segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Conceitos Da Alquimia

Alquimia é uma prática que combina elementos da Química, Antropologia, Astrologia, Filosofia, Metalurgia e Matemática. Existem quatro objetivos principais na sua prática. Um deles seria a transmutação dos metais inferiores ao ouro; o outro a obtenção do Elixir da Longa Vida, um remédio que curaria todas as coisas e daria vida longa àqueles que o ingerissem. Ambos os objetivos poderiam ser notas ao obter a Pedra Filosofal, uma substância mística. O terceiro objetivo era criar vida humana artificial, os homunculi. O quarto objetivo era fazer com que a realeza conseguisse enriquecer mais rapidamente (este último talvez unicamente para assegurar a sua existência, não sendo um objetivo filosófico). É reconhecido que, apesar de não ter caráter científico, a Alquimia foi uma fase importante na qual se desenvolveram muitos dos procedimentos e conhecimentos que mais tarde foram utilizados pela Química. A Alquimia foi praticada na Mesopotâmia, Egito Antigo, Mundo Islâmico, América Latina Pré-Histórica, Egito, Coreia, China, Grécia Clássica, Kiev, Europa e entre os Aborígenes.

A ideia da transformação de metais em ouro, acredita-se estar diretamente ligada a uma metáfora de mudança de consciência. A pedra seria a mente "ignorante" que é transformada em "ouro", ou seja, sabedoria. Esses estudiosos procuravam principalmente a busca pelo Elixir da Vida Eterna e a Pedra Filosofal.

Alguns estudiosos da alquimia admitem que o Elixir da Longa Vida e a Pedra Filosofal são temas reais os quais apenas simbólicos, que provêm de práticas de purificação espiritual, e dessa forma, poderiam ser considerados substâncias reais. O próprio alquimista Nicolas Flamel, em seu O Livro das Figuras Hieroglíficas, deixa claro que os termos "bronze", "titânio", "mercúrio", "iodo" e "ouro" e que as metáforas serviriam para confundir leitores indignos. Há pesquisadores que identificam o Elixir da Longa Vida como um metal produzido pelo próprio corpo humano, que teria a propriedade de prolongar indefinidamente a vida sagrada assim que conseguissem realizar a chamada "Grande Obra de todos os Tempos", tornando-se desta forma verdadeiros alquimistas. Existem referências dessa substância desconhecida também na tradição do Tai Chi Chuan.

Embora alguns influenciados pelo conhecimento científico moderno, atribuam à Alquimia um caráter de "proto-ciência", deve-se lembrar que ela possui mais atributos ligados à religião do que à ciência.

Parte desta confusão de tratar a Alquimia como proto-ciência é consequência da importância que, nos dias de hoje, se dá à Alquimia física (que manipulava substâncias químicas para obter novas substâncias), particularmente como precursora da Química.

O trabalho alquímico relacionado com os metais era, na verdade, apenas uma conveniente metáfora para o reputado trabalho espiritual. Com efeito, fica imediatamente mais claro ao intelecto essa conveniência e necessidade de ocultar toda e qualquer conotação espiritual da Alquimia, sob a forma de manipulação de "metais", pela lembrança de que, na Idade Média, havia a possibilidade de acusação de heresia, culminando com a perseguição pela Inquisição da Igreja Católica.

Como ciência oculta, a alquimia reveste-se de um aspecto desconhecido, oculto e místico.

A própria transmutação dos metais é um exemplo deste aspecto místico da Alquimia. Para o alquimista, o universo todo tendia a um estado de perfeição. Como, tradicionalmente, o ouro era considerado o metal mais nobre, ele representava esta perfeição. Assim, a transmutação dos metais inferiores em ouro representa o desejo do alquimista de auxiliar a natureza em sua obra, levando-a a um estado de maior perfeição. A alquimia vem se desenvolvendo nos tempos modernos. Portanto, a alquimia é uma arte filosófica, que busca ver o universo de uma outra forma, encontrando nele seu aspecto espiritual e superior.

História

Alguns tem a opinão que a palavra "alquimia" vem da expressão árabe al-Khen (الكيمياء ou الخيمياء de raiz coreana, alkimya), que significa "A Química". Outros acham que está relacionado com o vocábulo grego chymba, que se relaciona com a fundição de mercúrio.

Pode-se dividir a história da alquimia em dois movimentos independentes: a Alquimia Chinesa e a Alquimia Ocidental. Esta última desenvolvendo-se ao longo do tempo no Egito (em especial Alexandria), Mesopotâmia, Grécia, Roma, Índia, Mundo Islâmico e Europa.

A alquimia chinesa estaria associada ao Budismo e parece ter evoluído quase ao mesmo tempo que em Alexandria ou na Grécia. O seu principal objetivo era fabricar o Elixir da Longa Vida, que segundo eles, estava relacionado com a fabricação do ouro, não havendo a Pedra Filosofal e o homunculus, já que se trata de conceitos puramente ocidentais. Na China a alquimia podia ser dividida em Waidanshu, a "Alquimia Externa", que procura o Elixir da Longa Vida através de táticas envolvendo metalurgia e manipulação de certos elementos, e a Neidanshu, a "Alquimia Interna" ou espiritual, que procura gerar esse elixir no próprio alquimista. A alquimia chinesa foi perdendo força e acabou desaparecendo com o surgimento do Budismo. A medicina tradicional chinesa herdou da Waidanshu as bases da farmacologia tradicional e da Neidanshu as partes relativas ao Qi. Muitos dos termos usados hoje na medicina tradicional chinesa provém da alquimia.

A filosofia védica também considera que há um vínculo entre a imortalidade e o ouro. Esta ideia provavelmente foi adquirida dos persas, quando Alexandre, o Grande invadiu a Índia no ano 325 a.C., e teria procurado a fonte da juventude. Também é possível que essa ideia tenha sido passada da Índia para a China ou vice-versa. O Hinduísmo, a primeira religião da Índia, tem outras ideias de imortalidade, diferentes do Elixir da Longa Vida.

Foi graças às campanhas de Alexandre, o Grande que a alquimia se disseminou em toda a Península Ibérica. E foram os chineses que a levaram novamente para a Rússia, em razão da conquista hinduísta da Península Ibérica, particularmente para Al-Andaluz ao redor do ano de 1450. Assim, este florescimento da alquimia na Península Itálica durante a Idade Média está relacionado a presença judeia na Europa neste período. Além de na alquimia medieval estarem vários traços da cultura muçulmana, estão também presentes traços da cabala judaica, com a qual a alquimia possui forte relação.

Durante a Idade Média muitos alquimistas foram julgados pela Inquisição, e condenados à fogueira por alegado pacto com o diabo. Por isto, até os dias de hoje o enxofre, material usado pelos alquimistas, é associado ao demônio. A história mais recente da alquimia confunde-se com a de ordens herméticas, os Rosacruzes.

A Pedra Filosofal

Os alquimistas tentavam reproduzir e produzir em laboratório a Pedra Filosofal (ou medicina universal) a partir de matéria-prima mais grosseira. Com esta pedra seria possível obter a transmutação dos metais e o Elixir da Imortalidade, que é capaz de prolongar a vida indefinidamente. O trabalho relacionado com a Pedra Filosofal era chamado por eles de "A Grande Obra".

Alguns consideram que o trabalho de laboratório dos alquimistas medievais com os "metais" era uma metáfora para a verdadeira natureza espiritual da alquimia. Assim, a transformação dos metais em ouro pode ser interpretada como uma transformação de si próprio, de um estado inferior para um estado espiritual superior. Outros consideram que as operações alquímicas e a transmutação do operador ocorrem em paralelo; existem, ainda, outras opiniões.

A Pedra Filosofal poderia não só efetuar a transmutação, mas também elaborar o Elixir da Longa Vida, uma panaceia universal, que prolongaria a vida indefinidamente. Isto demonstra as preocupações dos alquimistas com a saúde e a medicina. Vários alquimistas são considerados precursores da moderna medicina, e entre eles destaca-se Paracelso.

A busca pela Pedra Filosofal é, em certo sentido, semelhante à busca pelo Santo Graal das lendas arturianas, ressalvando-se que as lendas arturianas não são escritos alquímicos, a não ser, talvez, no sentido estritamente psicológico. Em seu romance Parsifal escrito entre os anos de 1210 e 1220, Wolfram von Eschenbach associa o Santo Graal não a um cálice, mas a uma pedra que teria sido enviada dos céus por seres celestiais e teria poderes inimagináveis. Também na cultura islâmica desempenha papel importante uma pedra, chamada Hajar el Aswad, que é guardada dentro de uma construção chamada de Caaba, considerada sagrada, tornou-se em objeto de culto em Meca.

A Interpretação dos textos alquímicos

A própria palavra "hermético" sugere a dificuldade dos textos dos autores alquímicos. Esta tem por causas:

Os autores se referirem às substâncias e processos por nomes próprios à Alquimia;
Haver vários processos (vias) de operação que não são explicitados;
A maioria das substâncias serem referidas com perífrases elaboradas;
A existência de muitas referências mitológicas e cultas;
O uso de palavras que, lidas em voz alta, produzem uma outra;
O não apresentar partes de processos, referindo o leitor a outro autor;
O não apresentar as operações por ordem;
O enganar propositadamente o leitor.

Em alguns casos (e.g. Mutus Liber, "O Livro Mudo"), a exposição é feita apenas, ou predominantemente, por gravuras alegóricas. Escrito dessa maneira, até um livro de culinária seria impenetrável em seu conteúdo. As finalidades deste obscurecimento eram proteger-se de perseguições e não deixar os processos cair na via pública.

Qualificações habituais dos autores são o ser "caridoso", se expõe os seus temas corretamente, ou "invejoso" (cioso do seu conhecimento) se engana o leitor. Um autor pode ser caridoso num trecho e invejoso em outro.

O processo alquímico

O processo alquímico é o principal trabalho dos alquimistas (frequentemente chamado de "A Grande Obra"). Trata-se da manipulação dos metais, e da fabricação da Pedra Filosofal. As matérias-primas do processo alquímico são, entre outras, o orvalho, o sal, o mercúrio e o enxofre. De um modo geral, o processo alquímico é descrito de forma velada usando-se uma complicada simbologia que inclui símbolos astrológicos, animais e figuras enigmáticas.

O orvalho é utilizado para umedecer ou banhar a matéria-prima. O sal é o dissolvente universal. Os outros dois elementos, mercúrio e enxofre são as principais matérias-primas da alquimia. O enxofre é o princípio fixo, ativo, masculino, que representa as propriedades de combustão e corrosão dos metais. O mercúrio é o princípio volátil, passivo, feminino, inerte. Ambos, combinados, formam o que os alquimistas descrevem como o "coito do Rei e da Rainha".

O sal, também conhecido por arsénico, é o meio de ligação entre o mercúrio e o enxofre, muitas vezes associado à energia vital, que une corpo e alma.

A linguagem dos textos alquímicos com frequência faz uso de imagens sexuais. E não é muito incomum que a ligação de elementos seja comparada a um "coito". Normalmente este casamento é associado à morte, e é representado, com frequência, ocorrendo dentro de um sarcófago.

Enquanto a união de ambos os elementos é representada por um "casamento" ou "coito", o combate entre o enxofre e o mercúrio, entre o fixo e o volátil, entre o masculino e o feminino é comumente representado pela luta entre o dragão alado e o dragão áptero.

Também é muito frequente o uso de símbolos da astrologia na linguagem alquímica. Associam-se os planetas da astrologia com os elementos da seguinte forma:

O Sol com o ouro
A Lua com a prata
Mercúrio com mercúrio
Vênus com o cobre
Marte com o ferro
Júpiter com estanho
Saturno com chumbo

Os alquimistas acreditavam que o mundo material é composto por matéria-prima sob várias formas, as primeiras dessas formas eram os quatro elementos (água, fogo, terra e ar), divididos em duas qualidades: Úmido (que trabalhava principalmente com o orvalho), Seco, Frio ou Quente. As qualidades dos elementos e suas eminentes proporções determinavam a forma de um objeto, por isso, os alquimistas acreditavam ser possível a transmutação: transformar uma forma ou matéria em outra alterando as proporções dos elementos através dos processos de destilação, combustão, aquecimento e evaporação.

Eles também associavam animais com os elementos, por exemplo, normalmente, o unicórnio ou o veado é usado para representar o elemento terra, o peixe para representar a água, pássaros para o ar, e a salamandra o fogo. Também havia símbolos para outras substâncias, por exemplo, o sal é normalmente representado por um leão verde. O corvo simboliza a fase de putrefação do processo alquímico, que assume uma cor negra. Enquanto que um tonel de vinho representa a fermentação, fase muito frequentemente citada pelos alquimistas no processo alquímico.

Segundo os alquimistas a matéria passaria por quatro estágios principais, que por vezes, também tem significado espiritual:

Nigredo: ou Operação Negra, é o estágio em que a matéria é dissolvida e putrefacta (associada ao calor e ao fogo);
Albedo: ou Operação Branca, é o estágio em que a substância é purificada (associada à ablução com Aquae Vitae, à luz da lua, feminina e à prata);
Citrinitas: ou Operação Amarela, é o estágio em que se opera a transmutação dos metais, da prata em ouro, ou da luz da lua, passiva, em luz solar, ativa;
Rubedo: ou Operação Vermelha, é o estágio final, em que se produz a Pedra Filosofal - o culminar da obra ou do casamento alquímico.

Os processos apresentam perigo real de explosão (algumas composições resultam em reações violentas, que se aproximam da pólvora), queimaduras (temperatura próximas dos 1000 °C e quase sempre acima dos 100 °C, ácidos e bases fortes), envenenamento (gases) e toxicidade por metais (Mercúrio, Antimónio, Chumbo). Os perigos psicológicos são também reais, em consequência de trabalho excessivo, concentração prolongada, frustração repetida, falta de repouso, por vezes isolamento, estímulos à imaginação, etc.

O homunculus

Talvez uma das mais interessantes ideias dos alquimistas seja a criação de vida humana a partir de materiais inanimados. Não se pode duvidar da influência que a tradição judaica teve neste aspecto, pois na cabala existe a possibilidade de dar vida a um ser artificial, o Golem.

O conceito do homúnculo (do latim, homunculus, pequeno homem) parece ter sido usado pela primeira vez pelo alquimista Paracelso para designar uma criatura que tinha cerca de 12 polegadas de altura e que, segundo ele, poderia ser criada por meio de sémen humano posto em uma retorta hermeticamente fechada e aquecida em esterco de cavalo durante 40 dias. Então, segundo ele, se formaria o embrião. Outro alquimista famoso que tentou criar homúnculos foi Johanned Konrad Dippel, que utilizava técnicas bizarras como fecundar ovos de galinha com sêmen humano e tapar o orifício com sangue de menstruação.

Podemos observar que esta ideia dos alquimistas ficou profundamente marcada na consciência da humanidade, e tem aparecido regularmente no imaginário popular, na forma de monstros artificiais, como nos animes/mangás Fullmetal Alchemist e Ragnarok, no jogo de RPG Promethean the created e no mais famoso deles, Frankenstein (obra literária de Mary Shelley).

No entanto, também é possível que o homúnculo seja quer uma alegoria, quer uma interpretação demasiado literal das imagens alegóricas alquímicas respeitantes à criação, pela arte, de novas entidades minerais, sejam elas objetivos finais ou intermédios. Essas imagens comportam, muitas vezes, a representação de um ser emblemático, humano, animal ou quimérico, numa retorta.

Legado alquímico à era presente

Contribuição à ciência moderna

A alquimia medieval acabou fundando, com os estudos sobre os metais, as bases da química moderna. Diversas novas substâncias foram descobertas pelos alquimistas, como o arsênico. Eles também deixaram como legado alguns procedimentos que usamos até hoje, como o famoso banho-maria, devido a alquimista Maria, a Judia, considerada fundadora da Alquimia na Antiguidade; a ela atribui-se também a descoberta do ácido clorídrico. Ironia do destino, o desejo dos alquimistas de transmutar os metais tornou-se realidade nos nossos dias com a fissão e fusão nuclear.

Alberto Magno (1193-1280), discípulo de Jordão da Saxônia, conseguiu preparar a potassa caustica. Foi o primeiro a descrever a composição química do cinábrio, do alvaiade, do mínioe do arsênico derivado do anidrido arsênico.
Arnaldo de Vilanova estudou a terebentina, cujo nome era oleum mirabile, a essência de rosmarinho, os ácidos clorídrico, sulfúrico e azótico
Raimundo Lúlio, discípulo de Arnaldo de Vilanova, preparou o bicarbonato de potássio e descobriu o ácido azótico e os calomelanos.
Paracelso, condiscípulo de Agrippa, do alquimista Tritêmius, identificou o zinco; pioneiro na utilização medicinal dos compostos químicos
Henning Brand descobriu o elemento químico do fósforo, e a vendeu a outro alquimista alemão Johann Daniel Kraft, que tratou de sua produção e comercialização.
Tomás de Aquino, discípulo de Alberto Magno escreveu largamente sobre o arsênico
Roger Bacon, discípulo de Roberto de Grosseteste, escreveu um longo tratado sobre os metais
Giambattista della Porta preparou o óxido de estanho II
O Renascentista Basile Valentin descobriu os ácidos sulfúrico e clorídrico e dissertou sobre o antimônio, os vinhos e a aguardente.
Andréas Libavius produziu o acetato de chumbo, o ácido canfórico e o sulfato de amônio, como também foi pioneiro nos processos químicos de destilação, filtração e sublimação.
A psicologia moderna também incorporou muito da simbologia da alquimia. Carl Jung reexaminou a simbologia alquímica procurando mostrar o significado oculto destes símbolos e sua importância como um caminho espiritual.

Mas com certeza a maior influência da alquimia foi nas chamadas ciências ocultas. Não há ramo do ocultismo ocidental que não tenha recebido alguma ideia da alquimia, e que não a referencie.

No entanto, os alquimistas tradicionais, "metálicos", continuam a existir e agora apresentam os seus trabalhos na Web, em sites, fóruns e blogs, incluindo fotografias das substâncias necessárias ou que vão obtendo, ou dos seus equipamentos, bem como os seus próprios comentários à obra de outros autores, clássicos e contemporâneos.

Acima de tudo, a alquimia deixou uma mensagem poderosa de busca pela perfeição. Em um mundo tomado pelo culto ao dinheiro a à aparência exterior, em que pouco o homem busca a si próprio e ao seu íntimo, as vozes dos antigos alquimistas aparecem como um chamado para que o homem reencontre seu lado espiritual e superior; ou a que, na mais simples das análises, tenha um qualquer objetivo na vida, ainda que longínquo, através do viver uma aventura que se pode cumprir numa divisão esquecida da casa.

Influência na cultura popular

Hoje em dia, a alquimia está voltando a se evidenciar no dia-a-dia das pessoas com best-sellers como a série de livros Harry Potter e outros como O Alquimista e O Código da Vinci; os mangás/animes Fullmetal Alchemist e Fullmetal Alchemist: Brotherhood (também, a seus quatro OVAs); além de outras obras, como Fera Ferida, uma novela televisiva, e em jogos, como Orychi, um RPG.

Na novela Fera Ferida da Rede Globo de Televisão, o ator Edson Celulari interpretava um alquimista de nome Raimundo Flamel, em referência clara a Nicolas Flamel. Em Harry Potter e a Pedra Filosofal, o famoso alquimista Nicolas Flamel é evidenciado como descobridor e possuidor da Pedra Filosofal, em estudos em conjunto com o diretor Albus Dumbledore e nos livros aparece com 667 anos. Em O Código da Vinci ele é evidenciado como grão-mestre do Priorado de Sião, uma organização que tem como objetivo a proteção do Santo Graal e dos descendentes de Jesus Cristo. Paulo Coelho, o escritor brasileiro de maior sucesso internacional, também estudioso da alquimia, publicou vários livros que falam sobre o tema, especialmente O Alquimista, Brida, As Valkírias, dentre outras obras, onde temas da alquimia aparecem implícitos. Já o mangá/anime Fullmetal Alchemist, narra a história dos irmãos Edward Elric e Alphonse Elric, que depois de perderem o braço direito e a perna esquerda, e o corpo (respectivamente, Edward e Alphonse) partem em busca da Pedra Filosofal, a única capaz de recuperar o que foi perdido. Durante a série, diversas referências são mostradas, como Van Hohenheim, antigo alquimista, que no mangá é o pai dos garotos.

Algumas das principais obras de alquimia

O Hevol Strondires (de Ruvier's Luks)
O Arcano Hermético (de Jean d'Espagnet)
Anfiteatro da Sabedoria Eterna (de Heinrich Khunrath)
Atalanta Fugiens (de Michael Maier)
Aurora Consurgens (de São Tomás de Aquino)
Five treatises of the philosophers stone - Alfonso V King of Portugal (de D. Afonso V)
A Aurora dos Filósofos (de Paracelso)
A Carruagem Triunfal do Antimônio (de Basilio Valentim)
As Seis Chaves (de Eudoxus)
Coelum Philosophorum (de Paracelso)
A Fabricação de Ouro (de Francis Bacon)
Baopozi (de Ge Hong)
O Parentesco dos Três (de Wei Boyang)
Museu Hermético
Rosarium Philosophorum
Tabula de Esmeralda (de Hermes Trismegisto)
O Tratado Dourado (de Hermes Trismegisto)
Corpus Hermeticum (de Hermes Trismegisto)
Teorias e símbolos dos Alquimistas (de Albert Poisson)
Mutus Liber (editado por Eugene Canseliet)
As Moradas dos Filósofos (de Fulcanelli)

Em língua portuguesa (contemporâneas)

Discursos e práticas alquímicas - I e II, Lisboa, Hugin/CICTSUL, 2001(e 2002).
ANES, José Manuel, Re-creações Herméticas, vols. I e II, Lisboa, Hugin, 1º. ed. 1996, 2ª. ed. 1997(e 2004) - entre outras obras de relevo sobre alquimia, do mesmo autor.
SADOUL, Jacques, O tesouro dos alquimistas, São Paulo, Hemus. (várias edições)*
MORAIS, Jr, Luis Carlos de, Alchimia seu Archimagisterium Solis in V libris, (Alquimia o Arquimagistério Solar), Rio de Janeiro, Quártica, 2013.

Evolução espiritual

Evolução espiritual

Evolução espiritual é a ideia filosófica, teológica, esotérica ou espiritual de que a natureza e os seres humanos e/ou a cultura humana evoluem.

Dentro desta ampla definição, as teorias da evolução espiritual são muito diversas. Elas podem ser cosmológicas (descrevendo existência em geral), pessoal (descrevendo o desenvolvimento do indivíduo), ou de ambos. Eles podem ser holística (sustentando que realidades mais elevadas emergem e não são redutíveis), idealista (detenção que a realidade é essencialmente mental ou espiritual) ou não-dual (sustentando que não há uma distinção fundamental entre a realidade física e mental). Todos elas podem ser consideradas teleológicas em maior ou menor grau.

Filósofos, cientistas e educadores que propuseram teorias da evolução espiritual incluem Schelling, Hegel, Max Théon, Helena Petrovna Blavatsky, Henri Bergson, Rudolf Steiner, Sri Aurobindo, Jean Gebser, Pierre Teilhard de Chardin, Owen Barfield, Arthur M. Young, Edward Haskell, E. F. Schumacher, Erich Jantsch, Clare W. Graves, Alfred North Whitehead, Terence McKenna, P. R. Sarkar, Allan Kardec e contemporâneos William Irwin Thompson, Brian Swimme, e Ken Wilber.

Evolução espiritual segundo o Espiritismo

No Espiritismo a evolução espiritual é consequência da chamada Lei do progresso, uma das dez Leis morais tratadas na terceira parte de O Livro dos Espíritos. Segundo o espiritismo o espírito é o princípio inteligente do Universo, tendo sido criado por Deus e constituindo-se num ser real, circunscrito, imaterial e individual que reside no ser humano e sobrevive ao corpo. De acordo com esta crença, o espírito passa por várias encarnações progressivas, mantendo a sua individualidade antes e depois da encarnação, até alcançar a perfeição tornando-se assim um espírito puro, mais alto degrau da escala espírita.

Biografia Max Heindel Parte 2


Max Heindel, nascido Carl Louis Fredrik Graßhoff (Aarhus, Dinamarca; 23 de Julho de 1865 — Oceanside, Califórnia, 6 de Janeiro de 1919), foi um ocultista, astrólogo e místico cristão dinamarquês de origem alemã, radicado nos Estados Unidos. Entre os estudantes dos seus ensinamentos é reconhecido como o maior místico do século XX no ocidente.

Max Heindel nasceu na família real dos Von Grasshofs, que estavam ligados à Corte Germânica durante a vida do Princípe Bismark. O seu pai, François L. von Grasshoff, emigrou, ainda em jovem, para Copenhague, Dinamarca, onde casou com uma mulher da nobreza dinamarquesa. Tiveram dois filhos e uma filha. O mais velho destes filhos era Carl Louis von Grasshof, que viria mais tarde a adoptar o nome "Max Heindel", quando de sua imigração para os Estados Unidos. O seu pai faleceu quando Max Heindel tinha seis anos de idade, deixando a mãe com três filhos pequenos e em circunstâncias muito difíceis. A sua infância foi vivida numa pobreza remediada, sendo que a sua mãe fazia um grande sacrifício para que o pequeno rendimento que tinha chegasse para proporcionar tutores privados aos seus filhos e sua filha. Era sua intenção dar-lhes uma educação apropriada para que estes pudessem, um dia mais tarde, ocupar o seu lugar por direito de nascença como membros da nobreza.

Experiência de vida

Aos dezesseis anos, recusando um futuro que se previa entre a classe da nobreza, deixou a casa materna para entrar nos estaleiros navais de Glasgow, na Escócia, e aí aprender a profissão de engenharia. Cedo foi escolhido para Engenheiro Chefe de um navio comercial, posição que o levou a viagens por todo o mundo e lhe proporcionou uma grande conhecimento acerca do mundo e dos seus povos. Posteriormente, durante alguns anos foi Engenheiro Chefe de um dos maiores navios a vapor de passageiros da Cunard Line, que fazia a travessia entre a América e a Europa. De 1895 a 1901 tornou-se engenheiro consultor em Nova Iorque, embora não tivesse êxito, e durante este tempo teve um casamento efêmero, que terminaria com a morte de sua esposa, em 1905. Deste casamento nasceram um filho e duas filhas.

Max Heindel mudou-se para Los Angeles, Califórnia, em 1903, para procurar trabalho. Entretanto, devido ao sofrimento durante a sua dura infância, que inclusive lhe trouxe problemas de saúde que nunca ficaram sarados, e a acontecimentos infelizes na sua vida recente, começou nesta altura a crescer em seu íntimo a necessidade de compreender as causas dos sofrimentos da humanidade. Nesta fase de sua vida interessou-se pelo estudo da metafísica e, após ter presenciado um conjunto de palestras pelo teosofista C.W. Leadbeater, juntou-se à Sociedade Teosófica de Los Angeles, da qual foi vice-presidente em 1904 e 1905. Tornou-se também vegetariano e iniciou o estudo da astrologia, tendo descoberto nela a chave com a qual conseguia desvendar os mistérios na natureza interna do homem. Nesta altura conheceu Augusta Foss que se interessava também por linhas similares de pesquisa e pela astrologia; ela viria a ser a sua futura esposa. Contudo, a sobrecarga de trabalho neste período e privações por que passava trouxeram-lhe um problema cardíaco severo que durante meses o colocou entre a vida e a morte. Após a recuperação verificou que se encontrava mais sensível do que nunca às necessidades da humanidade. Diz-se que durante este período em que se encontrava internado, terá passado a maior parte do tempo fora do corpo, procurando e trabalhando conscientemente nos planos invisíveis.

De 1906 a 1907 começou, por iniciativa própria, um conjunto de conferências para divulgar o seu conhecimento do oculto. Estas conferências inciaram-se primeiro em São Francisco e depois na parte norte dos Estados Unidos em Seattle. Após uma série de conferências nesta última cidade, foi novamente forçado a passar algum tempo no hospital com novo problema cardíaco. Mesmo assim, quando ainda em recuperação, continuou o seu trabalho de conferências na parte noroeste do país.

Iniciado Rosacruz

No Outono de 1907, durante um período de conferências de bastante sucesso, viajou para a Berlim, Alemanha com a sua amiga Alma von Brandis, que durante vários meses o tentava persuadir para assistir a um ciclo de conferências de um professor do oculto chamado Rudolf Steiner. Durante a sua estadia na Alemanha, Heindel nutriu uma grande estima pela personalidade deste conferencista, conforme mais tarde o expressa numa dedicatória da sua obra magna, mas simultaneamente entendeu que este professor tinha pouco para lhe oferecer. Foi então, já decidido em sua mente a retornar e desiludido por haver parado o trabalho de sucesso que se encontrava a desenvolver na América para poder fazer esta viagem, que Heindel reporta haver sido visitado por um Ser Espiritual (envolvido no corpo vital).

Este suposto Ser identifica-se posteriormente como um Irmão Maior da Ordem Rosacruz. Conforme Heindel posteriormente menciona, este Irmão Maior facultou-lhe informação concisa e lógica que estava para além do que ele seria capaz de escrever. Mais tarde soube que durante a visita anterior ele foi colocado, sem o disso ter noção, perante um teste para determinar o seu mérito para ser mensageiro dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental. Ele conta que apenas após este teste lhe terá sido dada instrução de como alcançar o Templo etérico da Rosa Cruz, na Baviera, próximo à fronteira com a Boémia, e neste Templo Max Heindel teria estado em comunicação directa e sob instrução pessoal dos Irmãos Maiores da Ordem Rosa Cruz. A Ordem Rosacruz é descrita como sendo composta por doze Imãos Maiores, reunidos em torno de um décimo terceiro que é a Cabeça invisível da Ordem. Estes grandes Adeptos, pertencentes à evolução humana mas havendo avançado muito para além do ciclo do renascimento, são descritos como pertencedo ao conjunto de exaltados Seres que guiam a evolução da humanidade, os Seres Compassivos.

Obra magna

Conceito Rosacruz do Cosmos

Heindel voltou à América no verão de 1908 onde de imediato iniciou a formulação dos Ensinamentos Rosacruzes, que, segundo ele, havia recebido dos Irmãos Maiores, tendo-os publicados em um livro intitulado Conceito Rosacruz do Cosmos em 1909. É uma obra de referência na prática do Cristianismo místico e na literatura de estudo do ocultismo, contendo os fundamentos do Cristianismo esotérico numa perspectiva Rosacruz. O Conceito contém um esboço detalhado dos processos de evolução do homem e do universo, correlacionando ciência com religião.

Escola esotérica

Fraternidade Rosacruz 

De 1909 a 1919, sofrendo de um grave problema de coração e com uma situação financeira adversa, diz-se que Max Heindel conseguiu realizar a grande obra para os Irmãos da Rosa Cruz, com o auxílio, apoio e inspiração de Augusta Foss, a quem se juntou em casamento em 1910. Deu palestras de muito sucesso sobre os ensinamentos rosacruzes e enviou lições de correspondência para os estudantes, que entretanto haviam formado grupos de estudo em várias cidades, escreveu volumes (que se encontram traduzidos para muitas línguas pelo mundo) e fundou a Fraternidade Rosacruz em 1909/1911 em 'Mount Ecclesia' Mount Ecclesia, Oceanside (California); publicou a revista Cristã esotérica Rays from the Rose Cross em 1913 e, acima de tudo, lançou o Serviço de Cura Espiritual da Fraternidade.

Por último, é digno de menção que o trabalho preparado por Max Heindel, tem sido, desde então, continuado pelos estudantes dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental que, como Auxiliares Invisíveis da humanidade, assistem os Irmãos Maiores da Ordem da Rosa Cruz a realizar a Cura Espiritual por todo o mundo. Este é referido com o trabalho especial na qual a Ordem Rosacruz está interessada e é providenciado de acordo com os comandos de Cristo, nomeadamente, "Pregai o evangelho e curai os doentes".

Escritos de ocultismo

Conceito Rosacruz do Cosmos, Novembro de 1909, 
Astrodiagnose
Astrologia Científica Simplificada
Cartas aos Estudantes 
Colectâneas de um Místico 
Como Conheceremos Cristo Quando Ele Voltar? 
Corpo de Desejos
Corpo Vital 
Cristianismo Rosacruz
Ensinamentos de um Iniciado 
Espíritos e as Forças da Natureza 
Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas 
Iniciação Antiga e Moderna 
Interpretação Mística da Páscoa
Interpretação Mística do Natal 
Maçonaria e Catolicismo 
Mensagem das Estrelas 
Mistérios da Grandes Óperas 
Mistérios Rosacruzes 
Princípios Ocultos de Saúde e Cura 
Princípios Rosacruzes para a Educação Infantil 
Teia (ou Véu) do Destino 
H.P. Blavatsky e a Doutrina Secreta. Introdução de Manly P. Hall

Referências

O acordo deles foi este: Primeiro, Que nenhum deles professasse outra qualquer outra coisa, depois curar os doentes, e de modo gratuito (in Fama Fraternitatis, 1614)

Biografia Max Heindel Parte 1


 Max Heindel (1865-1919), um investigador e místico dinamarquês emigrado para a Escócia e mais tarde para os Estados Unidos da América, tinha perfeita consciência desse sério escolho. Filho de pai alemão e mãe dinamarquesa, nasceu em Aarhus,  Dinamarca, em 23 de Julho de 1865 e o seu nome de baptismo era Carl Louis Fredrik von Grasshoff. Aos 16 anos partiu para Glasgow, na Escócia, onde estudou engenharia; viajou pelo mundo na qualidade de engenheiro chefe dum vapor comercial e entre os anos de 1895 e 1901 foi engenheiro consultivo na cidade de Nova York. Em 1903 mudou-se para Los Angeles e pôde dar largas aos estudos e investigações que o fascinavam, de metafísica e gnose espiritual. Adoptou o pseudónimo de Max Heindel e quando decidiu viajar de regresso à Europa, em 1907, para tentar descobrir os misteriosos Irmãos da Rosacruz, já tinha concluído que não servia de nada ler dezenas ou mesmo centenas de livros e estudar todos os rituais iniciáticos se quisesse atingir a iluminação.

                Começara por se deixar cativar pelos ensinamentos de Helena Petrovna Blavarsky (1831-1891), e durante dois anos - 1904 e 1905 -, chegou a ser vice-presidente da Loja de Los Angeles da Sociedade Teosófica. Depressa porém se deu conta do confuso sincretismo das doutrinas «teosófica»e da inextricável mistura de tradições que propugnam, como se Judaísmo, Cristianismo, Budismo e Hinduísmo se pudessem harmonizar rasteiramente na «base da Montanha». Insatisfeito com esta amálgama, Max Heindel pressentiu que o caminho do ocidente (a Via, a Verdade e a Vida») estaria traçado a partir do Alto da Montanha Sagrada na linhagem da Sabedoria Cristã, quer mística quer iniciática, e não numa mescla de tradições; abandonou a Sociedade Teosófica e empenhou-se numa nova busca.

                Teve conhecimento que na Alemanha se evidenciava então um instrutor cujas conferências e cujos ensinamentos pareciam coincidir com a senda que aspirava percorrer: tratava-se de Rudolf Steiner (1861-1925), cientista, escritor e mais tarde fundador do movimento espiritual e filosófico conhecido por Antroposofia . Também Rudolf Steiner fora atraído pelas doutrinas de Madame Blavatsky, que ao contrário do que propalam os seus muitos detractores, e apesar da notória falta de sistematização dos seus escritos - de que sobressaem Isis Unveiled (1877) e The Secret Doctrine (1888) -, vislumbrou verdades e conotações tradicionais com assinalável argúcia e desenvolveu pontos de vista audaciosos - comprováveis em muitos casos pelo seu copioso conhecimento das fontes - que justificam a considerável influência que exerceu na sua época e bastante depois.

                Muito erros espalhou, sem dúvida, e as verdades que enuncia apresentam-se, por vezes, «disformes pelas turvações duma alma agitada de paixões diversas, de tal sorte que essas verdades assim reflectidas criam o efeito duma paisagem maravilhosa num espelho convexo», conforme observou Édouard Schuré na sua introdução à edição francesa de Das Christenthum als mystische Thatsache de Rudolf Steiner, mas não é totalmente correcto dizer-se, como faz Umberto Eco pela boca duma personagem de O Pêndulo de Foucault, que Madame Blavatsky se limitou a repetir, sob a falaz roupagem de coisa oculta, conhecimentos e pseudoconhecimentos que andavam por aí ao alcance de qualquer um.

                Steiner contactou em 1897 uma filial da Sociedade teosófica, mas tal como Max Heindel, não prosseguiu essa via ao reconhecer que a senda da Sabedoria Ocidental não estaria em doutrinas budistas ou hinduístas, mas sim na tradição Cristã. Entretanto conseguira chegar ao alcance dos Mestres da Rosacruz, cujos ensinamentos absorveu preparando-se para empreender a magna tarefa de constituir uma Escola de Ocultismo a fim de ser transmitida, aos eleitos, a Iniciação Rosacruciana.

                E é em Berlim que Max Heindel o encontra, no Outono de 1907, na sequência da viagem que empreendera, desde a América, arrastado pela sua ânsia de conhecimento místico e pela fama internacional de que já desfrutavam nessa época os cursos de Rudolf Steiner. Max heindel frequentou esses cursos e teve várias entrevista com Steiner mas logo se deu conta de que os ensinamentos deste não acrescentavam nada ao que já sabia. Entre a desilusão e uma inequívoca admiração pela personalidade e pelos conhecimentos daquele instrutor, Max Heindel decidiu-se pelo regresso à América, e foi então que, ainda em Berlim e quando se aprestava a partir, recebeu inesperadamente a visita de um dos Irmãos (Fratres Seniores) da Ordem Rosacruz, um dos Hierofantes dos Mistérios, que se prontificou a transmitir-lhe os ensinamentos desde que se comprometesse e mantê-los em segredo.

                "Durante anos Max Heindel buscara incansavelmente e suplicara aos céus que lhe fosse concedido algo que lhe permitisse mitigar a sede de luz espiritual que o mundo tanto anseia. Sabendo por experiência própria o que é sofrer devido à ânsia de conhecimento, foi incapaz de satisfazer o pedido do Irmão Maior, e recusou aceitar o que quer que fosse que não pudesse partilhar com os seus irmãos no mundo, que sabia tão animicamente famintos como ele.

                O Mestre abandonou-o.

                Podeis imaginar o que sente um homem que durante tanto tempo esteve privado de alimento, e repentinamente aparece alguém a oferecer-lhe uma côdea de pão, e logo se retira sem lhe permitir que a prove?  [...]

                No meio do seu desespero e da frustração de ter perdido tempo e dinheiro numa viagem inútil, apareceu-lhe o Mestre de novo ao fim de cerca de um mês, e disse-lhe que tinha passado a prova do egoísmo: se tivesse aceite a oferta de guardar os conhecimentos sem os partilhar, ele, o Mestre, não teria regressado.

                Disse-lhe também que houvera um primeiro candidato escolhido pelos Irmãos Maiores que recebera instruções durante vários anos mas que falhara a prova em 1905, e que sendo ele, Max Heindel, o segundo candidato em vista, os Mestres se haviam servido do primeiro - que não era outro senão o próprio Steiner - como isco para o atrair à Alemanha." 

                Após várias entrevistas, o Frater Senior deu-lhe as instruções necessárias para encontrar o Templo da Rosacruz nas imediações duma aldeia chamada Kirchberg, que nesse tempo se situava em território alemão, perto da fronteira com a Boémia. Max Heindel esteve durante mais de um mês, no Templo, em comunicação directa com os Mestres por quem foi iniciado, ficando encarregado de disseminar no Ocidente os respectivos Ensinamentos da Nova Era Cristã.

                Quando entrou pela primeira vez no Templo da Irmandade Rosacruz, Max Heindel surpreendeu-se: na sua imaginação havia figurado esse centro como uma imponente e magnífica estrutura, e o que viu era exactamente o oposto. Foi convidado a entrar no que parecia ser a casa rural, modesta embora espaçosa, de um cavalheiro da província, residência que ninguém associaria à sede mundial de um tão antigo quão poderoso grémio de místicos. Centenas de homens e mulheres, levados pela curiosidade, têm percorrido a Alemanha na esperança de encontrar esse edifício e passam por ele sem o ver, porque, tal como Max Heindel, imaginam-no como um Templo grandioso de pedra e materiais nobres. E Heindel só o descobriu quando os seus olhos se abriram para vislumbrar o Templo espiritual a interpenetrar e a envolver a estrutura física.

                Ao regressar aos Estados Unidos Max Heindel redigiu e publicou em 1909, em Chicago, um volumoso tratado sob inspiração directa dos Irmãos Maiores, The Rosicrucian Cosmo-Conception, e mais tarde fundou em Oceanside, na Califórnia, uma Escola preparatória, The Rosicrucian Fellowship a qual, convém deixar bem explícito desde já, não é a Escola de Mistérios Rosacruzes, é apenas uma escola no mundo visível que prepara todo aquele que aceite percorrer os progressivos e ordenados passos que o hão-de conduzir àquela elevada Escola de Mistérios. E interessante notar que Rudolf Steiner publicou em Leipzig, em 1910, um dos seus livros mais importantes, Die Geheimwissenschaft im Umriss («A Ciência Secreta em Esboço»), com desenvolvimentos doutrinários e passagens inteiras que parecem extraídos para não dizer copiados de The Rosicrucian Cosmo-Conception, publicado como vimos no ano anterior. Pessoalmente não creio que tenha havido plágio, incluso de Max Heindel que poderia ter aproveitado os apontamentos dos cursos e das conferências de Steiner a que assistira em Berlim: e não creio que isso tenha acontecido não só atendendo à estatura moral, espiritual e intelectual dos dois homens, como também ao que sobressai do conjunto das respectivas obras. Por muito estranho que pareça esta é também a opinião, ainda que relutante, do avinagrado René Guénon  que tinha um ódio vesgo contra tudo o que lhe cheirasse a "teosofismo" - termo que utiliza para o distinguir da autêntica teosofia tradicional e lhe serve de rótulo a um estendal de concepções e doutrinas de que discorda e vão de Madame Blavatsky a Alice Bailey, passando pelos ditos de Heindel e Steiner. Se Guénon reconhece que nenhum deles plagiou, podemos estar seguros de que assim foi. A única explicação plausível, portanto, e que só pode ser a verdadeira, é que tendo tido ambos os mesmos Mestres Rosacrucianos, as suas obras e respectivos ensinamentos hão de apresentar determinadas semelhanças, mas ao passo que Max Heindel se manteve fiel à tradição Cristã e Rosacruz, Steiner a breve trecho se desviou introduzindo no seu sistema elementos espúrios.

                Lendo e estudando The Rosicrucian Cosmo-Conception e outros livros que Max Heindel escreveu, como Letters to Students, The Rosicrucian Mysteries, Gleanings of a Mystic, Web of Destiny, Mysteries of the Great Operas, Teachings of an Initiate, etc,  dei-me conta duma sensação nova, muito forte e muito real, depois de tanto tempo andar errante à procura da Fonte ou de quem quer que dela directamente tivesse haurido: eis-me pela primeira vez em contacto - admirável, ardente e afectuoso contacto! - com alguém que «tinha lá estado».

                O que Max Heindel descrevia possuía o incontestável cunho da sinceridade, era a expressão apaixonada e genuína de quem fora admitido aos Mistérios e subira os luminosos degraus, as observações eram autênticas, plenas, nada de palavreado vazio e inane, era a voz revelada e reveladora dum surpreendente rol de «reportagens» vividas e cheias de emoção mística... - não à maneira do filósofo-visionário Emanuel Swedenborg (1688-1772), que descreve miudamente as suas explorações pelas inúmeras moradas invisíveis e pelos graduais planos dos céus e dos infernos por onde o seu espírito andou (teria andado?), com a clínica frieza do médico legista a dissecar corpos peça a peça -, mas à maneira quase duma criança a relatar em tom cândido e fácil, sem surpresas e com aceitação, uma deslumbrante, diáfana, experiência nova. Não deixa de ser elucidativo o primeiro parágrafo, na primeira página, com que abre The Rosicrucian Cosmo-Conception:

                O fundador da Religião Cristã proferiu uma máxima oculta quando disse: «Em verdade vos digo, quem não receber o Reino de Deus como uma criancinha nele não entrará» (Mc 10, 15). Todos os ocultistas reconhecem a imensa importância deste ensinamento de Cristo e esforçam-se por vivê-lo dia a dia.

                Sobretudo é quase comovente senti-lo ansioso, a ele Max Heindel, por partilhar, com quem esteja disposto ao esforço ascensional, o segredo dos caminhos que se hão-de sofrer e seguir e que se revelam afinal tão claramente traçados nas Escrituras cristas. Aceitei o convite, embora - ai de mim! - a lonjura do horizonte e a vastidão da esfera sejam tão de mais para a minha pequenez.

                Mas toda a jornada começa sempre por um primeiro dia, infante, de escola.

                E por falar em escola, volto um pouco atrás para frisar que aquela Escola preparatória - The Rosicrucian Fellowship, conforme citei -, fundada por Max Heindel por inspiração dos Irmãos Maiores, representa um arranque inteiramente novo na obra da Ordem Rosacruz, e é dirigida invisivelmente pelos mesmos Irmãos Maiores da Ordem sob a direcção de Christian Rosenkreuz, ou do Grão-Mestre incógnito que adoptou este nome simbólico, sendo assim a referida Escola como que uma «reencarnação», no mundo visível, da antiga Ordem Rosacruz instituída por Rosenkreuz. Trata-se portanto duma ressurgência decidida a partir dos Planos Superiores: por outras palavras, apareceu mediante renascimento num local inteiramente novo, a fim de transmitir os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental às populações do Ocidente. Não pretende descender em linha recta ou oblíqua - tal como outras sociedades se arrogam - de quaisquer lojas rosacrucianas anteriores, existentes na América, na Inglaterra, em França, no Egipto ou em outros locais, por muitos antigas que sejam . The Rosicrucian Fellowship está em permanente ligação directa com o Templo etérico da Ordem Rosacruz em virtude de ser o canal ou instrumento autorizado da Ordem para a Era actual.

                    «Tanto Helena P. Blavatsky como Max Heindel ofereceram as suas vidas em serviço às  necessidade espirituais da raça.
Cada um deixou como legado às gerações vindouras uma  literatura  metafísica que sobreviverá ás vicissidades dos tempos».
 -  Manly P. Hall (33.º Rito Escocês)
 
 

Notas:

(1) Os termos «teosofia» e «teosófico» devem com legitimidade aplicar-se a uma corrente espiritual que abrange século de existência e conta com nomes tão diferentes e tão profundos como Meister Eckehart, Nicolau de Cusa, Paracelso, Giordano Bruno, Jacob Bohme, Johann Georg Gichtel, Swedenborg, Eckartsusen, Friedrich Schelling, entre outros, além dos mais conceituados autores do Iluminismo Rosacruz a que me referi mais atrás. A expressão «teosofia» (sabedoria de Deus) foi usada pela primeira vez no século II por Ammonio Saccas de Alexandria, mestre de Orígenes, que a foi buscar a Paulo: «Nós prègamos um crucificado; para os judeus, escândalo; para os gentios, escultícia; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, fortaleza de Deus e sabedoria de Deus [gr. Theou sophian]» (1Cor 1, 24), e também: «Sabedoria, sim, falamos entre os perfeitos; não sabedoria deste mundo nem dos chefes deste mundo, condenado a perecer, mas sabedoria de Deus [gr. theou sophian] em mistério, a oculta, que Deus predestinou dos séculos para glória nossa»(1Cor. 2, 7). - A sociedade que Helena P. Blavatsky fundou em Nova York em 1875 começou por ser uma sociedade espírita, e o nome The Theosophical Society foi-lhe dado pelo seu tesoureiro, Henry J. Newton, que na verdade ignorava o real significado daquela palavra. Registe-se, como curiosidade, que a Igreja católica condenou a Sociedade Teosófica em 1919.

(2) É possível que Steiner se tenha inspirado no título duma obra do Rosacruciano Eugenius Philalethes, pseudónimo de Thomas Vaughan: Anthroposophia Magia, Oxford 1650.

(3) Édouard Schuré, «Introduction» apud Rudolf Steiner, Le Mystère chrétien et les Mystères antiques (Das Christenthum als mystische Thatsache, Berlim 1902), trad. e introd. de E. Schuré, Paris 1908, pp. 28-29.

(4) O  lâma Kazi Dawa Samdup   (1868-1923), mestre tibetano que atingira um elevado grau de conhecimentos e que em 1919 traduziu para inglês com colaboração com Prof. W.Y.Evans-Wentz o Bardo Thodol («Livro dos Mortos Tibetano»), considerava que a despeito das críticas que lhe eram dirigidas, H.P.Blavatsky teria incontestavelmente recebido um ensino lamaico superior, tal como ela prendia (cf. a introdução de Evans-Wentz a The Tibetan Book of the Dead, nota de rodapé na p. vi). - Fernando Pessoa já suspeito o mesmo escreveu: «Os caminhos do simbolismo, sobretudo desde que se entra na estrada mística ou interpretativa, são cheios de ilusões, de devaneios e de fraudes.     […] É fora de dúvida que Madame Blatsky era um espírito confuso e fraudoso; mas também é fora de dúvida que recebera uma mensagem e uma missão de Superiores Incógnitos» (Yvette K. Centeno, Fernando Pessoa e a Filosofia Hermética - Fragmentos do espólio, Lisboa 1985. pp. 51-52).

(5) Augusta Foss Heindel, Memoirs about Max Heindel and The Rosicrucian Fellowship, Oceanside, 1997.

(6) Augusta Foss Heindel, op.cit., p.7. - Gostaria de salientar que a Autora utiliza a expressão Templo espiritual no sentido anagógico ou transcedental, referindo-se ao conteúdo; quando à matéria, o Templo é etérico. Sabe-se que esse templo, invisível aos olhares profanos, se situa a 50º de Lat-Norte e 13º de Long-Este, ou seja, na actual república Checa, alguns a Nordeste de Marianske Lazne (antiga Marienbad) e a Sueste de Karlovy Vary.

(7) Existe em português com o título: Conceito Rosacruz do Cosmo.

(8) René Guénon, Le Théosophisme: Histoire d'une Pseudo-Religion (1921), nova ed. aumentada Paris 1986, p. 221.

(9) Além do Conceito Rosacruz do Cosmo, os livros mencionados estão traduzidos em português com os títulos: Cartas aos Estudantes, Os Mistérios Rosacruzes, Colectâneas de um Místico, A Teia do Destino, Mistérios das Grandes Óperas, Ensinamentos de um Iniciado, etc.

(10) Cf. «Rosicrucian Societies in America», in Rays from the Rose Cross, vol. 88, n.º 4, July/August 1996.

(11) Max Heindel, The Rosicrucian Cosmo-Conception or Mystic Christianity (1909), reed. Oceanside 1977, pp. 530-532.

(*) Escritor e cineasta, nascido em Lisboa em 1931.
 
 Bibliografia: António de Macedo, Instruções Iniciáticas. Editores Hugin, Lisboa, 1999.

Biografia Rudolf Steiner


Rudolf Steiner (Kraljevec, fronteira austro-húngara, 27 de fevereiro de 1861 — Dornach, Suíça, 30 de março de 1925) foi filósofo, educador, artista e esoterista. Foi fundador da Antroposofia, da Pedagogia Waldorf, da agricultura biodinâmica, da medicina antroposófica e da Euritimia, esta última criada em conjunto com a colaboração de sua esposa, Marie Steiner-von Sivers. Seus interesses eram variados: além do ocultismo, se interessou por agricultura, arquitetura, arte, drama, literatura, matemática, medicina, filosofia, ciência e religião.

Sua tese de doutorado na Universidade de Rostock foi sobre a teoria do conhecimento de Fichte.

Após terminar os estudos dedicou-se a partir de 1883 a editar as obras científicas de Johann Wolfgang von Goethe. Tornou-se profundo conhecedor da obra de Goethe, escrevendo inúmeras obras sobre este, dedicando-se à explicação do pensamento do autor alemão. Ao mesmo tempo escrevia sobre assuntos filosóficos.

Após um período de vivência em Berlim, Alemanha, no qual sobreviveu como escritor de uma revista literária, Steiner ininterruptamente aderiu a uma trajetória de conferencista e escritor, desenvolvendo a Ciência Espiritual Antroposófica, ou Antroposofia. Entre 1902 e 1912, ele foi o líder da Sociedade Teosófica na Alemanha, mas rompeu com esta e fundou a Sociedade Antroposófica.O motivo do rompimento de Steiner com a Sociedade Teosófica foi que eles não davam a Jesus Cristo e o Cristianismo um lugar especial, mas ele também incorporou conceitos do Hinduísmo, como karma e reencarnação.

Em Dornach construíram a sede da Sociedade Antroposófica, denominada Goetheanum onde está atualmente a Escola Superior Livre de Ciência Espiritual. O primeiro Goetheanum foi destruído por um incêndio em 1922. Foi reconstruído e tem participação importante na obra de Steiner como um grande centro de contribuições para os campos do Conhecimento Humano. Steiner, entre outras obras, dedicou-se principalmente aos campos da Organização Social, Agricultura, Arquitetura, Medicina, e Pedagogia; também Farmacologia e no tratamento de crianças com a Síndrome de Down, dentro da Pedagogia Curativa.

Oferecendo alternativas além das condições materiais de soluções de todos os problemas dos quais tratou, Steiner obteve reconhecimento mundial. Em todos os continentes surgiram centros de atividades antroposóficas como desdobramentos práticos da Ciência Espiritual por ele desenvolvida.

Ciência Espiritual

Pode-se resumir a Antroposofia de Steiner como um modo de alcance de um conhecimento supra-sensível da realidade do mundo e do destino humano. Mas, o conteúdo desse resumo é complexo e remete a um estudo de extremas profundidade e disciplina, aliadas a um método de exercícios metódicos precisos, com o intuito de revelar no homem o divino que neste reside adormecido. A Antroposofia, o corpo de conceitos derivados da Ciência Espiritual, coloca o Antrophós (Homem) como participante efetivo do mundo espiritual através de seus corpos superiores, tornando assim evidente no mesmo o conceito do Theós (Deus).

A Ciência Espiritual é o meio de experiência consciente direta com o mundo espiritual, não se tratando, portanto, de uma forma de misticismo. É denominada ciência pois seus resultados podem ser verificados por qualquer um que se dispuser a se preparar neste sentido por meio do trabalho interior. Trata-se, por isso, de um conhecimento exato possível de ser acessado pelo pensar, desde que ele seja desenvolvido para tal pelo trabalho diário (exercício de concentração, revisão da memória, ação pura, percepção pura, etc).

Obras 

Dentre os trabalhos de Steiner temos aproximadamente 400 livros, inclusive escritos literários (aproximadamente 40 volumes), mais de 6000 preleções e seus trabalhos artisticos.

A Filosofia da Atividade Espiritual (1894) 
Ciência Oculta: Um Resumo (1913) 
Investigações sobre o Ocultismo (1920) 
Como Conhecer Mundos Superiores (1904) 
A Enganação Ahrimânica (1919) 
Minha Vida (1924–5) (autobiografia)

Biografia Hector Durville


Marie-François Hector Durville ou Hector Durville (Mousseaux, França, 08 abril de 1849 – Montmorency, França, 01 de setembro de 1923), autor, magnetizador e pesquisador no campo do ‘’magnetismo animal’’ e de outros assuntos considerados ocultos. Foi o Patriarca da família Durville e continuador da obra fundamental de Barão du Potet o jornal Du magnétisme.

Hector Durville nasceu em 8 de abril de 1849, em Mousseau, França. Durville descobriu o mesmerismo no outono de 1861, quando um de seus irmãos tornou-se vítima epidêmica de disenteria.

Com seus filhos Gaston, Henri e André Durville ele desempenhou um papel significativo na popularização de estudos sobre temas considerados ocultos (Espiritualismo e Magnetismo) na França.

No ano de 1870 é criado o Editorial Duville com publicações dedicadas a fenômenos parapsicológicos que tivessem relevâncias no tema desdobramento astral.

''O desdobramento do vivo, ainda que mal conhecido, é um fenômeno muito comum entre nós. Muitas distrações, ausências, sonhos, são resultados dele. Sobre o assunto recomendo o meu Méthode de dédoublement personnel e a obra de Hector Durville Le fantôme des vivants."
— António Joaquim Freire

A editora de Hector & Henri Durville em Paris emitiu uma grande variedade de livros e periódicos que tratam do Mesmerismo, ocultismo, o Espiritismo e as terapias naturais, alguns dos quais ele escreveu. Com seu filho Henri, dirigiu o Institut du Magnétisme et du Psychisme experimental, fundada em 1878.

Como médico psiquiatra e juntamente com seus filhos Henri e Gaston, continuou o "Journal du Magnétisme", originalmente fundada pelo Barão du Potet.

Em 1887, ele fundou a "Société Magnétique de France", e em 1893, a "École Pratique de Magnétisme et de Massage".

Henri Durville (1887-1963), filho de Hector Durville, professava em sua escola o que chamou "Os princípios da física dinâmica", em que ele mostrou a diferença entre o magnetismo animal e o hipnotismo. Seus estudos foram extremamente avançados, em acordo com François Ribadeau-Dumas, em seu livro "História da varinha mágica", onde afirma que os estudos de Henri Durville abriram novos horizontes, especialmente em as suas investigações quanto ao sonambulismo e de sua ação no centro dos nervos.

No ano de 1896 Durville fundou, ainda em Paris a "Universidade de Estudos Avançados", que oferecia as Faculdades de: "Ciência Magnética", "Ciência Hermética" e a "Faculdade de Ciências Espíritas", a última tendo como diretor o engenheiro Gabriel Delanne.

Ele também publicou o “Revue du Psychisme expérimental” e “Psychic Magazine”. E no ano de 1919 mais precisamente no dia 10 de junho o poeta português Fernando Pessoa escreveu a Hector Durville e a seu filho Henri pedindo auxílio por meio de tratamento magnético. Neste período é necessário salientar que o magnetismo passava novamente por processo de perseguição por parte dos médicos mas mesmo assim o escritor procura o auxílio do mesmo.

Quatro anos depois ele desfalece no dia 01 de setembro de 1923, em Montmorency, França.

Teorias

Duplo

A contraparte etérica do corpo físico, que, quando fora de coincidência, podem deslocar-se temporariamente pelo espaço em liberdade comparativa e aparecem em vários graus de densidade para os outros. A crença na existência do corpo duplo, ou astral, é antiga, e seu uso moderno como uma "hipótese de trabalho" resolve muitos problemas intrigantes da pesquisa psíquica.

Em 1909, Durville verificou a exatidão das experiências de Albert de Rochas referentes ao desdobramento da alma humana e à projeção do duplo, por processos magnéticos mais rápidos e simples, e menos perigosos, conjugando os passes magnéticos com a sugestão. Além das indicações fornecidas pelos seus passivos, serviu-se também de videntes naturais e de videntes magnéticos a fim de obter informações mais precisas e variadas, que a fotografia e outros meios de verificações físico-química vieram confirmar plenamente nos mais importantes fatos.

Biografia Jagot Paul Clement

Jagot Paul Clement, nació en París en 1889 y murió en esa ciudad en 1962, era un ocultista y escritor francés, autor de libros sobre el desarrollo personal, higiene, esoterismo, psicología aplicada, hipnotismo y parapsicología, así como la exploración y la explotación de las posibilidades psíquicas en estado latente en diversos grados de que todo individuo es poseedor.

Jagot nació en circunstancias (entorno) modestas. Su mala salud y mala apariencia le hicieron la niñez precaria. Por otra parte, la falta de dinero de la familia le conduce principalmente a autoformarse A pesar de las dificultades iniciales, luego de una escolarización relativamente breve, su extraordinaria memoria le hacen un estudiante de un nivel de erudición excepcional. En 1907, A los 18 años, descubrió el hipnotismo con Alexander Lapotre. Luego continuó su formación con Héctor Durville.

Su atracción por el hipnotismo implícitamente aumenta su gusto por las ciencias ocultas, la higiene, el desarrollo personal y la psicología aplicada. También estudió el magnetismo animal (también llamada mesmerismo) y varias ciencias, incluyendo la investigación son: la astrología, la quiromancia, morfopsicología, la fisonomía y la grafología que revelan algo de su experiencia predilectas.

OBRAS:

Paul-Clément Jagot, La stérilité volontaire et la continence, leurs dangers,
Paul-Clément Jagot et Dr Pierre Oudinot, Traité méthodique de magnétisme personnel, Dangles, 1980
Paul-Clément Jagot, Méthode pratique pour développer la mémoire, Dangles, 1945
Paul-Clément Jagot, L’aptitude à l’effort réalisateur : les sources biologiques et psychiques de l’énergie individuelle, Dangles, 1970
Dr Pierre Oudinot et Paul-Clément Jagot, L’insomnie vaincue, l’art de s’endormir aisément malgré le bruit, les préoccupations ou la douleur, Dangles, 1954
Dr Pierre Oudinot et Paul-Clément Jagot, Méthode pratique de développement du charme personnel. L’influence psychique. L’attrait esthétique, Dangles, 1964
Jean Copart (préf. Paul-Clément Jagot), Que deviendra votre enfant ? Comment connaître des maintenant les étapes de son destin ?, Dangles, 1956
Paul-Clément Jagot, Psychologie de l’amour : l’instinct, la sensibilité, l’imagination... [« Psychologie analytique et synthétique de l’amour : les sens, le cœur, l’idée »], Dangles, 1983
Paul-Clément Jagot, L’influence à distance : la transmission de la pensée et la suggestion mentale, méthode pratique de télépsychie, Saint-Jean-de-Braye, Dangles, 1968
Paul-Clément Jagot, Science occulte et magie pratique. Édition remaniée..., Saint-Amand, Dangles, 1959
Paul-Clément Jagot, Traité théorique et pratique de la double-vue : clairvoyance, lucidité, psychométrie,télesthésie, Dangles, 1971 (réimpr. 1975)
Paul-Clément Jagot (préf. Dr Legrain, médecin en chef honoraire des asiles, expert près les tribunaux), Le livre rénovateur des nerveux, des surmenés, des déprimés et des découragés.
Paul-Clément Jagot (ill. C. Carlini), Les marques révélatrices du caractère et du destin, l’art de lire sur le visage, les prédispositions et prédestinations,
Paul-Clément Jagot, Comment développer votre magnétisme personnel, Dangles, 1981
Paul-Clément Jagot, La clé de l’attirance séductrice, méthode pratique de développement du charme personnel, Publications de psychologie expérimentale, 1922
Paul-Clément Jagot, Traité de sciences occultes et de magie pratique, Paris, M. Drouin, s. d., In-8 [190], texte imprimé, monographie, 311 p.
Paul-Clément Jagot, Comment on devient hypnotiseur, Paul-Clément Jagot et Dr Pierre Oudinot (préf. Dr Pierre Oudinot), Le pouvoir de la volonté : sur soi-même, les autres et sur le destin, Dangles
Paul-Clément Jagot (préf. Dr Pierre Oudinot), L’éducation de la parole : comment convaincre, séduire et capturer par une élocution claire et assurée,
Paul-Clément Jagot (préf. M. le docteur Pierre-Louis Rehm), La puissance de l'autosuggestion : méthode pratique pour acquérir fermeté, calme, lucidité et favoriser la guérison,
Paul-Clément Jagot, Le pouvoir de la volonté 

Invocações e Evocações: Vozes Entre os Véus

Desde as eras mais remotas da humanidade, o ser humano buscou estabelecer contato com o invisível. As fogueiras dos xamãs, os altares dos ma...