera Viola Pisani, o aprendiz de pintor Clarêncio Glyndon e Mejnour. O livro tem como pano de fundo os princípios da Ordem Rosa-cruz, tratando metaforicamente da alma e da busca pelo ideal.

Zanoni, um homem com elevado grau de consciência por ser imortal, cai e perde seus poderes por se apaixonar pela cantora de ópera Viola Pisani. O livro foi traduzido pela primeira vez para o português por volta de 1930 (Editora Pensamento), por Francisco Valdomiro Lorenz, ilustre estudioso de Esperanto e poliglota que nasceu na República Tcheca em 1872 e radicou-se no Brasil, na pequena cidade de São Feliciano, RS, agora chamada Dom Feliciano . Em 1997, o livro já havia sido impresso em 8 edições, podendo ser encontrado ainda hoje nas livrarias, especialmente aquelas dedicadas a literatura espírita ou esotérica. Curiosamente, é um dos raros exemplos em que o tradutor, não se conformando com o final trágico da estória, resolve dar-lhe continuidade, escrevendo "O Filho de Zanoni", também publicado pela mesma editora, procurando preservar o estilo do original, com grande sucesso e que também pode ser encontrado nas livrarias, mesmo depois de 55 anos da morte do autor/tradutor.

Obras

Zanoni.
Os Últimos Dias de Pompéia (The Last Days of Pompeii).
O Último dos Barões (The Last of the Barons).
A Raça Futura (Vril: The Power of the Coming Race).
Rienzi - adaptado para ópera por Richard Wagner.


Biografia Harvey Spencer Lewis



Harvey Spencer Lewis 1883 - 1939 nasceu em Frenchtown, estado de New Jersey, Estados Unidos. Filho de Aaron Lewis, descendente de gauleses e Catherine Hoffmann, nascida na Alemanha. Viveu nos arredores da granja de sua família até que o seu pai, decidiu emigrar para a cidade grande em busca de melhores perspectivas para a sua vida. Aaron Lewis interessou-se muito por caligrafia, chegando a desenvolver uma bela letra, graças, sobretudo, ao método de escritura Spencer, em cuja honra deu o segundo nome ao seu filho Harvey. Aaron Lewis mudou-se para New York em busca de melhores horizonte quando seu filho Harvey ainda era um menino, tornando-se sócio de um escritório de peritos em caligrafia, onde chegou a desenvolver trabalhos muito interessantes relacionados a identificação de escrituras falsificadas, etc., chegando a atuar perante os tribunais em vários casos importantes.

Primeiros anos

Harvey estudou na Escola Pública de New York até 1899, mas deixou os estudos aos quinze anos de idade quando começou a trabalhar. Entre outros trabalhos atuou como ajudante de um escritório de editores, fotógrafo profissional, também como jornalista no Evenig Herald e no Eagle, para posteriormente, após perder seu emprego, dedicar-se à publicidade.

Lewis pertencia a um a família muito religiosa e quando veio a New York com seus pais, tornou-se membro da Igreja Metodista, frequentando o Templo Metropolitano da Sétima Avenida. Lewis diz que desde jovem interessou-se pelos fenômenos psíquicos e que tinha aquilo que os membros da igreja chamavam de "dons proféticos". Aos 20 anos uniu-se a uma associação denominada "Liga de investigações psíquicas de New York" na qual foi eleito Presidente.

Faz-se referência a esta experiência no livro "Missão Cósmica Cumprida":

"Durante anos fui presidente desta associação e no ano seguinte vários cientistas e leigos eminentes organizaram o Instituto Novaiorquino de Pesquisas Psíquicas. Fui eleito presidente deste e seu trabalho se desenvolveu da mesma forma com que atuava a Liga, só que era um trabalho mais profundo, envolvendo maior análise e investigação, pois teve muito a ver com o desmascaramento e neutralização do trabalho de médiuns fraudulentos e criminosos, trabalho este que se efetuou com a colaboração do Departamento de Polícia de Nova York e com o New York Word (Jornal)."

Foi nesta época que, segundo declarações de Lewis, ele se interessou a primeira vez pelos Rosacruzes, entrando em contato com pessoas que tinham ouvido falar deles e inclusive, diziam ter se relacionado com eles, o que não era incomum em um país como os Estados Unidos, onde a maçonaria e muitas outras associações fraternais sempre tiveram acolhida. Também conforme declarações de Lewis, além de ter colocado em prática seus dotes psíquicos e proféticos em suas associações, continuou frequentando a Igreja Metodista onde, segundo seu próprio relato, em 1908, teve uma revelação.



O Recebimento de uma Missão

Foi na primavera de 1908, numa quinta-feira, depois do "Serviço de Ressurreição" que, enquanto orava na igreja e olhava para a cruz que havia atrás do altar, apareceu-lhe um 'ser divino', meio transparente e luminoso, que lhe revelou sua missão que lhe parecia por demais fantástica: Restaurar na América a Ordem dos Rosacruzes. Ele relata este episódio nos seguintes termos:

"Toda a imagem era como se fosse de neblina e clara como um vapor branco e espesso. Dos lábios deste vulto brotaram palavras e vi o movimento dos lábios e o piscar dos olhos. Não irei relatar o que disse, por não recordar exatamente as palavras. Gostaria de fazê-lo, porque foram pronunciadas de forma amável e numa linguagem tão divina e bela como as frases mais maravilhosas da Biblia Sagrada. Tive a impressão que vinham até minha pessoa procedentes de uma Mente Infinita, Santa e escutei com sentimento de respeito e agradecimento, porém, não me encontrava perplexo ou atemorizado. Em resumo, o que me disse foi o seguinte: se eu quisesse saber mais sobre os Rosacruzes e seus ensinamentos, teria que me preparar para um a iniciação na fraternidade, que possuia um corpo exotérico imortal; que por vários anos eu tinha sido um habitante do umbral e de seu templo imaterial, mas que não havia sido suficientemente resoluto para cruzar o umbral e que, portanto, não havia avançado para além do que a minha própria vontade tinha determinado; que não falaria nada sobre a fraternidade, em nenhum livro ou documento, porque seus segredos nunca tinham sido publicados, nem nunca iriam sê-lo; que eu iria achar minha iluminação em meu eu interior e não fora; que quem me falava era um AMORCUS da antiga fraternidade e que tinha sido eleito para ser o meu guia, até que eu estivesse preparado para cruzar o umbral e continuar sozinho; que o corpo exotérico da fraternidade já não existia e que não havia existido durante os últimos 101 anos; que cada corpo exotérico existia somente durante 108 anos e que somente em 1915 este corpo exotérico teria existência novamente e que seria, então, o único corpo exotérico sobre a face ocidental da terra; e que enquanto eu estivesse me preparando para a minha iniciação ali, o corpo exotérico seria concebido e amadurecido para O SEU advento no mundo material; que eu deveria dedicar todas as noites de quinta–feira para encontrar orientação;que o próximo corpo exotérico estaria na França, ou qualquer coisa do gênero".



Iniciação em Toulouse


ToulouseEm outro relato, ao qual intitula "Viagem de um peregrino para o Este", em 1909, o jovem Lewis tinha estabelecido contato com o editor de um jornal de Paris, o qual o aconselhou a colocar-se em contato com um professor de línguas, que vivia no Boulevard Saint Germain, em Paris. Lewis, depois de entrevistar-se em Paris com o seu contato, que lhe entregou uma gravura com a imagem da Torre do Donjon de Toulouse. Ele viaja à Montpellier e em seguida, à Toulouse. Spencer relata:

"Cheguei na avenida indicada ... ia de táxi. Naquela época, havia em Toulouse um excelente serviço de bondes, porém, nenhum deles percorria a avenida de um extremo a outro. Por isso era necessário ir de automóvel. O condutor, a meu pedido, conduzia o veículo lentamente, pois eu ignorava se era a algo ou a alguém a quem eu deveria prestar atenção. Portanto, observei com o maior cuidado, as pessoas e as coisas, sem ignorar nenhum prédio. Rodamos, assim, por todo o centro da cidade e observei, de relance, igrejas, monumentos antigos, algumas ruínas .... e, finalmente, A VELHA TORRE ... Eu avançava em direção à velha torre, o coração um pouco apertado, mas não sem coragem. Chamei junto à porta, mas não obtive resposta. Então eu vi, perto do muro, um cordão e puxei-o. Em algum lugar, nas profundezas do prédio, ressoou uma campainha, prédio este que parecia ter centenas de anos e certamente era o caso ...

Rangendo, finalmente a porta se abriu ligeiramente. Esperei. Estava muito escuro no interior e parecia que naquele lugar não havia nenhum sinal de vida. Decidi-me a empurrar a porta e entrar. Encontrei-me diante de uma velha escadaria, que parecia bem conservada. Empurrei a pesada porta e escutei o "clic" do fechamento. Estava preso na velha torre e não experimentei nenhum temor. "Pareceu-me que algo, em cima, tinha se movido. O menor ruído, naquele prédio silencioso, adquiria proporções enormes. Um grande vão dava acesso ao primeiro andar. Logo a escada tornava-se em caracol e cada andar dava saída na galeria ao redor da escada. As galerias eram muito escuras e estreitas.

Olhei para cima, através do vão e para manifestar minha presença, emiti um "alô!" sem ter a certeza que tal saudação era a mais adequada naqueles locais. Em seguida, vindo de um andar superior, ouvi claramente: "Entre, entre!" . Subi imediatamente

" ... Finalmente cheguei ao andar superior e vi que este consistia de um recinto de forma quadrangular, com diversas janelas pequenas. As paredes estavam cheias de estantes com livros, aparentemente muito velhos. Havia duas mesas no recinto, de aspecto comum e muito gastas e uma vintena de velhas sillas, as quais, em troca, despertavam maior interesse por seu estilo antigo e uma escrivaninha velha coberta de manuscritos e de utensílios necessários para selar documentos. Havia também uma vela, cera, fósforos, alguns produtos químicos, uma caneta tinteiro, tinta e alguns mapas astrológicos.

O homem que me recebeu era um ancião. Tinha uma barba cinzenta e uma vasta cabeleira levemente eriçada, de um branco puro, que lhe caíam sobre os ombros. Mantinha-se ereto e sua estatura elevada, seus ombros largos e sua distinção eram imponentes. Seus olhos castanhos surpreendiam pelo seu brilho. Falava com uma voz suave e seus gestos eram rápidos. Vestia uma túnica bordada com alguns símbolos que me eram desconhecidos, porém, que não são desconhecidos por aqueles que são membros da Rosacruz AMORC.

Me dirigi a ele em inglês: "Eu me apresento sem ter sido convidado, senhor e se o faço, é porquê, em primeiro lugar, sinto que este prédio é de grande interesse para mim e em segundo lugar, porque o senhor me disse para entrar. Estou em busca de uma informação difícil de obter e talvez o senhor possa me ajudar em minha investigação, tanto que, pelo que vejo, o senhor parece estar interessado em astrologia", eu lhe disse, apontando para os mapas que se achavam sobre a escrivaninha.

Respondeu-me em um excelente inglês, porém, com pronunciado sotaque francês: "Você não é nenhum intruso, meu amigo. Você conhece a astrologia e sabe, portanto, o que são "direcionamentos". Digamos, pois, que você tenha sido "direcionado" até aqui. Tenho aqui, sobre minha escrivaninha, sua tema natal (certidão de nascimento??) Eu o estava aguardando". "Tenho também uma carta preparada para você. Ela te será útil. Sei da investigação que você está empreendendo e esta carta é a resposta à sua pergunta. Porém, sente-se. Tenho muitas coisas para te ensinar e explicar".

"Tens buscado a Ordem Rosacruz de forma séria e quer ser membro dela. Talvez seu desejo possa ser realizado, mas, e depois? Irá participar da grande obra? Aceitará perpetuar a ordem em seu país? Te serão necessários coragem, bravura e decisão".

Depois de ter-lhe dito que o tinha observado desde sua chegada à Paris e durante toda a sua estada no Sudoeste e que as informações relativas a ele eram altamente favoráveis o sábio mostrou a Spencer Lewis alguns documentos autênticos de interêsse apaixonante referentes a Tradição Rosacruz.

" .. Antes de deixar esta torre, à qual você não mais terá oportunidade de voltar, vou mostrar-te nossos arquivos. Sou o "Grande Secretário". É aqui que conservamos os arquivos de nossos fratres e sorores (irmãos e irmãs) desde que a Ordem se estabeleceu neste país. Nunca se extraviou nada, nem o relato mais insignificante em sua aparência. É aqui que irão ser classificadas suas cartas, suas informações e sua correspondência concernente ao seu trabalho. O olho vê tudo, o pensamento onisciente recebe e tudo ocupa lugar em nossos arquivos ...

Em seu relato, Lewis diz que além de livros, documentos, etc. "... Vi relíquias raras vindas de Jerusalém e de outras cidades e países. Por último, vi o juramento feito por Lafayette à Ordem, antes de sua partida para a América. Lafayette, primeiro rosacruz francês vindo ao meu país. Que O SEU nome seja sempre sagrado para a Ordem na América. Em seguida, conforme o relato, o ancião diz a Lewis que esteja preparado para participar de uma cerimonia impressionante, que terá lugar em breve.

Alguns dias mais tarde, chega um automóvel.

"O automóvel" – continua Lewis em seu relato – "cruzou o par de quilômetros que nos separavam dos limites da cidade e logo tomou rumo via uma estrada paralela a um riacho, até a antiga cidade de Tolosa. Tolosa foi a primeira cidade romana da região e hoje está em ruínas. O percurso que fizemos é muito interessante. Finalmente, chegamos a uma grande mansão, rodeada por altos muros e o automóvel atravessou o portal de entrada. Os magníficos canteiros de flores e o césped bem cuidado da chácara saltaram à minha vista. À esquerda da chácara, um castelo parecia flutuar no cimo de uma colina verdejante. Mais além do portal, vi algumas velhas casas, uma delas quadrangular e que era particularmente atraente. O automóvel parou nas proximidades dela e na entrada, fomos recebidos por um jovem de uniforme que, pelo seu corte, parecia ser militar. Parecia conhecer o condutor e estendeu-lhe calorosamente a mão. Em seguida voltou-se para mim e, por intermédio de gestos, deu a entender que deveria entregar-lhe uma carta ou bilhete. Entreguei-lhe a carta que o grande secretário me tinha confiado. O jovem, depois de tê-la lido, saudou-me cordialmente e fez com que eu entrasse em uma grande sala de espera.

"A casa era muito antiga. Era inteiramente construída de pedra, sendo que estas estavam visívelmente gastas, até o ponto de se perguntar como o prédio ainda estava em pé. Ao término de alguns minutos fui apresentado a uma mulher de idade, a qual, inclinando-se, me ofereceu sua mão e me acompanhou ao andar superior, do qual fui conduzido, com a mesma cerimonia, para um recinto menor. Ali me entregaram alguns papéis que continham as instruções reservadas a mim" .

"Desta forma, fui informado que encontraria os oficiais da Grande loja ao cair do sol, isto é, três horas mais tarde e que, por enquanto, deveria estudar atento às instruções que me foram entregues e, também, descansar um pouco. Naturalmente, não posso publicar aquelas instruções ... " Li e reli as instruções e depois me acomodei. Li as instruções uma vez mais e adormeci sobre o antigo sofá, naquela sala de paredes de pedra, nesse misterioso prédio o qual, naquela época, era o grande templo da Ordem na França.

"... Nesta mesma noite fui iniciado na ordem da Rosacruz. Minha "travessia através do umbral" aconteceu naquele recinto memorável. Tomei compromissos solenes, recebi a grande benção e converti-me em um "frater" da Ordem no instante em que soava a meia-noite na torre desta residência secreta.

"Tinha encontrado a luz. A Rosacruz me tinha aceito e minha alma se estremeceu ao sentir o sopro da iluminação ...

Alguns dias depois, em Toulouse – conclui Sspencer Lewis – "... assisti a convocação mensal dos Iluminatti em outro prédio antigo, situado nas proximidades de Garona. O prédio tinha sido construído com pedras procedentes de diversas partes do Egito, da Espanha e da Itália. Estas pedras tinham sido parte de monumentos, templos e pirâmides, hoje em dia em ruínas. A pedra angular do prédio tinha sido transportada de Tell-el-Amarna, onde o grande mestre da Ordem viveu em certa época. A parte superior do prédio era utilizada nesta época como mosteiro rosacruz. Na adega havia uma gruta rosacruz. Esta "gruta" era ampla e seus muros eram construídos com pedras cinzentas, velhas, por entre as quais crescia o musgo e a umidade exsudava. Estava escorada por uma grande chaminé e sua única iluminação provinha de velas e tochas. Nesta gruta havia um altar, construído com madeira egípcia rara, magnificamente esculpido. Spencer continua:

"No dia de minha saída de Toulouse, me foram entregues vários documentos da mais alta importância. Os mesmos me investiam com a insígne responsabilidade de perpetuar as atividades da ordem na América. Eis aqui as últimas instruções que me foram entregues pelo mui venerável grande mestre da França, M.L ... :

"Frater, por estes documentos V.S. é nomeado legado da nossa ordem em seu país. Seus deveres e privilégios estão perfeitamente definidos neles. Os documentos que possue e as jóias que hoje lhe entrego, lhe permitirão trabalhar, quando chegado o momento e da maneira indicada. Quando tiver alcançado alguns progressos, encontrará um representante da Ordem no Egito. Ele lhe transmitirá outros documentos e outros selos. De tempos em tempos, algumas pessoas irão até V.S. que as reconhecerá pelos sinais habituais. Elas completarão os documentos que V.S. tem em seu poder para, dessa forma, entrar na posse de tudo o quando necessita para levar a término O SEU trabalho. Nosso secretário lhe enviará pessoalmente, com lacre, sob a proteção do govêrno francês (esta afirmativa é muito difícil de se manter e muito menos, acreditar nela, pois é absurdo pensar que o govêrno da França tenha patrocinado tais atividades, ou que tenha fornecido ou remetido documentos Rosacruzes e muito menos para o estrangeiro, onde poderia ocasionar um conflito diplomático pela fundação e manutenção de uma "associação secreta" em país estrangeiro) outros documentos, tão logo nós sejamos informados pelos nossos observadores que V.S. já obteve suficientes progressos. Seus informes semestrais nos mostrarão se V.S. está em condições de fornecer uma ajuda eficáz à nossa Ordem. Os donos do mundo se sentirão felizes em poder atender as suas necessidades, se isso for necessário e se a obra de nossa Ordem for fielmente executada, a paz profunda será compartilhada por um número cada vez maior de homens de boa vontade em seu país e no mundo".

Alquimia

Em adição aos seus inúmeros trabalhos, em 22 de Junho de 1916, Lewis anunciou publicamente a transmutação de zinco em ouro — durante uma demonstração clássica de princípios alquímicos, na cidade de Nova Iorque. Uma equipe de Grandes Mestres da AMORC, membros da AMORC, um cientistas e um jornalista assistiram de perto o processo, que era composto pela mistura de ingredientes selecionados. O cientista declarou que o resultado do experimento tinha as mesmas ""propriedade do ouro"", e tal anúncio consta na "American Rosae Crucis". Os ingredientes para a transmutação do ouro nunca foram revelados. No livro "Perguntas e Respostas Rosacruzes" foi explanado que o material necessário para a transmutação era de difícil obtenção, e a relação custo/benefício não compensava a transmutação.


Fundação da AMORC

Conforme relata Harvey Pencer Lewis em seus diversos escritos, uma vez "iniciado" em Toulouse, regressa a Nova York, onde começa um processo intenso de tradução e um esforço contínuo para decifrar os documentos que lhe foram confiados na França. Mas ele não estava sozinho, lemos em "Perguntas e Respostas Rosacruzes, com a Historia completa da Ordem Rosacruz":

"Antes de sair da França tive a satisfação de me relacionar com vários oficiais superiores; e quando regressei aos Estados Unidos, o delegado da India me entregou os documentos e jóias que haviam se conservado na antiga fundação rosacruz na Filadelfia.. De 1909 a 1915 o Conselho reuniu-se em minha casa ou na de outros membros, com a presença de pessoas descendentes dos antigos rosacruzes e de alguns iniciados na França entre 1900 e 1909.

"Em 1915 publicamos o primeiro manifesto oficial anunciando o começo de um novo ciclo da Ordem e imediatamente procedeu-se a eleição do primeiro Conselho Supremo da Ordem entre centenas de homens e mulheres cuidadosamente selecionados durante os sete anos precedente. Na primeira sessão oficial deste Conselho Supremo da Ordem nos Estados Unidos procedeu-se a nomeação aos cargos e grande foi minha surprêsa ao saber que o delegado da India havia recebido instruções para designar-me presidente do Conselho, em atenção aos meus trabalhos, durante os sete anos precedentes, ao estabelecimento da verdadeira Rosacruz nos Estados Unidos. Os demais cargos recairam em pessoas qualificadas e foram nomeadas comissões, com a finalidade de traduzir e adaptar às norte-americanas a constituição e demais documentos oficiais da Ordem na França ".

Em edição posterior do mesmo livro, a de 1973 se diz ainda:

"Durante anos tinha reunido um grande número de homens e mulheres que se interessavam na busca do esoterismo e da metafísica, de acordo com as diretrizes rosacruzes. Como editor de muitas revistas de caráter esotérico, tinha tomado conhecimento de diversos manuscritos rosacruzes e tinha descoberto que eu tinha ligações com os descendentes dos primeiros rosacruzes da América, que haviam se estabelecido na Filadelfia em 1694. Isso me deu acesso a muitos dos seus antigos documentos, manuscritos secretos e ensinamentos. Nós discutíamos e analisávamos estes documentos, para colocar seus conteúdos em prática. Entre nós, a sociedade composta por centenas de pessoas que tinham uma carreira profissional, era conhecida pelo nome de "Sociedade de Investigações Rosacruzes" .

As reuniões da sociedade aconteceram entre 1904 e 1909, em Nova York. Entendendo que não estávamos constituidos ou autorizados para usar o nome de Rosacruzes, a sociedade atuou publicamente sob o nome de Instituto de Pesquisas Psíquicas de Nova York. Entre 1909 e 1915, diversas reuniões oficiais do conselho realizaram-se na minha casa, com a presença de homens e mulheres descendentes dos primeiros iniciados da Ordem, alguns dos quais tinham sido iniciados na Ordem, na França, entre 1900 e 1909 ..."

Mas as primeiras tentativas de fundar uma Ordem Rosacruz na América não foram frutíferas, amargurado, diz em um dos seus escritos:

" Aqueles que eu pensava estivessem interessados não mostraram interêsse nenhum, senão antipatia. Lembro-me bem desta noite chuvosa, enquanto eu voltava, indo em direção à casa de uma senhora que vivia em Madison Avenue, perto da rua 34, com meus documentos sob o braço, a Carta e o "Livro negro" , abatido e perplexo. Dos 12 que estiveram reunidos, dentre 20 convidados, nem um só assinou os documentos preliminares da organização ... " .

Então, depois de ter refletido bem, Lewis se dá conta de que tinha se equivocado, apesar do auxílio de tantos iniciados e descendentes e que não era em 1914, senão em 1915 que tinha que reapresentar os documentos para assinatura ... devidamente auxiliado por um personagem misterioso, a delegada da India, mas esta é outra história, que iremos relatar a seguir.

Em diversas páginas foram feitas referências a um Delegado da Ordem Rosacruz na Índia, conforme os escritos de Lewis e que, em escritos posteriores, viria a ser uma mulher, muito misteriosa, cujo "retrato" aparece em uma das obras fundamentais do "doutor" Harvey Spencer Lewis (nota 1) intitulada "Manual Rosacruz", sob cujo retrato consta uma observação: " ... Sra. May Banks-Stacey, Co-fundadora e primeira Grande Matre dos Estados Unidos (veja-se referência histórica na página 153) ... "

Na página 153 do "Manual Rosacruz" e que corresponde a uma resenha biográfica de Harvey Spencer Lewis, se diz: " ... um membro do ramo inglês que patrocinou o primeiro movimento na América, a esposa do coronel May Bank-Stacey, descendente de Oliver Cromwel e dos D'Arcy, da França, colocou em suas mãos esses documentos, da mesma maneira e de forma oficial, como lhe haviam sido transmitidos pelo último dos primeiros Rosacruzes americanos, junto com a jóia e a chave de autoridade que ela recebeu do Grande Mestre da Ordem na Índia, quando era oficial da Ordem nesse país "....

Foi somente em 8 de fevereiro de 1915, que na presença de nove pessoas acontece uma reunião prévia para a fundação da AMORC e apenas no dia 1 de abril de 1915, às 20:30 horas, na presença de umas trinta pessoas assina-se um pronunciamento que diz:

"Em reunião devidamente constituída nós, abaixo-assinados, senhoras e cavalheiros da cidade de Nova York nos constituímos formalmente em membros do Conselho Supremo da Antiga e Mística Ordem da Rosa Cruz em concordância com os Ritos Antigos e Cerimônias e aprovação do mui Grande e Poderoso Grande Mestre Geral da América. Em consequência, levado ao conhecimento de todos a proclamação e estabelecimento da "Ordem Rosacruz na América" e reconhecemos os Oficiais da Grande Loja, cujos membros aqui constam, como devidamente eleitos em conformidade com o Primeiro Manifesto Americano.”

Nascia assim, a Ordem Rosa Cruz como hoje a conhecemos. É curioso observar como foi, de um ponto de vista histórico, providencial a vida de Spencer Lewis para a preservação da tradição Rosa Cruz. Nos anos imediatamente posteriores a Europa inteira foi dizimada por Guerras Mundiais. Se os manuscritos e a tradição não estivesse a salvo da destruição na América, muito do conhecimento das antigas escolas de Mistério teriam se perdido para sempre.. A tradição Egípcia, a escola iniciática Pitagórica, os mistérios neo-platônicos, a herança templária, o conhecimento dos alquimistas, enfim, toda tradição esotérica foi salva e foi perpetuada graças a vida e empenho de Harvey Spencer Lewis.

Bibliografia

Rosicrucian Principles for the Home and Business (março de 1929) (Traduzido para o portugues como: Princípios Rosacruz para o Lar e os Negócios. Biblioteca Rosacruz. Composto e Impresso na Grande Loja do Brasil - Curitiba, Paraná).
Ensinamentos e lições rosacruzes sobre a filosofia aplicada no trabalho, nas metas pessoais e no Lar.
Rosicrucian Questions and Answers with Complete History of the Order
Um livro duplo: Na primeira parte é contado a tradicional história da Ordem Rosacruz, com locais e datas específicas; Na segunda parte é composta de perguntas e respostas comuns aos que se interessam em ingressar na Ordem como membro.
The Mystical Life of Jesus A vida Mística de Jesus - Biblioteca Rosacruz. Composto e Impresso na Grande Loja do Brasil - Curitiba, Paraná)
Relacionado com a vida mística de Jesus; reconhecidamente influenciado pelo Evangelho Aquariano de Jesus Cristo, de Levi H. Dowling
The Secret Doctrines of Jesus A doutrina secreta de Jesus
Uma explanação dos vários símbolos, padrões e interpretações do trabalho de Jesus e seus doze Apóstolos
A Thousand Years of Yesterdays
Um obra de ficção, explanando sobre as reencarnação do homem.
Self Mastery and Fate with the Cycles of Life
Relacionado com o sistems de Ciclos da vida, similar em natureza ao bioritmo.
Rosicrucian Manual (1918, 1929 com re-impressões) Manual RosaCruz Biblioteca Rosacruz. Composto e Impresso na Grande Loja do Brasil - Curitiba, Paraná
Explana a estrutura da AMORC e inclui tudo que um novo membro rosacruz precisa saber.
Mansions of the Soul: The Cosmic Conception Mansões da Alma: A concepção Cósmica. Biblioteca Rosacruz. Composto e Impresso na Grande Loja do Brasil - Curitiba, Paraná
Dicerssão sobre o Significado da vida, Morte, o Além-morte e a reencarnação.
The Symbolic Prophecy of the Great Pyramid A Profecia Simbólica da Grande Pirâmide. Biblioteca Rosacruz. Composto e Impresso na Grande Loja do Brasil - Curitiba, Paraná
Apresenta uma interpretação da simbologia Egipcia, com velhas e novas discussões sobre o tema.
Mental Poisoning
Um exame racional sobre maldições e manipulação psíquica.

Referencia:

FUDOESI Document from AMORC Netherlands Website which lists the mystical credentials of Harvey Spencer Lewis (F.R.C., S.·.I.·., 33°66°95°, em inglês)

Nota 1: F.R.C. é um título Rosacruz.
Nota 2: S.·.I.·. É um título Martinista.
Nota 3: 33°66°95° são graus maçons.

Biografia Nimrod de Rosario



Luis Felipe Cires Moyano Roca (1946 - 1996), cuyo psudónimo es Nimrod de Rosario, fue un escritor argentino fundador de la Orden de Caballeros Tirodal de la República Argentina (OCTRA). Entre sus obras escritas, las más importantes son El Misterio de Belicena Villca y Fundamentos de la Sabiduría Hiperbórea.
La obra de Nimrod muestra una importante influencia del gnosticismo, especialmente de la doctrina de Samael Aun Weor. En ella es posible encontrar referencias al nacionalsocialismo, creando así, un sistema esotérico al que denominó "Sabiduría Hiperbórea".
Tuvo encuentro con personalidades del ámbito político y social dentro de su país y fuera de él, como Carlos Menem y David Goldberg, quien fuera Presidente de la Delegación de Asociaciones Israelitas Argentinas (DAIA) entre 1984 y 1991, cuestión que le ha valido críticas a su obra. A finales de 1973 viajaba a la Antártida en el Rompehielos ARA Gral. San Martín, base Belgrano la más austral del continente antártico, con la intención de buscar vestigios y evidencias relativas al III Reich.
Luis Felipe Moyano fue autor de la novela mágica "El Misterio de Belicena Villca y los de Fundamentos de la Sabiduría Hiperbórea", entre otros.
Compartió correspondencia temporal con Miguel Serrano. Pese a no ser amigos, compartieron algunas ideas, aunque sus obras divergían en algunos conceptos, por ejemplo respecto a la mujer “Kaly” o “Lilith” a quién se debía de elegir como pareja tántrica. Serrano era partidario del Camino de la mano derecha, mientras Moyano del Camino de la mano izquierda. Serrano afirmaba que una vez encontrada esa mujer, debían yacer desnudos en una cama, separados por una espada, sin tocarse y en esa sola noche la terrible ansia y atracción generaba una mutación en la pareja, deviniendo los cuerpos en vajra rojo. Moyano consideraba mejor practicar el maithuna con una mujer que no sea la pareja formal, inclusive una prostituta, la cual en pleno acto sexual, al constatar que a pesar de todas sus artes no podía arrancarle el semen al Virya, se abría en sus ojos, por su furia, la Puerta al Infinito. Ambos viajaron a la Antártida con el objetivo de investigar e integrar experiencias, Serrano en 1948, mientras que Moyano en 1973.
Moyano creó su propia Sociedad llamada la Orden de Caballeros Tirodal de la República Argentina (OCTRA), o simplemente "Orden Tirodal" (la cual algunos alegan que era continuación de una secta llamada Logia de Anael, nombre de un ángel de Yavé). Aunque la Orden Tirodal se disolvió, después distintos grupos de Latinoamérica basándose en sus obras se han proclamado como sus sucesores, tales como "Octirodae" de Gustavo Brondino, el "Veganismo" de Pablo Santa Cruz, y el "Vrilismo", los cuales promueven abiertamente el uso de drogas y "sexo mágico alternativo" como vía mística al estilo de Aleister Crowley. Otras como la "Gnosis Primordial" de México fundada por Herrou Aragón quien promueve el discordianismo que se fundamenta en la "magia del caos", corriente cuyo precursor, Austin Osman Spare, fue discípulo del propio Aleister Crowley, además de que esta corriente es más frecuente en antifascistas.



Algunos hechos sobre Nimrod de Rosario

Moyano afirmaba que la sociedad paramasónica Orden Hermética del Alba Dorada o Golden Dawn (fundada en 1888 por maestros masones de grado 33, Winn Wescot y Samuel Liddell MacGregor Mathers), en sus inicios era una "orden hiperbórea".
Afirmó que sus escritos le fueron revelados por "dioses hiperbóreos".
Su padre era un argentino mestizo de origen amerindio. Para ocultar este hecho, su madre afirmó que fue preñada por un "extraterrestre ario" y él nació como resultado.

Sabiduría Hiperbórea

La Sabiduría Hiperbórea desarrollada por Moyano extrae su nombre de Hiperbórea, lugar que, según el propio Moyano, no es un lugar físico real y nunca lo ha sido, sino que se trata de un plano espiritual superior.
La Sabiduría Hiperbórea es seguida por distintos grupos esotéricos y gnósticos independientes entre sí, postula una visión revisionista histórica de la lucha entre los viryas al servicio de Wotan Lucifer al que también llaman Navután en contra del Demiurgo o creador del universo material, y sus sirvientes. Entre sus postulados se incluye:
La Atlántida fue destruida cuando el enfrentamiento entre los dioses liberadores y los dioses traidores que encadenan el espíritu se extendió a la tierra.
Los atlantes blancos se propagaron por el mundo tras la caída de la Atlántida teniendo como misión cumplir con un pacto de sangre con los dioses liberadores, luchando como guerreros. Opuestos a estos, los atlantes morenos llevaban a cabo un pacto cultural con los dioses traidores, oficiando como sacerdotes.
Existe un linaje familiar guardián del “Grial” que es una gema de la corona de Kristos Lúcifer que viaja a la inversa en el tiempo (del futuro al pasado), este linaje se conoce como la Casa de Tharsis. La mayor parte del tiempo habitaron la región de Iberia llamada Tartessos.
La sede espiritual de los Dioses Leales que ayudan a Navután en la liberación de los espíritus de la materia se encuentra en Agartha.
A la inversa, los Dioses Traidores y los altos maestros del dios Demiurgo llamado Jehová Satanás se localiza en Chang Shambhallá y se les llama la Fraternidad Blanca.
Los servidores del Demiurgo lo adoran en la forma de Moloc, de ahí que los fenicios y los cartagineses eran seguidores del Demiurgo y enemigos de la Casa de Tharsis.
Luego el Demiurgo selecciona a los judíos como pueblo elegido, escogiendo a Israel como su nación ante la cual deberán humillarse las demás naciones y estando al servicio del Demiurgo.
Los templarios practicaban el culto al Demiurgo Jehová Satanás. Entre otras cosas realizaban misas en Hebreo adorando a un ídolo hermafrodita llamado Bafoel o Bafomet (cuya verdadero nombre era Bera). Esta organización estaba al servicio de la Fraternidad Blanca, como subalternos inmediatos de Bera y Birsa. Su persecución y supresión fue realizada por los leales a la Casa de Tharsis, evitando así que los templarios impusieran la base financiera y militar de un gobierno mundial. De los templarios derivan los masones.
La Orden Dominicana fue integrada por hombres de piedra e iniciados (entre los que se incluían miembros de la Casa de Tharsis) al servicio de las fuerzas de Wotan y opuesta al Demiurgo, así mismo la Inquisición, controlada durante un breve tiempo por los dominicos, se usó para combatir a los judíos, templarios y órdenes monásticas al servicio de los golems.

Listado parcial de sus obras

El Misterio de Belicena Villca "Novela Mágica"

Además de los testimonios de testigos y colaboradores, la prueba escrita mas fehaciente es la carta redactada por Luis Felipe y dirigida a un editor de Estados Unidos. Allí expresa claramente su intención de que la Novela fuese publicada inicialmente en España y si fuera posible en Estados Unidos. En esta carta Luis Felipe califica de “obra maestra” a su Novela, augurándole un destino de best seller. Esta carta fue firmada con los nombres de su madre, Rosalía Taglialavore, vicepresidenta de la Editorial, quizás por una cuestión de modestia o de estrategia, pero su redacción y estilo son los inconfundibles de Luis Felipe. El original de esta carta se halla en el archivo familiar.

Fundamentos de la Sabiduría Hiperbórea (2 volúmenes)

Este libro es continuación de la Novela y aquí es expuesta la cosmovisión gnóstica completa de Luis Felipe. Su plan de edición y divulgación de este libro por la Editorial Kraken, se encuentra señalado al final de la primera edición de la Novela, edición de unas pocas decenas de ejemplares, que Luis Felipe realizó para entregarla a posibles editores y distribuidores.


La aventura del Dr. Arturo Siegnagel

La Historia Secreta de la Thulegesellschaft

Este libro, al igual que el anterior, debe ser leído como continuación de la Novela. Tanto los “Fundamentos…” como “Historia secreta de…” son citados en la Novela como continuación de la misma. También este libro se halla dentro del proyecto de edición y distribución que Luis Felipe detalla al final de su edición limitada de “El misterio de la Sabiduría Hiperbórea”.

Física Hiperbórea

Que Luis Felipe quería editar y publicar este libro lo explicita él mismo claramente en la página 193 de la edición facsímil de su “Fundamentos de la Sabiduría Hiperbórea” cuando dice: “… Sin embargo, una descripción tal solo se ha efectuado en el libro “Física Hiperbórea”, el cual se va a editar separado de los “Fundamentos…”. Esta frase demuestra además, en desmedro de aquellos que ocultan este libro negando su existencia, que para el momento en que Luis Felipe escribía los “Fundamentos…”, el libro “Física Hiperbórea” ya estaba escrito.
Lo dicho hasta aquí prueba irrefutablemente que las intenciones de Luis Felipe eran las de publicar y distribuir masivamente sus libros.

Invocações e Evocações: Vozes Entre os Véus

Desde as eras mais remotas da humanidade, o ser humano buscou estabelecer contato com o invisível. As fogueiras dos xamãs, os altares dos ma...